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Maria Ferreira Dutra, fala sobre "Tarsila de Aguiar do Amaral"

Com autorização da autora.

13/01/2022 às 16h29 Atualizada em 15/01/2022 às 02h05
Por: Mhario Lincoln Fonte: Maria Ferreira Dutra
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Maria Ferreira Dutra

Estamos em plena ascensão da arte. A cada momento vemos novas artes surgindo de forma rápida e com muito talento. as redes sociais, se encontram entre o passado e o presente e, para termos um bom equilíbrio vou falar um pouco de mais uma artista que me encanta muito. 

Seu nome é  Tarsila do Amaral.

Ela foi uma pintora e desenhista brasileira que produziu muitos quadros fabulosos.

Nasceu em setembro de 1886 na cidade de Capivari, interior do estado de São Paulo. 

Fillha de José Estanislau do Amaral Filho e Lidia dias de Aguiar do Amaral.

A artista passou sua infância e adolescência na fazenda de café do seu pai. Tarsila e seus  irmãos tiveram uma vida muito abundante de renda e assim  puderam estudar em bons colégios, como o Colégio Nossa Senhora de Sion em São Paulo. 

Uma das obras de Tarsinal.

Com dezesseis anos, viajou para Barcelona na companhia dos pais onde continuou os estudos. Na Espanha, pintou o primeiro quadro a partir de cópias do Sagrado Coração de Jesus. Quando voltou para o Brasil, Tarsila se casou com seu primo por parte de mãe, o médico André Teixeira Pinto, o qual se sentiu incomodado com o trabalho artístico da esposa, conservado, ele a impunhou a um comportamento recatado doméstico.

Depois do nascimento da Dulce, a única filha do casal Tarsila conseguiu a anulação do casamento.

Em 1916, Tarsila começou a estudar no ateliê de William Zadig, escultor sueco radicado em São Paulo e Mantovani. 

Com ele aprendeu a fazer modelar em barro.

No ano 1917 Tarsila estudou desenho e pintura com Pedro Alexandrino, onde conheceu a artista plástica Anita Malfatti.

Foi para Paris em 1920, onde estudou na Academia Julian. Chegou a estudar com Émile Renard. 

Tarsila se correspondia com a  Anita Malfatti e falava o que estava acontecendo no campo cultural paulista.

Em 1922, uma de suas telas foi admitida no Salão Oficial dos Artistas Franceses. Ela começou a dizer que nome da tela era passaporte por ser a tela de entrada no meio artístico e ela voltou para o Brasil no mesmo ano.

A Semana de Arte Moderna de 22 foi em fevereiro quando a Tarsila estava em Paris, ela regressou ao Brasil em junho e através da Anita Malfatti conheceu o grupo Modernista.

Tarsila voltou para a Europa em 1923 à mantinha contato com os modernistas que lá se encontravam, entre eles Oswald de Andrade que logo se apaixonou por ela e começaram a namorar. 

Fomaram o grupo dos cinco: Tarsila do Amaral, Anita Malfatti,(artistas plásticas) Mário de Andrade, Osvald de Andrade e Monetti Del Picchia (escritores).  Foram responsáveis junto a outros artistas pelo referencial ideológico e artístico da Semana da Arte Moderna de 22, realizado no Teatro Municipal de São Paulo.

Tarsila ficou mais expressiva, influenciada também pela Anita, com pinceladas mais rápidas, as cores mais fortes.

Tarsila voltou para Paris no mesmo ano e escreveu uma carta para a família e segue um trecho: 

“Sinto-me cada vez mais brasileira e quero ser a pintora da minha terra”. 

Tarsila estudou com Albert Gleizes e Fernand Léger, grandes mestres cubistas. Ela conheceu o carnaval no Brasil e as cidades históricas de Minas. Tarsila descobriu as cores vivas, as paisagens da nossa terra e o povo. Iniciando uma fase da sua pintura chamada “Pau-Brasil”,1924.

Oswald de Andrade lançou em Paris o volume de poesias “Pau-Brasil”, com ilustrações de Tarsila no ano de 1925.

Nesse mesmo ano o poeta Mário de Andrade fez um poema e deu o nome de Tarsiwaldo dedicado a Tarsila e Oswald.

