Ter-me encontrado com Joizacawpy Muniz Costa em São Luís me trouxe a certeza que o Maranhão se renova a cada ano e canaliza novas produções literárias através de um lirismo incrível como o de Joiza. Fiquei encantado com o livro dela, o qual resenhei - não pelo coração - mas como crítico literário que sou. Tudo em Joiza me surpreendeu: a didática, a melodia, a harmonia, a escolha das palavras, a costura das ideias. Todos fatores sine qua non, quando se trata de quaisquer que sejam as obras artísticas. Especialmente a prosa e a poesia. Assim, mais uma faceta se faz aplaudida: a da qualidade das resenhas que produz. Para minha felicidade, mostro abaixo a resenha que ela, carinhosamente fez, do meu livro "A Bula dos Sete Pecados". Só tenho a agradecer essa atenção a mim dispensada:
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PARA MHARIO LINCOLN
Sobre "A Bula dos Sete Pecados"
*Joizacawpy Muniz Costa
Comecei a ler “A BULA DOS SETE PECADOS” de Mhario Lincoln. Confesso que estava ansiosa para fazer essa leitura, acalmei os ânimos e comecei. Já Iniciei colhendo informações que eu não tinha, como “Strange Fruit”, uma canção em cima de um poema que trata do racismo americano, me permitir conhecer e aprender sobre esse ensinamento. Mhario diz que essa canção lhe trouxe uma reação adversa, mas que talvez justamente por isso seja a canção do século, percebi então que o que ele falara era justamente o impacto que a música causa ao mexer com as emoções de quem escuta e que nem sempre a canção é agradável ao passo que esta traz uma realidade nua que mexe com sentimentos que incomodam.
Continuei a leitura atentamente, deparei-me com “DA DERROTA TOTAL AO REPRINCIPIO” soneto para Shakespeare, que traz de um jeito magnífico a consciência das oportunidades, como estas foram vividas e a própria chance de mudar o tudo ou nada incluindo nessa chance os momentos da mudança em relação a ganância imprudência... e segue com a chance do ajuizar das penúrias e a concessão do direito de rever padrões. Por fim a oferta de paz, perdão, o próprio “reprincipio”.
Meus olhos saltaram longe ao me encontrar com uma amostra significativa da humanidade, Mhario trouxe todos de um jeito maestral. Descartes, São Tomé, Voltaire, Yang Zhu, Cervantes em Quixote, o Reio do Baião Gonzaga, Kant, Comte, Simone de Beauvoir, Dante, Einstein, Jose de Alencar... enfim uma amostra seleta da humanidade. Nesse momento Lincoln é um maestro regendo uma orquestra de primeiro nível, resultante de seus estudos, experiências, pois este não se contenta com pesquisas rasas nem tampouco apenas assistir o que foi sintetizado.
Fui adentrando a leitura e deparei-me com mais poemas, e quando alcancei “OS TRÊS CICLOS DE SETE VIDAS” me senti como num filme, cuja tela se projetou em minha mente. A beleza de um poema envolto num lirismo íntimo que explode de forma maestral. No ciclo três, “Foi-se a alma. Ficaram as chinelas ...”
Confesso que a reticência me deixou curiosa como se eu quisesse a continuidade no ciclo quatro.
Cheguei em “DEMÔNIOS DO NOSSO DESERTO” e me vi diante de Lincoln fazendo um resgate de ancestralidade, recebendo destes as “maiores lições de vida”. E nesse percurso faz um regresso ao aprendizado. “_ Eu tive que aprender a ser humilde sim, quando minha prepotência perdeu a importância”. E num encontro poético magistral e transcendental com pai e mãe, os demônios do deserto são extirpados e depois a consciência plena de que é mera ilusão chegar a glória sem sacrifício.
O que dizer de “ A BULA DOS SETE PECADOS”? Um ápice surpreendente em que os pecados são citados para logo receber o antídoto da “cura”.
A partir de então abre-se um leque ainda maior cheio de poesia visitando os mais variados espaços, as mais variadas emoções provocando a leitura de quem se embebe no prazer de deleitar-se num campo fértil de ideias, emoções, pensamentos e reflexões. Um deslizar sobre flores amareladas, sobre a caixa de Pandora que desafia o limite da curiosidade. O desfecho dessa parte sobre o olhar sensível e genial de Mhario Lincoln traz algo surpreendente.
