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Amazônia Negra: as imagens da cor do (in)visível, de Marcela Bonfim, está entre os dez semifinalistas da categoria Artes, no eixo Não Ficção, do Prêmio Jabuti 2026. Publicado pela Igrá Kniga em 2025, o livro leva à disputa uma investigação construída a partir da experiência da autora com as populações negras da região amazônica. A seleção foi anunciada em 29 de setembro pela Câmara Brasileira do Livro, responsável pela premiação.
Nascida em Jaú, no interior paulista, Marcela chegou a Porto Velho em 2010, em busca de trabalho. Formada em Economia pela PUC-SP, encontrou em Rondônia um caminho para a fotografia e para o reconhecimento de sua identidade como mulher negra. Em 2012, comprou uma câmera e passou a registrar pessoas e experiências em comunidades quilombolas, terreiros, festas religiosas e outros espaços. A trajetória apresentada pelo Prêmio PIPA associa esse trabalho à revisão da maneira como a própria artista compreendia sua história.
O projeto ganhou forma no contato com vidas que compõem a história da região: famílias de origem caribenha, comunidades negras, trabalhadores e pessoas que preservam práticas culturais entre cidades, rios e florestas. Em depoimento publicado pelo PIPA, Marcela descreve o encontro com descendentes de famílias vindas das antigas ilhas inglesas do Caribe. Sua fotografia acompanha essas presenças e seus vínculos com o território, dando atenção aos nomes, às relações familiares e às experiências de quem aparece diante da câmera.
Na apresentação disponibilizada pela editora, a autora explica a ligação entre esse percurso e a escrita: “Chegar à Rondônia foi o passo decisivo para as mais importantes conexões”. O livro de estreia reúne reflexões sobre o corpo negro, os estigmas raciais e o poder das imagens na construção da memória. A escrita integra o projeto (Re)conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências na floresta, que também envolve fotografia, música e audiovisual.
A partir desses registros e do texto de apresentação, é possível identificar uma questão que orienta o trabalho: a responsabilidade de quem produz e faz circular imagens de outras pessoas. Fotografar envolve escolher o enquadramento, reconhecer uma história e decidir como apresentá-la ao público. Na trajetória de Marcela, essa responsabilidade se aproxima de sua experiência pessoal. A mulher que fotografa também revê a própria imagem e os critérios pelos quais aprendeu a olhar a população negra. Essa relação entre autoria e representação ajuda a compreender o alcance cultural de sua pesquisa.
A próxima etapa do Jabuti será anunciada em 14 de outubro, com a divulgação dos cinco finalistas de cada categoria. Os vencedores serão conhecidos em 27 de outubro, durante a cerimônia na Sala São Paulo. A 68ª edição recebeu 4.675 inscrições de obras e projetos e reúne 23 categorias. Até esta fase, Amazônia Negra permanece na disputa em Artes, aproximando o público leitor de uma produção desenvolvida em Rondônia e dedicada às histórias negras da Amazônia.
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Fontes: Câmara Brasileira do Livro — anúncios e calendário de 2026; Agência Brasil — relação dos semifinalistas; Igrá Kniga — apresentação do livro e biografia da autora; Prêmio PIPA — perfil de Marcela Bonfim e depoimento da artista. Origem da pauta: título da reportagem da Revista Cenarium encaminhado pelo leitor.
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