Segue abaixo:

Poema Tarsiwaldo

Texto:  Mário de Andrade

“Pegue-se 3 litros do visgo da amizade 

Ajunte-se 3 quilos do assucar cristalizado da adimiração

Perfume-se com 5 tragos da pinga do entusiasmo

Mexa-se até ficar melado bem pegajento

E se engula tudo duma vês

Como adesão do Mário de Andrade 

Ao almoço

Pra Tarsila

E

Osvaldo

Amem”

Tarsila casou-se com Oswald de Andrade em 1926 e também fez a exposição individual na Galeria Percier, em Paris. 

A tela Cuca Foi comprada pelo Fundo Nacional de Arte Contemporânea Francês.

Ela deu de presente ao seu esposo Osvald de Andrade um quadro, e ele ficou tão impressionado com a pintura que disse ser o homem implantado na terra. isso foi em 

11 de janeiro de 1928.

Logo ele ligou para o Raul Bopp e depois de analisar a obra, os dois escritores deram o nome de Abapuru que na língua tupi significa homem que come.

Homem que come homem, é um nome que inspirava o movimento antropófago de Oswald de Andrade.

Obra de Tarsila do Amaral.

O antropofagismo mostrava se alimentar da cultura europeia que era cultura vigente na época, acrescentavam elementos brasileiros e transformavam em uma coisa nossa valorizando o nosso país.

Pela primeira vez, Ela expôs individualmente no Brasil, no Palace Hotel em São Paulo em 1929.

Oswald de Andrade deixou Tarsila e passou a viver com Pagu no ano de 1930

Ela passou por um momento de dificuldade financeira junto com a família por causa queda da Bolsa de Nova Iorque que fez despencar o preço do café.  

Tarsila arrumou um trabalho e ficou deprimida com a situação desta crise, durante um ano Tarsila produziu uma única tela intitulada “Composição (Figura Só)”.de 1930

Ela teve um novo romance em 1931 e foi com Osório Cesar. Viajou para a Rússia onde fez uma exposição em Moscou mas como ainda estava sem dinheiro, trabalhou como operária de construção pintora de parede e portas para poder ter fundos para retornar ao Brasil.

Seu quadro Operários de 1933 foi um marco na pintura social do Brasil, ela participou da Primeira Bienal de São Paulo como selecionada com a tela EFCB de 1924. Pintura ícone do manifesto Pau-brasil pelo belo contraste entre a paisagem rural e o futuro da cidade moderna.

Tarsila viveu com o escritor, jornalista e cronista carioca; Luiz Martins seu último relacionamento ficaram juntos entre 1933 e 52.

Tarsila pintou dois painéis em sua carreira: “Procissão do Santíssimo” (1954), e “Batizado de Macunaíma” (1956).

Chegou a trabalhar como jornalista, colunista nos Diários Associados onde ilustrava retratos de grandes personalidades. 

Em 1963 teve uma sala especial na VII Bienal de São Paulo e no ano seguinte teve participação especial na XXXII Bienal de Veneza.

O empresário argentino Eduardo Constantini comprou a tela da Tarcila por US$ 1,3 milhões num leilão em Nova Iorque. Ovquadro "Abaporu" pintado em 1928 é a sua obra mais conhecida, foi vista pela última vez no Brasil na exposição popular, no Masp Museu de arte de São Paulo e recebeu 400mil visitantes. e hoje o quadro esta no Museu de Arte Latino Americano de Buenos Aires (MALBA) e custa em média 45 milhões de dólares.

Tarsila teve uma vida com constantes tragédias, em 1949 perdeu a neta Beatriz afogada em um lago por tentar salvar uma amiga e as duas se afogaram o caso ocorreu em Petrópolis-RJ.

Tarsila ficou paraplégica por causa de um erro médico em uma cirurgia na coluna. No ano seguinte ela perde a filha Dulce e assim ela se aproxima do espiritismo e conhece o Chico Xavier. 

Tarsila do Amaral faleceu com depressão no dia 17 de janeiro de 1973 em São Paulo e foi enterrada com um vestido branco que ela mesma havia escolhido.

Ela nos deixou mais de duas mil obras e em 2008 a União astronômica internacional deu o nome de Amaral a uma cratera do planeta Mercurio homenagem a artista plástica

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Texto e pesquisa:

Maria Ferreira Dutra

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