ARTHUR AZEVEDO E SEUS EPIGRAMAS
Linda Barros, professora, escritora, atriz e Membro da Academia Poética Brasileira
E aqui estamos nós... para mais uma vez falar do Tempo, mas não aquele simples tempo cronológico ou psicológico que conhecemos nos livros, é um tempo que nos dá a oportunidade de presenciar e assistir a eventos, acontecimentos do mais alto grau da intelectualidade. Na noite de 04 de fevereiro de 2022, o tempo nos levou ao encontro destes dois jovens intelectuais: Dino Cavalcante e José Neres, para assistirmos a uma verdadeira aula sobre literatura maranhense e, concomitante a isso, ao lançamento do livro “Arthur Azevedo: epigramas”.
O livro “Arthur Azevedo: epigramas”, que agora vem editado pela editora Cancioneiro, de Teresina, tem capa ilustrada pelo jovem poeta e editor Lucas Rolim e é a segunda edição do trabalho que foi lançado há 20 anos, em 2002, com o título de “Os Epigramas de Arthur” e capa assinada pelo também escritor Natan Campos e foi lançada pela editora Digital Laser.
E como o tempo está aí para favorecer a todos, nesta nova edição, os autores Dino e Neres, nos presenteiam com um design mais moderno, além de ilustrações que deixaram o volume mais leve e possibilitando aos novos leitores uma agradável experiência estética.
A obra atual assim como a anterior, já começa advertindo o leitor, que a mesma é a título de homenagem a dois dos maiores intelectuais das nossas letras. O primeiro é Arthur Azevedo, o maior nome do teatro realista brasileiro, tendo como uma de suas principais obras “Amor por Anexins; e o segundo é o biógrafo literário e acadêmico Raimundo Magalhães Junior, considerado um dos maiores intelectuais de sua geração.
As duas edições: “Os Epigramas de Arthur”, de 2002, e “Arthur Azevedo: epigramas”, de 2022, trazem como prefácio “Epigramas: ácidas pílulas que ferem e divertem”, da professora de Literatura Brasileira da Universidade Estadual Paulista (Faculdade de Ciências e Letras – Campus de Araraquara), Sylvia Helena Telarolli, que é membro permanente do corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários, da mesma instituição.
O livro segue os percursos do tempo, não deixando de lado todos os acontecimentos de que foram importantes para e elaboração dos pequenos poemas arturianos, comentando desde a política até as mazelas da humanidade, perpassando por finas ironias e até trechos escatológicos. O livro é repleto de epigramas com suas devidas explicações em formas de notas e logo a seguir ilustrações feitas pelo jovem ilustrador Francisco Ribeiro.
“Arthur Azevedo: epigramas” é uma obra carregada de acidez e crítica social, como bem disse a professora Sylvia em seu prefácio. Os autores e organizadores dos epigramas, não pouparam as ideias eloquentes de Arthur Azevedo, homem e intelectual cujos os textos são atemporais, como é possível observar no epigrama LXII (pág 92):
O pobre Conservatório Dramático Brasileiro
Já não existe!
Que coisa triste!
Como nota explicativa dos autores, “aparentemente Arthur Azevedo está consternado com a extinção, em 1897, do Conservatório Dramático. Mas, na verdade, o poema acima é uma grande ironia, pois a instituição era a responsável pela censura das peças teatrais. Para Arthur Azevedo, o Conservatório em nada contribuía para a cultura do Brasil, representando, sim, um retrocesso”.
E nesse contexto, os epigramas têm esse conteúdo que serve de reflexão, serve também para que o leitor mais atento, possa estar em constante contato com duas realidades distintas, que, apesar de trazerem entre si a diferença de tempo, aproximam-se bastante em termo de crítica social.
José Neres explica o que são os epigramas, segundo ele “epigrama é sempre um poema curto e geralmente esse tipo de texto traz uma tonalidade mais irônica, cercada de cinismo e no caso de Arthur Azevedo, ele fazia o que nós chamamos de epigramas de ocasião, ou seja, ele pegava um acontecimento cotidiano, algo que passava despercebido, da vista das pessoas normais e transformava isso em pequenos poemas, com tonalidade extremamente irônica e até ácida, sem perder de forma nenhuma o humor e o cuidado com o texto. Segundo Neres, Arthur Azevedo escreveu mais de cinco mil epigramas, o que lamentavelmente caíram no esquecimento.
Para Dino Cavalcante, Arthur Azevedo “em grande parte, foi produto do meio que sempre o cercou: a terra natal onde viveu até os dezoito anos e a Corte na qual pôde, a partir de 1873, escrever e divulgar a sua produção literária”. Para Dino, Arthur “parecia predestinado a romper com certas tradições”.
“Arthur Azevedo: epigramas” é uma obra em todo seu conteúdo, um livro de fácil leitura e que possivelmente as escolas ou as faculdades poderiam levar e acrescentar em suas grades curriculares, para que assim, não seja esquecida pelas prateleiras do tempo.
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