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Brasil Festa Literária

Dino Cavalcante e José Neres lançam obras de grande importância para a literatura nacional

Uma obra de homenagem a dois dos maiores intelectuais das letras do Maranhão/Brasil.

06/02/2022 10h50 Atualizada há 5 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Linda Barros
Dino e Neres, durante o evento, na AMEI - Associação Maranhense de Escritores Independentes
Dino e Neres, durante o evento, na AMEI - Associação Maranhense de Escritores Independentes

ARTHUR AZEVEDO E SEUS EPIGRAMAS

Linda Barros, professora, escritora, atriz e Membro da Academia Poética Brasileira

E aqui estamos nós... para mais uma vez falar do Tempo, mas não aquele simples tempo cronológico ou psicológico que conhecemos nos livros, é um tempo que nos dá a oportunidade de presenciar e assistir a eventos, acontecimentos do mais alto grau da intelectualidade. Na noite de 04 de fevereiro de 2022, o tempo nos levou ao encontro destes dois jovens intelectuais: Dino Cavalcante e José Neres, para assistirmos  a uma verdadeira aula sobre literatura maranhense e, concomitante a isso, ao lançamento do livro “Arthur Azevedo: epigramas”. 

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O livro “Arthur Azevedo: epigramas”, que agora vem editado pela editora Cancioneiro, de Teresina, tem capa ilustrada pelo jovem poeta e editor Lucas Rolim e é a segunda edição do trabalho que foi lançado há 20 anos, em 2002, com o título de “Os Epigramas de Arthur” e capa assinada pelo também escritor Natan Campos e foi lançada pela editora Digital Laser. 

E como o tempo está aí para favorecer a todos, nesta nova edição, os autores Dino e Neres, nos presenteiam com um design mais moderno, além de ilustrações que deixaram o volume mais leve e possibilitando aos novos leitores uma agradável experiência estética.

A obra atual assim como a anterior, já começa advertindo o leitor, que a mesma é a título de homenagem a dois dos maiores intelectuais das nossas letras. O primeiro é Arthur Azevedo, o maior nome do teatro realista brasileiro, tendo como uma de suas principais obras “Amor por Anexins; e o segundo é  o biógrafo literário e acadêmico Raimundo Magalhães Junior,  considerado um dos maiores intelectuais de sua geração.

As duas edições: “Os Epigramas de Arthur”, de 2002, e “Arthur Azevedo: epigramas”, de 2022, trazem como prefácio “Epigramas: ácidas pílulas que ferem e divertem”, da professora de Literatura Brasileira da Universidade Estadual Paulista (Faculdade de Ciências e Letras – Campus de Araraquara), Sylvia Helena Telarolli, que é membro permanente do corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários, da mesma instituição.

        O livro segue os percursos do tempo, não deixando de lado todos os acontecimentos de que foram importantes para e elaboração dos pequenos poemas arturianos, comentando desde a política até as mazelas da humanidade, perpassando por finas ironias e até trechos escatológicos. O livro é repleto de epigramas com suas devidas explicações em formas de notas e logo a seguir ilustrações feitas pelo jovem ilustrador Francisco Ribeiro.

“Arthur Azevedo: epigramas” é uma obra carregada de acidez e crítica social, como bem disse a professora Sylvia em seu prefácio. Os autores e organizadores dos epigramas, não pouparam as ideias eloquentes de Arthur Azevedo, homem e intelectual cujos os textos são atemporais, como é possível observar no epigrama LXII (pág 92):

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O pobre Conservatório Dramático Brasileiro

Já não existe!

Que coisa triste!

         Como nota explicativa dos autores, “aparentemente Arthur Azevedo está consternado com a extinção, em 1897, do Conservatório Dramático. Mas, na verdade, o poema acima é uma grande ironia, pois a instituição era a responsável pela censura das peças teatrais. Para Arthur Azevedo, o Conservatório em nada contribuía para a cultura do Brasil, representando, sim, um retrocesso”. 

          E nesse contexto, os epigramas têm esse conteúdo que serve de reflexão, serve também  para que o leitor mais atento, possa estar em constante contato com duas realidades distintas, que, apesar de trazerem entre si a diferença de tempo, aproximam-se bastante em termo de crítica social. 

          José Neres explica o que são os epigramas, segundo ele “epigrama é sempre um poema curto e geralmente esse tipo de texto traz uma tonalidade mais irônica, cercada de cinismo e no caso de Arthur Azevedo, ele fazia o que nós chamamos de epigramas de ocasião, ou seja, ele pegava um acontecimento cotidiano, algo que passava despercebido, da vista das pessoas normais e transformava isso em pequenos poemas, com tonalidade extremamente irônica e até ácida, sem perder de forma nenhuma o humor e o cuidado com o texto. Segundo Neres, Arthur Azevedo escreveu mais de cinco mil epigramas, o que lamentavelmente caíram no esquecimento.

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         Para Dino Cavalcante, Arthur Azevedo “em grande parte, foi produto do meio que sempre o cercou: a terra natal onde viveu até os dezoito anos e a Corte na qual pôde, a partir de 1873, escrever e divulgar a sua produção literária”. Para Dino, Arthur “parecia predestinado a romper com certas tradições”.

         “Arthur Azevedo: epigramas” é uma obra em todo seu conteúdo, um livro de fácil leitura e que possivelmente as escolas ou as faculdades poderiam levar e acrescentar em suas grades curriculares, para que assim, não seja esquecida pelas prateleiras do tempo.

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Edomir OliveiraHá 5 anos atrásSão Luís MASempre que leio um texto seu o faço como um viajante dos desejos da vida ansioso por sorver um copo d'água. Desta vez confreira você da ao seu leitor não um copo mas um poço de água que vem satisfazer a todos os sedentos do saber. Este seu trabalho de hoje está fantástico saciou a sede dos sedentos por uma nobre literatura. Muito obrigado.
Maria das Dores FrózHá 5 anos atrásCaxias-MaDonos de competência e disposição. Isso aí. Um trabalho de fôlego que resgata essa parte (até então desconhecida pelo grande público maranhense) de nosso Arthur Azevêdo, O mesmo que dá nome ao teatro da cidade de são luís.
Poeta e escritor Juca Queiróz (Universidade)Há 5 anos atrásSão LuísProf. Lindalva Barros. Parabenizo-a pela elegância e disposição em falar de uma obra do prórpio marido. E como sei que a senhora é fã número um, fez a coisa certa. Deixou os mais aclamados elogios para o entorno, não para o público, fato que a qualifica como uma inteligível profissional.
Bibliotecária Luiza Graça, do Rio de Janeiro Há 5 anos atrásRioO imnportante é ressuscitar Azevêdo. Lembro do livro "Rimas de Arthur de Azevedo", organizado por Xavier Pinheiro, edição de 1909 da Companhia Industrial Americana/RJ Assim, após um longo texto de informações e comentários sobre vida e obra de Arthur Azevedo, escrito próprio organizador, inicialmente como rimas. Ao final, a edição conta com um índice dos poemas. Como se vê, um livro por demais chato. Pelo visto e pela resenha, esse acima de Dino e Neres, deve ser delicioso de ler.
Maura Luza Frazão Há 5 anos atrásSão LuísQuerida Linda Barros, a tua resenha faz jus a magnífica obra apreciada. Meus parabéns!????????????????????
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