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Especial: jornalista Gabriel Barros Neres revela linhas narrativas de romance policial brasileiro

Publicado sob autorização do autor da resenha

07/02/2022 18h29 Atualizada há 5 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Gabriel Barros Neres
Capa do livro resenhado.
Capa do livro resenhado.

Crisálida: Completo, complexo e mais do que um romance policial

Gabriel N.

Gabriel Barros Neres – jornalista.

(O e-book Crisálida pode ser encontrado na loja "Kindle" da "Amazon" e também está disponível no "Kindle Unlimited").

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O gênero do romance policial se tornou o meu maior interesse como leitor já faz alguns anos. São histórias rápidas e envolventes, contam com um detetive inteligente, uma reviravolta inesperada e, claro, algum crime a ser resolvido como um quebra-cabeças. Destacam-se nesse gênero autores como Agatha Christie, Arthur Conan Doyle, Rubem Fonseca e Luiz Alfredo Garcia-Roza, além de inúmeros outros escritores nacionais e internacionais do passado e do presente.

Estava escolhendo minha próxima leitura do ano quando encontrei na loja Kindle um romance policial brasileiro que me chamou a atenção. Chamado Crisálida (Oito e Meio, 2018, 277 páginas), escrito por Andressa Tabaczinski, o livro alterna entre duas linhas narrativas: a primeira é a investigação criminal da filha de um político de Curitiba, que teve seu corpo encontrado sem vida um mês após seu desaparecimento repentino. E a segunda é sobre a vítima, Amélia Moura, narrada em primeira pessoa.

Amélia era filha de um político conservador de Curitiba, irmã de um médico cirurgião em ascensão, possuía um relacionamento distante com a mãe e era noiva de um empresário de uma empresa ecológica que estava prestes a fechar um contrato com a prefeitura. Mas, para a decepção da família, Amélia escolheu uma das profissões mais desvalorizadas do país: professora de Literatura. Em uma conversa ela até admite que este foi seu maior ato de rebeldia. Antes de desaparecer, Amélia havia rompido seu noivado e vinha de saídas misteriosas, não contando a ninguém para onde ia nem com quem saía.

No presente acompanhamos a delegada Ana Cervinski e o policial Júlio Bragatti, os dois responsáveis pela investigação. Até a delegada ser afastada ainda no início do caso por causa do polêmico arquivamento do desaparecimento de Amélia, mas também por causa da forma como conduzia os interrogatórios. Então quem matou Amélia Moura? E por quê? O que ela teria feito para receber esse destino tão trágico?

A escrita da autora possui muito dinamismo, é caprichada e sem excessos. O leitor se sente transportado para dentro da história, como se estivesse nos cenários de descrição precisa ou até mesmo se captasse os mesmos sentimentos dos personagens ao acompanharmos seus momentos mais reflexivos e pessoais. O início da investigação é burocrático e pode ser um incômodo para o leitor, por outro lado é algo realista e condizente com alguns fatos que acontecem no desenvolvimento da trama. A investigação fica mais instigante ao longo da narrativa, com revelações surpreendentes.

A obra aborda temas delicados e atuais, como violência, homossexualidade e homofobia e abusos, também apresentando muitas mensagens, como viver sob as expectativas de outras pessoas e as decepções que isso pode gerar, trazendo muito complexidade aos personagens e a seus respectivos dilemas e dramas.

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Por fim, também tem a crisálida do título. Um detalhe interessante está na diagramação. A capa de alguns capítulos mostra uma lagarta saindo de sua crisálida até se tornar uma borboleta e isso combina tanto com a jornada de autodescoberta pela qual Amélia Moura passa quanto com a investigação, a crisálida se torna uma borboleta à medida que o caso caminha para seu desfecho.

Crisálida é uma obra completa, complexa e consegue ser mais do que apenas um romance policial, sendo minha melhor leitura até aqui em 2022.

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Luli JucáHá 5 anos atrásCuritiba PRComo a história é legal e se passa aqui em Curitiba, vou suigerir aos meus amigos da Feira do Poeta, na próxima reunião. Se der, vou ler sua resenha, senhor.
Jussara MendesHá 5 anos atrásCaxias MAEu tinha visto um comentário desse livro e não liguei muito. Mas agora, lendo você, Gabriel, senti-me atraida pela obra.
Lucia VinhasHá 5 anos atrásSão PauloResenhas são muito interessantes porque dão uma visão sobre o livro. Parabéns Gabriel. Vou ler.
Linda BarrosHá 5 anos atrásSão Luís Nesse texto ficou bem claro o que podemos fazer com as palavras, com ele, o jovem autor fez com que nós ficássemos com vontade de ler a obra. Bravo!!!!
Ronaldo PintoHá 5 anos atrásPaço do LumiarA resenha que a gente precisava para conhecer e apreciar uma obra brasileira, de gênero tão rico de possibilidades e surpresas. Pela descrição cirúrgica do jovem Neres, deve ser um livrão. Partiu, livraria. Parabéns pelo texto!
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