Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes.
A escritora Eliana Alves Cruz venceu, na noite de terça-feira, 27 de outubro, o Prêmio Jabuti 2026 na categoria Romance Literário, com o livro Meridiana, publicado pela Companhia das Letras. A decisão foi anunciada durante a cerimônia da 68ª edição do prêmio, realizada na Sala São Paulo, na capital paulista. A obra superou quatro romances de autores que ocupam posições reconhecidas na produção literária brasileira contemporânea.
O resultado encerra uma disputa que reuniu cinco maneiras de tratar questões presentes na sociedade brasileira: a violência, as relações familiares, a memória, as desigualdades sociais e a identidade. A seleção incluiu Itamar Vieira Junior, com Coração sem medo; Milton Hatoum, com Dança de enganos; Aline Bei, com Uma delicada coleção de ausências; e Evandro Affonso Ferreira, com Vez em quando, Billie Holiday. Os nomes foram anunciados pela Câmara Brasileira do Livro em 14 de outubro.
A escolha de Meridiana coloca no centro da premiação uma narrativa sobre a mobilidade social de uma família negra. Eliana Alves Cruz acompanha personagens que conquistam melhores condições materiais de vida e continuam enfrentando as consequências do racismo nas relações pessoais e sociais. O romance trabalha com diferentes narradores, permitindo que os integrantes da família apresentem suas próprias experiências. A ascensão econômica aparece como parte de uma trajetória que não apaga os conflitos construídos ao longo de gerações.
Cinco romances, cinco caminhos narrativos
O conjunto dos finalistas permite observar alguns dos assuntos que mobilizam a ficção brasileira atual. São livros com estruturas, personagens e escolhas de linguagem distintas, unidos pelo interesse em examinar as relações humanas em seus contextos históricos e sociais.
Eliana Alves Cruz — Meridiana (Companhia das Letras). A vencedora apresenta a trajetória de Aurora, Ernesto e seus filhos após a passagem da família da favela para a classe média. Cada integrante assume a palavra para contar uma parte da história. As diferenças entre essas versões mostram como os avanços sociais convivem com experiências de discriminação, expectativas familiares e conflitos de identidade.
Itamar Vieira Junior — Coração sem medo (Todavia). O romance encerra a chamada Trilogia da Terra, iniciada com Torto arado e continuada em Salvar o fogo. A personagem Rita Preta, trabalhadora de supermercado e mãe de três filhos, enfrenta o desaparecimento de Cid, um de seus filhos, na periferia de Salvador. A procura pelo adolescente aproxima a narrativa da violência urbana, das desigualdades e da relação entre território e pertencimento.
Milton Hatoum — Dança de enganos (Companhia das Letras). O escritor conclui a trilogia O Lugar Mais Sombrio, construída em torno de Martim e das consequências da ditadura militar brasileira. Neste volume, Lina, mãe do protagonista, assume a narrativa. Sua voz recupera acontecimentos familiares, separações e lembranças situadas no ambiente político dos anos 1960. A memória passa a organizar a própria experiência de quem conta a história.
Evandro Affonso Ferreira — Vez em quando, Billie Holiday (Record). A obra acompanha Diadorino, jovem criado em um ambiente de violência no sertão, que deseja tornar-se Diadorina. A narrativa aborda identidade, violência e transformação pessoal, recorrendo à experimentação da linguagem e a referências literárias e musicais. A cantora Billie Holiday participa desse universo de referências que atravessam o livro.
O Prêmio
Sua 68ª edição recebeu 4.675 inscrições de obras e projetos em 22 categorias, além de 402 indicações válidas para a nova categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital. Os vencedores das 23 categorias recebem R$ 5 mil e uma estatueta.
O prêmio principal da noite, Livro do Ano, foi concedido a Ruy Castro, por Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio, publicado pela Companhia das Letras. O jornalista e escritor também venceu a categoria Biografia e Reportagem. A distinção de Livro do Ano inclui R$ 70 mil e participação em uma feira internacional do livro em 2027, com despesas cobertas pela organização. A cerimônia também prestou homenagem à escritora Lygia Bojunga, escolhida Personalidade Literária de 2026, no ano em que seu livro A bolsa amarela completa cinco décadas. Na nova categoria destinada à divulgação literária em ambientes digitais, o vencedor foi Pedro Pacífico, responsável pelo Bookster.
O resultado do Jabuti representa uma escolha feita por um júri especializado. A relação dos finalistas permite uma observação mais ampla: os cinco romances procuram compreender aspectos da vida brasileira por meio de personagens que enfrentam perdas, mudanças, desigualdades e decisões pessoais.
Nesse conjunto, a vitória de Meridiana reconhece uma narrativa construída a partir de diferentes vozes familiares. Sua contribuição está em colocar a ascensão social, o racismo e a memória no mesmo espaço literário, acompanhando as consequências dessas experiências na vida de cada personagem.
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EM TEMPO
Livro Brasileiro Publicado no Exterior
Vencedor: "Os substitutos", editoras: Companhia das Letras, Métailié
"A terra dá, a terra quer" | Editora(s): Ubu, Editions Wildproject
"Água turva" | Editora(s): Companhia das Letras, Suhrkamp Verlag
"O som do rugido da onça" | Editora(s): Companhia das Letras, Liveright/ Norton
"Via Ápia" | Editora(s): Companhia das Letras, Farrar, Straus & Giroux
Eixo: Inovação
Incentivo à Leitura - Projeto
Vencedor: "Cartovivências nas periferias da cidade", responsável: Ricardo Barbosa da Silva
"A cidade da gente" | Responsável(eis): Otavio
"A feira do livro 2025" | Responsável(eis): Associação Quatro Cinco Um
"Programa de rádio Universo Literário" | Responsável(eis): Fábia Pereira Lima
"Semana Literária Sesc e feira do livro" | Responsável(eis): Mayara Elisa de Lima Cirico
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