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A matéria resgatada de Wanda Cunha fala sobre o poeta Francisco Tribuzi

Este texto foi publicado no "Recanto das Letras", em 2010

26/01/2022 às 15h24 Atualizada em 26/01/2022 às 15h48
Por: Mhario Lincoln Fonte: Wanda Cunha/Recanto das Letras
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Pedro e Tribuzi
Pedro e Tribuzi

Dois momentos com Francisco Tribuzi, uma homenagem especial a um dos primeiros indicados para a Academia Poética Brasileira, no ano de seu registro oficial: em 27 de março de 2017.

1 - Vídeo produzido pelo VídeosTV do Facetubes com interpretação do cordelista e imortal APB/CE Pedro Sampaio do poema do poeta e imortal APB/MA Francisco Tribuzi

2 - A editoria do facetubes também agradece a Wanda Cunha, poeta e escritora maranhense, por disponibilizar no site "Recanto das Letras", em 2010, um texto com fundamentação significativa acerca da obra e da vivência de Francisco Tribuzi enquanto poeta.

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FRANCISCO TRIBUZI: ENTRE O VERBO E A COR 

Textos escolhidos: Wanda Cunha

Francisco José Santos Pinheiro Gomes é sinônimo de cor e palavra. A priori,  optou pela pintura, seguindo a trilha do italiano Domingos Tribuzi, tio-avô do seu pai. Expôs seus trabalhos em várias mostras, nas quais logrou prêmios. No final da década de 70, ele entremisturou-se de pintura e literatura: “achava, a princípio, que a pintura era a minha arte. Ela não deixou de ser a minha arte, mas foi suplantada por uma arte maior, que é a poesia”, observa.

Publicou, em 1978, seu primeiro livro de poesia, intitulado “Verbo Verde”. Declama o Poema das Tardes, de sua lavra, com o qual ratifica a contiguidade entre palavras e cores: “Existe a tarde que eu invento e que arde/ Existe a outra tarde./A minha tarde é cinzenta/ e a tarde que existe e arde não é igual à tarde que se inventa./ Existe uma tarde e outra tarde/ entre a tarde que eu invento”.

É um poeta amplamente aplaudido nas principais antologias poéticas do Maranhão: “Atual Poesia do Maranhão”, de Arlete Nogueira Machado; “Hora de Guarnicê – 1 e 2”, “Poetas da Ponte” e “Poesia Maranhão do Século XX”, organizada por Assis Brasil. Também, os seus trabalhos foram publicados em “As Lâmpadas do Sol”, ensaio de Carlos Cunha e “Um degrau”, revista literária da UFMA.  Lembra os tempos de Guarnicê: “Foi uma antologia altamente festejada, porque mostrava toda a nova safra de poetas de São Luís. A antologia virou movimento", afirma.

 Mesmo fincado à terra Natal, propagou sua poesia no Sul do País. Recebeu menção honrosa especial no 5º Concurso Nacional de Poesia, em dezembro de 1992, organizado pelo Instituto da Poesia Internacional, em Porto Alegre. Conquistou o 1º lugar no Concurso de Poesia “Dia Luz”, promovido pela Cemar, em 1995. Com o poema “Delírio Tremens”, recebeu medalha de ouro, no 18º Concurso Nacional de poesia, pela Revista Brasília, em 1996. Foi destaque especial no Concurso Nacional de Poesia, através da Revista Brasília, neste ano. “Achei por bem mandar minha poesia para fora do Estado, para melhor dimensioná-la”, assevera.

Em constante produção literária, Francisco Tribuzi leva ao prelo três livros: “Azulejado”, prefaciado por Herberth de Jesus Santos e  “Tempoema”, ambos de poesias. O terceiro, intitulado “Sob a ponte”, reúne contos. Ainda há uma safra de 60 crônicas, entre as quais trinta foram publicadas em jornal.

Aplaude os poetas do seu tempo: Rossini Correia, Luís Augusto Cassas, Raimundo Fontenele, Roberto Kenard, Viriato Gaspar, Valdelino Cécio, João Ubaldo, Celso Borges e outros.  Respeita e admira a nova geração: “Paulo Melo Sousa, Lúcia Santos, irmã de Zeca Baleiro, Fernando Abreu... Os poetas da nova geração estão coesos e estão tentando fazer um trabalho mais organizado junto à AME”. Mas desabafa: “A Literatura Maranhense é muito individualista”.

Entrementes, vê que há homens que buscam resgatar a memória dos filhos ilustres, como Aldionor Salgado, Secretário do Governo de Jackson. Também regozija-se ante o trabalho de Luís Pedro e sua equipe, junto à Func e o que  Nélson Brito faz junto ao Laborarte.

Seu pai, Bandeira Tribuzi, num plano espiritual superior, certamente retribui o orgulho que o filho sente do pai. E em nome do pai, do filho e da poesia, Francisco Tribuzi encontrou sua própria identidade: “Por mais que eu não quisesse, todos os dias eu amanheceria com a poesia norteando todo os meus caminhos. Por mais que eu quisesse fugir da  poesia, ela continuaria me perseguindo e eu me sinto feliz, por ser um eterno aprendiz dela.”

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Wanda Cunha e Silva.

*Wanda Cristina da Cunha e Silva nasceu em São Luis do Maranhão. Jornalista, escritora, poetisa, professora. De poesia, publicou os seguintes livros: Uma cédula de amor no meu salário, Rede de arameGeofagia ruminante o sótão da preamar e Flor de Marias no buquê de costelas; de crônicas, além deste, publicou o livro Engraxam-se sorrisos. Sua estreia na literatura se deu aos dezoitos anos. A autora pertence ao Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão e à UBE. É formada em Comunicação Social (Jornalismo), pela UFML; possui pós-graduação em Língua Portuguesa, pela Salgado de Oliveira, e Comunicação e Reportagem, pela UEMA. Dirigiu e coordenou várias páginas literárias de jornais maranhenses, dentre os quais a do “Atos e Fatos” e do Jornal O Debate. Colaborou no “Ponto de Prosa”, caderno do Jornal O Imparcial, entre outros. Atualmente é professora de Língua Portuguesa e Literatura.

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