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Especial Joema Carvalho: "Entre Linhas/para minha mãe Cristina, com admiração"

"Visões em vão de uma pegada que fica em cada encontro que não se esquece a feição daquela professora."

15/03/2021 11h38
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Joema Carvalho.
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ENTRE LINHAS 

Para a minha mãe, Cristina, com admiração

A jarra de suco de maracujá ao lado cama no fechamento do mês. Muitas turmas e um número maior de provas. A prova máxima de avaliar um ser humano com base em critérios de conteúdos mínimos.

As filhas brincavam lá fora. A casa sempre cheia de sobrinhos. A demanda materna era à noite, lia histórias para elas antes de dormirem. Ela conseguia lembrar da Sherazade e da fábula do lobo de La Fontaine. Depois das histórias, as sinfonias de Bethoven na vitrolinha vermelha ao lado da cama

A primeira a informar a diretora sobre as novidades jurídicas da educação. Mais uma daquelas que teve escolher vaga em um determinado ano, onde quem educava não passava de camelo em pasto.  Saia do interior para a capital. Enfrentava fila no núcleo central no aguardo de uma vaga. Uma das primeiras a ter especialização na época, sempre chegava com vantagem naquele ringue.

Histórias mínimas e máximas. Seguia na casa de um jovem aluno que sempre dormia em sala. Deste pequeno, para a mãe ir trabalhar, tomava mamadeira com cachaça. Alcoólatra. O dia em que de palavrões, saíram textos quebrando as regras da disciplina, através do português clássico. De um papel higiênico, a inteligência como forma de rasteira em adolescente que achou que pegaria a professora através de um desconforto. O incentivo para o ensaio da cultura afro através da capoeira de adolescentes em situação de risco social. Em paralelo a sala que motivou a dancinha americana de meninas vulneráveis ao sistema de sainha engomada, venceu o concurso acadêmico, dentro de um sistema padrão. Odiava biblioteca dividida por faixa etária. Sua orientação, diante daquele conjunto de livros era: leia!

A culpa impregnada nas células de quando deixou as filhas pequenas. Ficava a semana inteira fora em uma pensão de caminhoneiro para manter o tal padrão, deslocado politicamente, para alimentar o prazer de tiranos. A filha com cachumba, aos cuidados do pai e da avó. O telefone era caro. Fichas se consumiam impossibilitando o contato.

Parque Nacional das Cavernas do Peruaçu em Januária. (F: JC). 

Visões em vão de uma pegada que fica em cada encontro que não se esquece a feição daquela professora. O abraço carinhoso de sempre, de quem se lembra daquela que o enxergou como ser humano. A rotina absurda de quem devia desvendar o mundo em cada encanto. De uma esquina a outra, os anos passaram. Em cada folha de um plano de aula, um motivo diferente que jamais se repetia em cada estação.

Uma mão dormente. Anos de fisioterapia. Alergia ao giz. Nada conta. Os cursos de um projeto de capacitação de capacitores que se perdeu em um momento onde se olhava para a educação de forma sistêmica. Qualidade e afeto. Nos cubos geométricos, uma tentativa de ir além. Fazer mais. Depois de aposentada. Tudo no lixo. Projetos que marcaram uma trilha. Desabaram na ignorância de um planeta que dá voltas e que retorna aos pleistocenos mentais, de onde, talvez, nunca se tenha saído, afora o design.

A história que vai e que volta, nos cascos de cavalos de fardas sobre uma ideia, sobre quem carrega no lombo o fardo de ser quem educa. Benefícios divididos em partes, nas entre linhas de palavras dispersas no tempo. “Lei do retorno”?

Hoje com a comunicação fluente, a honra de um processo seria servida se o mundo se consumasse através de um passo depois de outro. Lavas e tectônicas se movimentam, independente de nós. Esparramam as Eras independente de lógica. A evolução se faz através do vento. E o mundo continua aberto somente para aqueles que tem asas no espírito.

 

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Joema Carvalho, Curitiba – PR, engenheira florestal, doutora, perita. Autora do livro Luas & Hormônios, selecionado e editado pela Secretaria do Estado da Cultura (2010). Colunista do FACETUBES e do Observatório de Comunicação Institucional. Organizadora do eBokk Tuíra editado pela Amazon (2020). Participação em coletâneas: Conexão IV, Nogue Editora (2018); Literarte Celebra a Região Sul. Coletânea da Associação Internacional de Escritores e Artistas (2019); Parnaso Poético III (2019), Porquê Somos Mulheres. Antologia Digital – Poesia, Selo Editorial da Revista Ser MulherArte (2020). Coletânea do Mulherio das Letras - Portugal (2020). Participação de projetos: Homenagem do Dia das Crianças do Programa Papagaios do Brasil. Seis poemas de seis papagaios lidos por crianças (2020); Do Outro Lado do Vídeo Há Um Poema – Biblioteca Pública do Paraná e Instituto Sidônio Muralha (2020), Quarentena Literária – Prosa Nova Produções Culturais (2020), Chuva Poética (2018 e 2019).

Contato:

https://joemacarvalholiteratura.blogspot.com/

https://www.instagram.com/joemacarvalho/

https://web.facebook.com/luasehormonios

 

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