MULHERES NOSSAS DE CADA DIA, ENTRE TEXTOS E POESIA
Mulheres de Março? Não!
Mulheres de aço.
De Janeiro
São festas também em fevereiro,
Abril, Mulheres linha reta , curva que arrepia.
Mulheres Maio, Mães, Noivas, Filhas
Todos os meses são delas!
Na rua, de salto, descalça ou na passarela.
Mulheres-conceito, voz, luta.
Exigem respeito!
Mulheres-Junho, enamoradas
Julho, férias, luaradas
Mulheres-Agosto
Setembro-flores,
Primavera, Outubro, mês também dela
Mulher, cinderela
Mulheres de luta diária, mensal, anual
Alma existencial, propaga sua essência
Novembro e Dezembro, o ano todo
Mulher sua própria, resistência. (Sharlene Serra)
A homenagem prossegue, todos os dias seriam poucos. Mulher nasce múltipla. Uma pluralidade, muito embora, sendo única, suas ações confundem- se com suas leis. Ela nasce sabendo que o amor é sua regra e que nada existe sem este sentimento. Aprendeu no dia a dia que amar-se a desvia de transtornos e que esse mesmo amor a liberta de seus próprios medos e rótulos impostos. O amor por si a transforma, a transborda, elimina os dedos em riste e a faz se empoderar em amplo sentido. A mulher com voz que ecoa mês a mês; a beleza da sua alma - e ela mesma quebra os reflexos preconceituosos sobre si - diluindo todas as desigualdades e se reconstruindo a cada dia mediante suas próprias crenças, atitudes, vontades e desejos. Seu corpo fala, sua pele conta histórias; mulheres de todas as formas, ritmo, melodia; mulher fragmentada em história e poesia, detalhada na sua própria completude. E o tempo a observa, as marcas de expressões, rugas, a mudança do corpo; não muda sua essência, apenas conversam e contam para o mundo as histórias vividas e a mulher vai aprendendo e ensinando, mostrando o quanto é grandiosa na sua arte e que além de tudo, dá luz a humanidades!
Sua racionalidade pode ser tranquilamente substituída pela liberdade emocional, pelo existir sem convenções desde que ela queira, teime, espreite; na beira, na loucura do Eita!!! Na busca do prazer, do me queira e qual o problema? Nenhum!
Ser mulher é abrir suas próprias janelas, é deixar o vento beijá-la sem preocupações banais, é viver sem receios abusivos, sem prisões. É o despir-se de seus próprios tabus para o transbordar-se em natureza viva.
NATUREZA DA MULHER
A beleza nua
crua
Mulher de fases
sólida
Líquida
Ebulição
Mulher sol-lua!
estrela fervente
Mulher plantada
fruta colhida do pé
madura ou verde.
Natureza em si
Calmaria latente
brota, germina
Mulher terra
Gera! floresce,
frutifica.
Respira paz
Não foge da guerra.
Mulher fogo
Vira o jogo
Mulher água
mata a sede
A alma lava e
faz todo mal se afogar.
Mulheres têm a natureza dentro de si,
contida na intensidade de amar
reveladas nos quatro elementos:
Terra
Água
Fogo e
Ar.
(Sharlene Serra)
A mulher é essa natureza viva , flor da pele, asas ao vento, abomina prisão, mulher transforma dor em emoção, mas em meio as homenagens pelo dia lembramos que muitas tem asas cortadas, pois a violência à espreita, violências das mais variadas e infelizmente muitas mulheres são silenciadas pelo machismo ou a própria misoginia, e o feminismo pede respeito entre os gêneros.
Nestes contextos, a condição social da mulher sempre foi vista de submissão e subjugação familiar ao homem e essa incompreensão da condição feminina, desencadeia o processo da violência, onde inicia-se em uma brincadeira, comentários, posteriormente com a violência moral, evoluindo para a violência psicológica, violência patrimonial, sexual e por fim a violência física.
Os índices de mulheres que sofrem agressões físicas e psicológicas dos parceiros são significativos. Muitas não tem nem coragem de denunciar. A violência não vê classe social nem intelectual, o silêncio infelizmente faz companhia para muitas.
SANGUE JORRADO
Mulheres
escondidas da mira
se contrariar, buuummmm
bala nada perdida
Mulher violentada
Trancafiada
liberdade de
asas cortadas
Mulher amordaçada
Sua voz chora!
soluça
sua determinação
pulsa.
Paz, venha, não demora
a morte quer abraça-la
por toda hora
A face maquiada
inerte
reflete no rio
escarlate
Ah! Quem me dera
que todo
sangue
pela mulher jorrado
fosse apenas
o mestruado. (Sharlene Serra)
Mediante a força do grito contínuo de homenagens e denúncias, a mulher resiste e evidencia sua essência com algo singular, particular. Em cada uma, características individuais, seja ela forte, sensível, sexy, vaidosa, apaixonada, mãe solo, filha, mulher reservadas, outras expressivas, características pontuais ou todas juntas na diversidade natural de tantas mulheres. E nessa diversidade, pelo dia da mulher a poesia brota da alma, onde cada poeta ecoa suas vozes, no desejo que estas vozes possam chegar em corações de outras tantas mulheres, na certeza absoluta de que as homenagens jamais cessarão.
E Anna Liz nos diz,
O punhal que cravaste em meu coração...
arranquei-o
e, com ele, colhi flores de todas as cores...
