OBRAS APLAUDIDAS
Mhario Lincoln, presidente da Academia Poética Brasileira
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Três obras que foram muito aplaudidas entre os lançamentos na capital do Maranhão me foram enviadas pelo casal José Neres e Linda Barros. Nesses livros, autores que eu respeito demais: Zulimar Rodrigues & Márcia Feitosa, Dino Cavalcante e José Neres, além da imortal da APB, Secretária Nacional da entidade, professora e poeta Linda Barros.
Lendo os três ao mesmo tempo, vou definindo e rabiscando alguns parágrafos realmente interessantes. Em “Singularidade do espaço urbano em São Luís”, de Zulimar e Márcia, chamou-me a atenção um texto, publicado às págs. 97, 98, 99 e comecinho da 100: “A Longa Agonia” com algo em torno do que se tornou o padrão político maranhense, por causa do "(...) isolamento geográfico da cidade em relação ao centro nacional", o que fez com que houvesse, uma “periferização que reforçava o 'fechamento' político da região contra possíveis mudanças exógenas”, favorecendo, “o traço oligárquico local”, que ao depois, veio se tornar “o padrão da política ludovicense e, por extensão, maranhense (...)”. Vale uma reflexão oportuna, sem dúvida.
Ao folhear o “Arthur Azevedo/Epigramas”, de meus amigos Dino e Neres, parei na página 61, porque lembrei de algo parecido que havia publicado em algum jornal da cidade, no começo dos anos 70 que dizia assim: “Os Sexagésimos quartos Ministros/ Sempre Minister fumam/ Se fumassem Monterrey seriam Sinistros/ Porque ideais lhe vitimam ”. Custou-me caro. Mas hoje, deliciosamente sorrio dessas minhas peripécias e explosões juvenis de quem sonhava em “mudar o Mundo”.
Mas, voltando à página 61, eis o epigrama de Azevedo, interessantíssimo, apesar da singularidade: “Na nossa terra seria/ Considerado um pateta/ qualquer ministro que um dia/ Se mostrasse em bicicleta”. Esse Arthur era um sujeito espirituoso. E por falar em espirituosidade, vale ler a cronica de @Eloy Melonio, publicada em nosso Facetubes (veja link abaixo) (https://www.facetubes.com.br/noticia/2801/cronista-e-poeta-eloy-melonio-escreve-sobre-espirituosidade).
Bom, quanto à poeta e professora Linda Barros, li e reli seu livro com imensa satisfação antes de ser tornado público. Isso porque foi-me dado o presente de escrever o prefácio da obra. Fiquei encantado com tudo isso. Mas há um poema que eu gostaria muito de entender e especificá-lo. O título é [Bichos]:"Um/ Dois/Três/ ... Queria mais era/ encher meu ser/ com seu/ Perfume/ Doce como o vento/ Ácido como/ a vida". A maneira como esse poema foi milimetricamente impresso às págs.75 acaba me remetendo ao concretismo.
Sim, aquele mesmo que acabou indo contra várias regras clássicas e mudou a forma de fazer poesia no Brasil, na época de Décio Pignatari. Os autores concretistas afirmam ser a poesia que fazem, como algo que junta, além de palavra, o som e um efeito visual, cujas características acabaram, no todo, recebendo o nome de "verbivocovisual"*.
Poesias em forma de aranhas caranguejeiras, com palavras e sons diferentes. Ou de uma escada em declive com degraus que “balançam de um lado para o outro”, dando um efeito visual de movimento pendular, visivelmente similar ao que Linda escreveu e montou na página referida. Esse é um poema concreto? (Risos), esqueci de engrenar esse parágrafo no meu prefácio.
O importante é que estou devidamente amparado nessas três obras maranhenses que lerei com afinco nesta semana. Tentarei assim, disfarçar minha vontade de estar presente no período junino em minha querida e inigualável São Luís, com suas festas e seus autores, em verdadeiros 'batalhões' de cultura e saudade.
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