A Cura dos 7 Pecados
*Luis Augusto Guterres Filho
Mhario Lincoln! Em um nome de estadista a alma gentil de um poeta, melhor dizendo poetaço, com a licença poética do neologismo; antes de tecer comentários sobre a última obra, vamos resenhar o autor: Homem múltiplo, na primeira fase da vida profissional advogado e servidor público, após foi promovido por Deus a poeta e embaixador da paz e, mais do que tudo, um eterno visionário e enamorado das coisas belas da vida, que prossegue em sua lúdica faina a arquitetar poemas.
O título do livro "A Bula dos Sete Pecados" é uma sutil elucubração do autor com o esoterismo do número 7, que representa a perfeição, a perfeita integração entre os mundos físico e espiritual, sendo, portanto, o símbolo do universo em transformação, bem afeto ao Poeta Mhario, que buscando desafios intelectuais para aprender mais sobre o mundo e sobre si próprio, presenteia a urbi et orbi com uma reunião de poemas, onde se destacam obras mestras, vejamos trecho do poema Pra Viver:
...
Tenho ainda um restinho pra viver
Viver de amor e por amor, morrer!
Mas uma ideia me ocorre
Nem o amor finda,
nem o poeta morre!"
A miscelânea lúdica reunida na incrível bula telúrica de Mário, está carregada de sentimentos moldados de forma intrínseca e espontânea, como se lê no ritmo melodioso de Ah, Humanidade, ou nos versos introspectivos de Três Ciclos de 7 Vidas:
AH, HUMANIDADE!
Como andam as bruxas de Blair
As bocas amargas sem fecho-éclair
os curtos-circuitos movidos a Eclair
as delicias das fragrâncias Belle-Aire?
Os amores de Dom Descartes, René
ou o 'ver pra crer', de São Tomé
As garras afiadas de François Voltaire
O vendedor de virtudes, Yang Zhu, até?
Como andam os moinhos de Quixote,
as muitas amantes de Sir Lancelot
o drama escarrado na morte de Pixote,
O Rei do Baião de Pé-de-Serra, do Xote?
****************
TRÊS CICLOS DE SETE VIDAS
Dos passos que dei
Nas minhas sete vidas
Correndo atrás de todas elas,
Sobraram muitas ilusões
Faltaram rastros de calma,
Deixaram profundas feridas:
Foi-se a Alma.
Ficaram as chinelas
O livro é um passeio kafkiano por diversos estilos poéticos, versos livres, versos rimados, versos metrificados; difícil tarefa quantificar os poemas, ou distinguir exemplares entres os mais de cem poemas do acervo da Bula dos 7 Pecados, mas, a vida é risco, e do versejador vamos apontar um breve excerto de Cupidos de Agonia:
“… Felizes os que imploraram por alguém estar perto
Infelizes aqueles que fizeram do desprezo, o certo
E mesmo vivendo sem nunca amar, antes morreram…”
Os poemas de Mhario desnudam a alma multifacetada do Autor, um construtor de metáforas urdidas de sublime inspiração e de muita transpiração advinda da reconhecida erudição do ludovicense de sete instrumentos literários - jurista, historiador, prosador, poeta - e, por fim, refletem as palavras de Valery, que em um momento magistral sintetizou:
“…em poesia, trata-se, antes de mais nada, de
fazer música com a própria dor; a qual diretamente não importa."
* Advogado, Poeta e Escritor Jurídico
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