Segue a poética agora com mais romantismo, palavras de amor, “lamento”, o amor fiel do amigo cão e sua comparação com alma de gente.
Continua o desfilar da poética de Mhario Lincoln que debulha sentimentos e pensamentos numa construção de lirismo impecável recheada de um “imenso” conhecimento cultural que vai cumprindo o seu papel de ofertar ao leitor o que há de melhor, contribuindo assim com o progresso da humanidade, que é um dos maiores propósitos da existência.
Sigo a leitura e vou deleitando-me com o que há de melhor no lirismo apurado e profundo de Mhario Lincoln, que tem uma feitura poética singular, uma escrita esmerada e um depositar de alma que nos entrega uma leitura repleta de saberes e sentimentos. Vale aqui destaque a saudação a Gonçalves Dias, em que Mhario acentua no poema a proibição de um grande amor por incompreensão humana.
Nas linhas de Lincoln mais uma vez surge o retrato da família, desta vez os netos, desfraldando a estes o amor maior.
Por fim “A FICÇÃO ENDIABRADA” NA CONSTRUÇÃO DO HOMEM/HUMANÓIDE em que Mhario traz muitas possibilidades de explicação sobre a origem do homem, as possibilidades de habitar outros espaços astrais, pontuando pesquisas que revelam modificações nas estruturas físicas de quem se lança ao espaço o que instiga questionamentos acerca desse fato e se realmente há possibilidade de sobreviver em outro planeta. Ficção? Não vou dar a resposta de Mhario neste escrito. Vou apenas me reportar sobre o que ele fala mais adiante, sobre uma necessidade latente de modificação do próprio ser humano no que se refere as suas estruturas mais íntimas, principalmente a psiquê. Ele segue inclusive comentando o genoma...
Mhario Lincoln encerra essa obra com um discurso consciente do ser que conhece a si mesmo. “E a alma, no meu besunto, independe de edição genética”. É a própria evolução energética comandada pelo corpo físico; cabeça, corpo e membros... conclui trazendo à tona uma estrutura que ele chama de quatro corpos inferiores cujo arquivo está repleto de conquistas dolorosas da humanidade.
No final com toda sua alma humanamente evoluída nos traz a lembrança de que ainda somos felizes, poetas e amigos de alma.
PS. Mhario me esforcei muito para oferecer a você um feedback a altura do teu fazer escrito, sei que meu percentual de entendimento ainda foi pouco diante de tantas informações complexas. Porém me agarrei muito ao aspecto emocional para compreender melhor. Um especialista me falou que minha inteligência intrapessoal é muito forte e que é justamente esse tipo de inteligência que se configura como pilar de todas as outras. Então nela me apego para fazer brotar outros saberes. Estou imensamente grata por ter te conhecido, e mais ainda poder te chamar de amigo. Não estou aqui rasgando seda para agradar tua pessoa, estou de fato desfraldando o meu sentir e o meu entender. Sei que você é uma daquelas pessoas que já transcenderam e superaram a maioria das falhas humanas, principalmente a vaidade que não cabe no ser de quem sabe quem é de verdade e que sabe o que a vida e o mundo representam em totalidade.
“Desço a grande escada do paraíso.
Minha mãe e eu, de amor, lhe sou grato.
Nos damos as mãos, eu e ela... risonhos
E sob exame lúmen, ficamos assim, ao largo,
Observando as nuvens desenharem nossos sonhos...
Emocionei-me com esse fragmento e consegui visualizar você e sua mãe Flor de Lys exuberantes, ela linda vestida com tecido dourado com um sorriso largo que lhe saía do fundo da alma.
Caro amigo, sou uma jovem escritora ávida por aprender, consciente que meu fazer é estrada longa e que ainda preciso percorrer longas caminhos. Tenho a humildade por companheira e como professora para toda minha vida.
GRATIDÃO!
*Joizacawpy Muniz Costa, professora, poeta e analista de literatura.
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