A FESTANÇA COMEÇOU, NO MARANHÃO É SÃO JOÃO!
Um mar de bandeirolas esvoaçante pelos ares, ou até mesmo formando painéis, anunciam a chegada do São João no Maranhão.
Para o nordestino essa festa é de uma significância única, e para o maranhense não poderia ser diferente. Os arraiais estão espalhados pelas cidades, emanando cores, movimentos, vida, é mais que uma simples festa, é um verdadeiro relicário de uma riqueza cultural que não precisa pedir licença para acontecer, seu povo é tão consciente dessa identidade que simplesmente abre portas, janelas e caminhos para a cultura folclórica se manifestar.
Em todo Nordeste acontece a festança junina em homenagem ao santos juninos, porém cada lugar guarda suas peculiaridades, e no Maranhão o que se encontra é uma verdadeira riqueza folclórica cultural de diversidade, e essa se faz da variedade de ritmos, cores e sabores. Do bumba-meu-boi, passando pelo tambor de crioula, cacuriá, dança do coco, do lelê e outras.
A marca mais forte nos terreiros é o bumba-meu-boi, apresentando diversidade dentro de uma mesma brincadeira, cujo elo entre estas é o enredo que narra a lenda de um casal de escravizados em que a personagem Catirina grávida deseja comer a língua do boi mais querido do dono da fazenda, e a saga de pai Francisco para ressuscitar o boi com a ajuda do pajé. E a diversidade? Está no sotaque que varia de ritmos conforme estilo e uso de diferentes instrumentos, se caracterizando em, sotaque de matraca, zabumba, pandeirões, orquestra, costa de mão, e da baixada.
Nessa magia do bumba-meu-boi, entregam-se brincantes e plateia sentindo com emoção o ecoar de cada pandeirão, de cada matraca, do sopro do instrumento das orquestras e de cada maracá. Para além de toda essa magia de emoções, há uma composição que guarda a história do povo brasileiro em sua constituição miscigenada, pois nessa história cabe as três etnias mais fortemente presentes na iniciação da constituição do povo brasileiro.
Os terreiros de nossos arrais são solos fecundos de identidade cultural e histórica que perpassa pelo tempo, resiste em memória engrandecendo o fazer histórico e cultural que precisa sim alimentar suas memórias e fomentar a continuidade dessas raízes que jamais devem ser esquecidas pela sociedade.
Em São Luís não cabe acabar a festa no dia 29 dia de São Pedro, mas se estende até o dia 30 em homenagem a São Marçal que reúne vários batalhões no bairro do João Paulo.
A poética melódica contida em cada composição, não mexe só com as emoções, atinge também as reflexões. Sabiá já mostrou seu canto enfrentou cantor do boi da Pindoba... Chiador levantou Maioba/chão temeu quem fez foi maracanã...mas é que o vento buliçoso balançava teus cabelos e eu ficava com ciúmes... Oh não destrua a Amazônia não/floresta e índio primeiro da nação [...] acho que já é hora da gente rever o progresso que queremos fazer...meu São João eu vim pagar a promessa/vim trazer esse boizinho para alegrar sua festa...
É nesse desfraldar de versos e melodia que a tradição cultural maranhense em torno da festa junina se constitui e se mantém com o passar do tempo, continuando um legado há muito plantado no solo fértil das Terras do Maranhão.
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