O Centro de Ensino Profissionalizante Engenho de Pindaré vai divulgar quinzenalmente textos, crônicas e toadas dos mestres da cultura popular de Pindaré e região.
O gestor Edilson Brito afirmou: “que é necessário apresentar o rico trabalho cultural dos mestres e mestras para um público mais amplo, porque precisamos salvaguardar a memória coletiva do povo com o registro”.
Iniciamos com uma crônica sobre Maria Cordeiro e uma toada do professor Bigode.
Maria Cordeiro, Toadas e Poesia

O 1º Festival de Toadas de Santa Inês promoveu um grande encontro de cantadores de boi do Vale do Pindaré, na Praça Viva Lobato. Lá nos encantamos com muitas metáforas, grandes apresentações, vozes destacáveis e principalmente com a poesia do gaieiro. O melhor da cultura popular invadiu os nossos corações.
Todos sabem que nossa maior tradição cultural é o bumba-meu-boi, principalmente o de matraca, que revela o sotaque de Pindaré, da Baixada, e agora, de Santa Inês também. Temos muitas turmas. Mestres como seu Chiquinho, Cabelo Fino, Zequinha do Açúcar (in memoriam). Eles fazem o novilho ressuscitar aqui no mês de junho.
Estes homens todos marcaram presença na cantoria. Sabem aboiar o gado, sabem encher a vida de sonhos. Acabaram mostrando para a polução de nossa cidade, que arte popular tem belezas infinitas como afirma sempre o Raimundo André de Vitalina. Eu acho que ele tem razão na afirmativa.
Quem ganhou o Festival foi Dona Maria Cordeiro. Um fenômeno de voz, de conhecimento popular, de presença de palco. Ela que é a mais importante cantadora de boi do Maranhão, mesmo sem saber disso ainda, pois não tem a exata dimensão de seus talentos. O Brasil vai descobri-la para fazer altas reverencias, podem acreditar, meus leitores.
Vejam a qualidade literária da poesia dela. Esta foi a vencedora do festival, de junho de 2015: “Ei Santa Inês, eu nunca te esqueci/ É a maior cidade do Vale do Pindaré/ Igual a essa eu nunca vi/ Santa Inês, Santa Inês, eu nunca te esqueci/ É a maior cidade do Vale do Pindaré/ Igual a essa eu nunca vi/ Cidade modelo, que beleza é a Praça da Matriz/ Eu venho homenagear a minha terra querida/ Eu me lembro que foi nela onde eu nasci”.
Dona Maria Cordeiro venceu a disputa numa noite iluminada por São João. Nós ganhamos mais identidade e tutano cultural. Salve os cantadores do Maranhão. Salve, dona Maria Cordeiro!
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Paulo Rodrigues (Caxias, 1978), é graduado em Letras e Filosofia. Especialista em Língua Portuguesa, professor de literatura, poeta, jornalista. É autor de vários livros, dentre eles, O Abrigo de Orfeu (Editora Penalux, 2017); Escombros de Ninguém (Editora Penalux, 2018).
Ganhou o prêmio Álvares de Azevedo da UBE/RJ em 2019, com o livro Uma Interpretação para São Gregório.
Venceu o prêmio Literatura e Fechadura de São Paulo em 2020, com o livro Cinelândia. É membro da Academia Poética Brasileira.
E-mail: [email protected]
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TOADA
Tô voltando à minha terra
Pro Vale do Pindaré
Coxinho que já se foi
Terra do bumba-meu-boi, Tapiaca e Mandubé.
Sai nos campos
Visitando a natureza
Ó meu Deus quanta tristeza
Ao ver tanta humilhação
O homem é bruto
Devasta sem ter noção
Acabando com o verde
Não pulsa seu coração.
O Arariba, Crivirí e Água-pé
Cadê a baba de boi
O Tucum e o Marajá
Eu tou voltando
É bem triste o meu penar
Tudo que aqui deixei
O homem quer acabar.
O nosso rio
Se acaba em erosão
Tapiaca já tá pouca
Quase extinto o Mandubé
Por isso digo
Repito com muita fé
Tá valendo qualquer coisa
Pra salvar o Pindaré.
Autor: Belmiro Barros de Sousa
Pseudônimo: Professor Bigode
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