DIÁRIOS DO SEMPRE
mhario lincoln*
DANUZA ETERNA
# Lendo o jornalista Mario Sergio Conti, na "Folha", ele relembra um papo com Danuza onde ela pede para o interlocutor perguntar para um ex-ministro, campeão de candidaturas à presidência pelo PSDB, na época exilado em Paris: "Me faz esse favor. Pergunta se eu dei pra ele?" (Sobe o pano). Mas, isso não foi privilégio desse ex-ministro, nem de Conti.
# Na verdade, passei algumas noites com Danuza na cabeceira de minha cama. Sempre em um lugar estratégico, a fim de que, quando acordasse numa madrugada qualquer, pudesse abri-la e deliciosamente sentir o prazer de lê-la. (Sobe o Pano). Calma, gente. Refiro-me ao livro "Quase Tudo (2005) - ed. Companhia das Letras ", um dos clássicos da mulher de Itaguaçu, município do Espírito Santo, nascida Danuza Lofego Leão.
# Ao depois, fui buscar outras obras do imaginário popular: Danuza Todo Dia (1990) - ed. Siciliano, Na Sala com Danuza (1992) - ed. Siciliano, Crônicas para Guardar (2002) - ed. Arx (essa editora também publicou SAUDADES MORTAS, livro de poesia do Sarney), As Aparências Enganam (2004) - ed. Publifolha, Na Sala com Danuza 2 (2004) - ed. Arx, Fazendo as Malas (2008) - ed. Companhia das Letras, De Malas Prontas (2009) - ed. Companhia das Letras, É Tudo Tão Simples (2011) - ed. Ediouro, (e) Danuza e Sua Visão de Mundo Sem Juízo (2012) - ed. Agir.
# "Quase tudo", de 2005. Nesse livro que fiquei sabendo da amizade dela com a Primeira Dama da Mídia Brasileira, na época. D. Lily Marinho. Fiquei sabendo também (isso eu li na crônica de Mario Conti a que me referi acima), que, num momento de aperto, a Lily deu um saco de dólares para Danuza, de presente. Imediatamente transformado em apartamento. Outra coisa: Di Cavalcanti, de quem era amiga, pintou uma tela com seu rosto. Além do mais, foi Danuza quem entregou um dos troféus de campeão ao imortal Airton Senna. (Alguns exemplos instigantes que, para ela, representaram muito).
# Fora os longos papos, nas longas madrugadas, com Vinícius de Moraes, ou ouvir a ideia inicial de Brasília, do próprio presidente Juscelino. Ou ainda, isso, aquilo e aquilo outro... bem ao estilo dessa irrequieta e feroz Danuza que traz no nome o animal-rei do Planeta.
# Pera aí: diversão até certo ponto. Mas nessa obra ela também se reporta a suas perdas, narradas com muita sensibilidade. Fui às lágrimas quando li sobre a morte da cantora Nara Leão, sua irmã.
# Claro que ao longo da sua carreira - transportada para outro nível espiritual, na semana passada (22.06.2022), e contando tantas histórias, desde a infância, passando pela adolescência e vida adulta, acaba nos mostrando além do lado de muita diversão, outro, de tristeza e saudades.
# Danuza se foi, mas deixou muitos legados. Eu a admirava e, pela sua maneira única de viver, relembro o escritor Elie Wiesel: “depois de tudo o que já vivi, nada que me aconteça poderá me fazer muito feliz nem muito infeliz”.
#Vale como reflexão!
Curitiba, madrugada de 27.06.2022
Mhario Lincoln* é presidente da Academia Poética Brasileira.
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