O TROFÉU
(Mhario Lincoln)
Muitas vezes eu tenho agradecido a esse Poder Superior, da maneira como eu concebo, tantas bênçãos que venho recebendo ao longo destes meus últimos 10 anos. Tenho vivido momentos realmente indeléveis entre meus 58 e 68 anos de idade. Um deles, está aí, a resenha do jovem Gabriel Barros Neres, esse jornalísta incrível, cuja capacidade de absorção na prosa é algo indescritível. Capaz de ler vários livros e escrever sobre eles, sem falhas. Um nível de quociente de inteligência bem alto, nessa escala de habilidades, em diversas áreas do pensamento humano. Digo isso, não só pela resenha feita em cima de meu livro "A Bula dos Sete Pecados". Mas o tenho acompanhado amiúde desde quando aproximamos mais as amizades, o respeito e a interação social: da minha família com a família dele. Sem dúvida, essa aproximação só tem gerado momentos muito agradáveis de aprendizado, de razão, de coração e de rapsódias perfeitamente comparáveis às maiêuticas, onde, ao final dos diálogos, todos aprendem com todos, sobre assuntos pertinentes. Portanto, Gabriel, meu muito obrigado pela gentil atenção que teve com meu "A Bula dos Sete Pecados".
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A riqueza poética em A Bula de Sete Pecados
Gabriel Barros Neres - Jornalista
Humanidade, mitologia, amor, pecados, homenagens e São Luís. Estes são alguns dos temas presentes em A Bula dos Sete Pecados (Palavra & Verso, 2020, 120 páginas), do jornalista, advogado e escritor maranhense Mhario Lincoln. O livro apresenta poemas com diferentes formatos, musicalidades próprias e um criativo jogo de palavras para compor as rimas, as estrofes e os versos, como em “Sextou?”:
“Sextou,
se estou,
sextante.
Sextou
Se estou
Sexteto” (pág. 97).
O texto que dá título ao livro é tanto uma receita médica para lidar com os sete pecados que amaldiçoam a humanidade, quanto conselhos e dicas para uma vivência melhor e mais saudável. Como combater a gula? Com “aceitação, boa vontade, resignação”. A preguiça é um obstáculo constante, o que fazer? Segundo a bula, “só por hoje objetivar-se sem infringência”. E a ira, um sentimento tão negativo e incontrolável, pode ser amenizado com “Perdão, perdão, perdão… e bem-aventurança” (pág 33).
A cidade de São Luís, terra natal do autor, é lembrada através de homenagens. Em “Amantes” (pág. 68), a capital maranhense é descrita e confessada como a musa de seu poeta. Já em “São Luís era virgem” (pág 69), Mhario Lincoln compartilha uma breve lembrança de como era a capital maranhense no passado, homenageando-a através de palavras capazes de transportar momentaneamente o leitor para aquela memória:
“Domingo enchia minhas tardes de verão,
Numa São Luís divina, vestida de sonhos.
Praça D. Pedro II, luzente Catedral,
Paixão do poeta pela ilusória vestal.
Tarde de domingo, entradas cor-de-rosa
azuis, amarelas, colorindo sonhos
do Cinema, para assistir a filmes
em preto e branco”.
Por fim, vem “Ode a Pandora” (págs 36 e 37), que reconta o mito da Caixa de Pandora com rimas inteligentes e bem encaixadas, mesmo sem a mesma estrutura versada de outros poemas. Descreve o processo de criação da personagem pelos deuses gregos, o casamento com Epimeteu e o presente que levou a curiosidade da mulher a libertar todos os males no mundo, trazendo um questionamento sobre a função do último elemento que ficou preso na caixa: “E a esperança é o bem ou o mal?”.
Ao final, uma interpretação:
“Zeus quis que os homens, por mais torturados que fossem,
Se deixassem torturar, porque a esperança é o pior dos males,
Pois prolonga o suplício de todos os homens… Veja no que deu!”
A Bula dos Sete Pecados é um livro de poemas rico em temas, uma execução criativa e é um deleite tanto para quem gosta deste gênero literário quanto para aqueles que não costumam se aventurar nas poesias.
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* Graduado em Jornalismo pelo Centro Universitário Estácio São Luís.
NOTA DO EDITOR: Gabriel Barros Neres é um jovem jornalista maranhense que vem se destacando desde quando lançou seu primeiro livro, analisando o best-seller de outro maranhense ilustre José Louzeiro. O livro, fruto de sua tese em formação superior, trata do "Jornalismo Literário: uma análise de 'Aracelli, meu amor': à luz do Novo Jornalismo".
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