Porque a poeta sofre, sangra,
morre de fome de verso,
alimenta-se de dores...
Mas a mulher...
Essa mulher que pulsa em mim...
Não!
Não se permite mais sofrer.
SALTO ALTO
[...]Lá vai ela rua abaixo exageradamente sensual
num magnetismo fetichizado
eroticamente incrustado
no seu salto alto
salto alto de mulher
mulher poderosa
linda
invencível
libidinosa
que se dá
em nenhum pudor
só luxo
luxúria
mas acima de tudo incondicionalmente
muito amor!...
todo amor!
só amor! (Dilercy Adler)
[...]Continuei ali sentada
Tentando entender o que me mantinha parada
Perdida em pensamentos
Tudo se movia ao meu redor
Um ambiente que era parte de mim, éramos um só
Uma mulher em bela paisagem
Interligadas em um apertado nó. (Maura Luza)
UM POEMA QUASE
Não fosse esse gosto
De chumbo derretido
Na boca
A mão estendida
Humilhada e com fome
Não fosse esse chão duro
Os ossos duros de roer
Não fosse o corpo das
Marieles, Camillas
Arethas, Emiles
Das Tânias, Dandaras
Marias
Não fosse a miséria
No mapa dos continentes
Não fosse esse grito preso
Essa indignação
Essa impotência
(O silêncio que asfixia)
Eu diria que isto é quase
Um poema.( Luíza Cantanhede)
MULHER: LOUCURA DIVINA
A porta bate,
Bate o mundo,
Resiliência e compaixão,
Vivendo no profundo.
Ser mulher não é,
Simplesmente ser,
Ser mulher é,
Ter que sobreviver,
Viver tudo e mais um pouco,
Vestir a camisa de força de um louco,
Para ser sagaz na vida,
Na verdade ser mulher é
obra divina.
(Jéssica Cantanhede)
MULHERES
elas
elásticas
elétricas
elucidativas
lúcidas
luz na escuridão.
saias justas
saltos altos
batons vermelhos
becos com saídas
solução...
mãe, filha, esposa, irmã, avó, companheira...
pacote completo,
acúmulo de um ser em tantos seres,
um ser tão único
e tão coletivo,
ser universal na sua divina forma de ser especial. (Wanda Cunha)
CORAGEM
Sim, um dia já convivi
com a tortura do medo
de ferir os preceitos rotulados
pela hipocrisia social:
- Isso pode!
- Isso não pode!
- Isso é bonito!
- Isso é feio!
De repente, num instante
de desesperança e desencantamento
surgiu um anjo à minha frente
com sorriso nos olhos e palavras animadoras
e me ensinou a conjugar
o verbo “esperançar”.
Resisti, briguei com meus monstros interiores,
enfrentei tempestades emocionais
até sobrepujar os meus temores.
Enfim, “esperancei-me” e da coragem
ganhei asas multicores: voei... voei... voei... (Elisa Lago)
MUITAS, EM UMA.
Somos muitas
somos poemas
na teima
sedução
Somos riso
comédia
ebulição
Somos filme
drama
lágrimas
alma fogo
somos damas.
Protagonistas
carpe diem
somos notas musicais
e no sussuro emocionado do sax
pedimos, paz.
Seguimos, contrariando o que diz,
sendo múltipla
a força motriz
Somos mulheres de fato
na delicadeza do ato
lutando por nosso espaço
na sensualidade do salto.
ou com os pés
descalços.
Sharlene Serra
_____________________
SHARLENE SERRA
Nasceu em São Luís, é graduada em Desenho Industrial, Pedagogia e especialista em Educação Inclusiva. Formadora e palestrante educacional na área de Educação Inclusiva. Autora de 07 livros . Tem participação em inúmeras antologias nacionais. É membro da Academia Poética Brasileira – PR; Vice-presidente da AJEB – MA); membro e sócia-fundadora da UBE/ Maranhão (Diretoria Infantojuvenil); membro da Sociedade de Cultura Latina – Maranhão, Membro da Academia Internacional de Literatura Brasileira, Membro e fundadora da AJOLECIS Academia Joanina de Letras, ciências e Saberes Culturais.
MUSICA É VIDA Chiquinho França levou “Fissura” a Brasília, no Clube do Choro, território de encontro da música brasileira
SETEMBRO SETEMBRO AMARELO: “ATENÇÃO! SINAL AMARELO”
MUNDO NOVO “OBRAS LITERÁR(IA)S?”, crônica do professor e membro APB-MA, José Neres.
Mohana e Cassas “PLENITUDE HUMANA”: O LIVRO EM QUE JOÃO MOHANA COLOCOU O HOMEM DIANTE DE SI MESMO
Literatura Gótica Aluísio Azevedo Gótico: Lourival Serejo restitui uma vertente da obra do escritor ao debate literário brasileiro
EXCLUSIVO A CURIOSIDADE “MATA”. MAS, ANTES, DIVERTE — E ENSINA Mín. 10° Máx. 23°
Mín. 14° Máx. 24°
Chuvas esparsasMín. 10° Máx. 14°
Chuva
Esmeralda Costa ACLC celebra cinco anos de existência cultural e escreve página histórica
Marco Neves De Homero ao autoclismo português: 3000 anos de grego
Coronel Carlos Furtado FALMA: unidos, conquistamos espaço para a literatura maranhense
José Neres “OBRAS LITERÁR(IA)S?”, crônica do professor e membro APB-MA, José Neres.