EUGES LIMA
Historiador, professor, bibliófilo, palestrante e ex-presidente do IHGM
A adesão do Maranhão à Independência do Brasil, oficializada em 28 de julho de 1823, foi muito mais do que um ato político. Representou a incorporação definitiva da província ao projeto do nascente Império brasileiro e um passo decisivo para a consolidação da unidade territorial do país. Embora a ruptura com Portugal não tenha promovido mudanças sociais imediatas, preservando a monarquia, a escravidão e o poder das elites, marcou o início da integração do Maranhão à construção do Estado brasileiro.
Durante muito tempo, a Independência foi resumida ao célebre grito de D. Pedro às margens do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822. No entanto, a emancipação brasileira foi um processo longo, marcado por conflitos, negociações e diferentes tempos de adesão nas províncias. O Maranhão esteve entre os últimos territórios a integrar o novo Império.
A demora em aderir explica-se pelos fortes vínculos políticos e econômicos da província com Portugal. A elite maranhense, formada por militares, comerciantes, altos funcionários e membros do clero, muitos deles portugueses, mantinha estreitas relações com Lisboa e via a separação política como uma ameaça aos seus interesses. Por isso, durante boa parte de 1822 e 1823, as autoridades locais continuaram obedecendo às determinações das Cortes portuguesas.
Para D. Pedro I, porém, a permanência das províncias do Norte sob domínio português colocava em risco a integridade territorial do novo país. A região era estratégica e sua perda poderia provocar uma fragmentação semelhante à ocorrida na América Hispânica. Diante desse cenário, o imperador contratou o experiente militar escocês Thomas Cochrane para organizar a Marinha Imperial e liderar a campanha contra as forças portuguesas.
Veterano da Marinha Real Britânica e das guerras de independência do Chile e do Peru, Cochrane chegou à Baía de São Marcos em 26 de julho de 1823. Utilizando uma de suas mais conhecidas estratégias, entrou no porto com a bandeira inglesa hasteada, levando os portugueses a acreditarem que se tratava de uma embarcação aliada. O brigue português Infante D. Miguel, enviado para recepcioná-lo, foi capturado sem resistência.
Na sequência, Cochrane enviou um ultimato à Junta Governativa, afirmando que uma grande esquadra imperial se aproximava da ilha e exigindo a rendição imediata. Tratava-se de um blefe. Na realidade, ele dispunha apenas da nau Pedro I. Sua reputação militar e a pressão exercida pelas tropas independentistas que avançavam pelo interior do Maranhão, vindas do Piauí e do Ceará, foram suficientes para convencer as autoridades portuguesas de que resistir seria inútil.
No dia 28 de julho de 1823, no Palácio do Governo, realizou-se a cerimônia oficial de adesão. D. Pedro I foi aclamado Imperador Constitucional do Brasil diante da Junta Provisória, representantes da Câmara, autoridades civis, militares e eclesiásticas. Cochrane não participou da solenidade, alegando problemas de saúde, mas sua atuação foi decisiva para o desfecho do processo. Segundo registros da época, ao final da cerimônia ecoaram vivas "à Religião Católica, ao Imperador, à Independência e à Constituição Brasileira", repetidos pela população reunida diante do Palácio.
A incorporação do Maranhão representou uma etapa fundamental para a consolidação da Independência no Norte do Brasil. Sem a adesão das províncias setentrionais, dificilmente o projeto iniciado em 1822 teria mantido a integridade territorial que caracteriza o Brasil até hoje.
Passados 203 anos, o 28 de julho permanece como um dos marcos mais importantes da história maranhense. A data recorda que a Independência do Brasil não foi resultado de um único gesto simbólico, mas de um processo complexo, construído por meio de conflitos, negociações e diferentes experiências regionais, nas quais o Maranhão desempenhou papel decisivo para a formação do país.
REPLAY IHGM 100 anos de preservação e construção da identidade maranhense
12/10/2026 A Fé: Luiz Dernizo Caron é convidado da Plataforma Nacional do Facetubes
ESPECIAIS A Permanente Luta das Mulheres pela Quebra de Tabus na Política Brasileira
Especiais Projeto Arte em Fibra transforma saberes de mulheres maranhenses em coleção de bolsas e oportunidades de renda
CÍRIO DE NAZARÉ Do casco dos barcos às ruas de Belém: a arte ribeirinha veste o Círio e transforma tradição em renda
Especial CINEMA Sharon Stone é uma atriz, modelo e produtora norte-americana. É uma boa atriz e tem muitos filmes na carreira. Mín. 10° Máx. 19°
Mín. 10° Máx. 17°
Tempo nubladoMín. 11° Máx. 21°
Tempo nublado
Colunista Socorro Guterres COMO UM CÃO: O ABSURDO JURÍDICO EM O PROCESSO
Coluna de RUY PALHANO Dr. RUY PALHANO em texto que fala profundamente sobre a “perda do sentido e o vazio exsistencial”
Academias Brasil/Exterior Coirmãs João Ewerton celebra 50 anos de pintura e revela, em sete fases, as raízes culturais do Maranhão
Coronel Carlos Furtado De Carlos Furtado:“A DIFÍCIL ARTE DE SER POETA”