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O Amor completo dos Amores Alados. Sobre o livro de Luiz Arthur Montes Robeiro

Texto do jornalista Mhario Lincoln; "AMOR COMPLETO"

15/04/2022 às 16h30 Atualizada em 15/04/2022 às 17h04
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
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MHL e o livro de Luiz Arthur
MHL e o livro de Luiz Arthur

AMOR COMPLETO

*Mhario Lincoln

Friedrich Nietzsche, em seu polêmico "Genealogia da Moral", escreveu: "Nosso tesouro está onde se assentam as colméias do nosso conhecimento. Estamos sempre no caminho para elas como animais alados...". Já Públio Terêncio, poeta romano escreveu em seu tempo: "Sou o mais próximo de mim mesmo".

Com base nessas referências começo a ler o livro de "Corações Alados--Cartas de Amor em Prosa e Verso", de Luiz Arthur Montes Ribeiro, traduzido em luzes, cores e lírica. A obra é publicada esmerosamente pela editora "AmorLer".

Logo às primeiras páginas, ele mesmo fala sobre comandar a vida, a partir do livre arbítrio, claro, tomando decisões apostas sobre um coração alado, para voar no concretismo do rumo a ser seguido.

Isso reforça a conceituação básica do coração alado: símbolo de uma crença onde o coração está entre o espírito e a matéria, (...) entre o corpo e a alma, (...) o centro emocional dos seres.

"Meu amor: neste momento quero tanto te ver (...)

(...) sentir como absoluto do nosso relacionamento

das nossas vidas

dos nossos encontros

das nossas necessidades (...)"

No fundo, esse coração alado de Luiz Arthur acaba lhe sendo o acalanto para a ansiedade de amar a si e a outrem. Porém, de forma singela, apesar dos flamejantes versos sensuais, dando moldura ao que pode ser conceituado como um amor completo. 

É como se cada beijo, cada toque, explodisse em cores. É assim na música "Amor Completo", de Mon Laferte. E é assim, quando Luiz Arthur colore a pele da matéria com tinta rubra desse seu sentimento.

Uma viagem conceitual não em busca da paixão alada, mas de uma paixão intrínseca, vivenciada, experimentada, acudida, refletida na parede do tempo, independentemente do conceito básico do ontem, hoje ou amanhã.

Na verdade "o tempo" nessa concepção de Luiz Arthur é somente uma linha tênua que separa o amor constante, sublime, apoteótico, onde se misturam fatos corriqueiros, como banho, cardápio, imagens físicas, bebidas e introspecções, às cores pintadas na clausura solitária de uma pandemia desnudada.

Aspectos pandêmicos alucinantes, até, que fazem o autor tornar-se um conquistador de universos, flutuando na imaginação fértil e apaixonada:

"Semana passada a Lua estava linda

caminhava em nossa direção,

na direção do nosso amor

para iluminá-lo por inteiro,

ela era só nossa".

O mais interessante no livro é que todos os versos seguem uma linha mestra: a da paixão constante. Ou a busca incessante por essa companhia. Tal fato me deixou aflito, torcendo para que ao final, ambos voltassem a se encontrar e fossem cumpridas todas as promessas e todas as recordações vividas na lírica por Luiz Arthur Montes Ribeiro.

Aliás, essa técnica de escrever e descrever algo com abundância, na maioria dos versos, lembra (mutatis mutandi) poemas épicos, onde a constância do tema é explicitado em cada construção poética.

Algo que eu poderia descrever como uma estrutura lírica do gênero narrativo. Uma história contada em versos em vez de prosa. (Se bem que aqui, as Cartas, em prosa, complementam a narrativa). Era assim que o poeta Homero escrevia suas epopéias. Óbvio, com imensas narrativas. E se alguém questionar que as epopéias envolvem sempre um herói, este, é sem dúvida, a figura que o autor tenta resgatar em convivência íntima. E toda a luta para conseguir isso, passa pelas lembranças reais (e irreais) expressas em cada parágrafo escrito.

Uma obra de fôlego, apesar de caber em 80 páginas, como nos pequenos frascos, onde também cabem, grandes fragrâncias. Lê-la, pra mim, foi desafogador. 

Parabéns Luiz Arthur, por escrever com essa bandeira do amor e da paixão fincada em solo fértil, nos dando uma lição de que desistir do amor é para fracos de coração.

Aliás, ontem mesmo eu lia a escritora goiana Bárbara Flores e em um dos parágrafos de seu livro, anotei: "(...) enquanto houver amor não vou desistir. Enquanto houver vontade de estar junto eu vou insistir. Enquanto houver necessidade do abraço, desejo dos beijos, intenção de ser feliz, eu vou prosseguir. Enquanto houver sonho, fantasia, atração, planos, eu vou persistir. Enquanto houver esperança eu vou permanecer, continuar, vou sustentar (...)".

Este seu trabalho me fez desmistificar o amor completo.

*Mhario Lincoln

Presidente da Academia Poética Brasileira.

Luiz Arthur Montes Ribeiro, o autor de "Corações Alados-Cartas de Amor em Prosa e Verso".

 

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