O melhor do amor é amar
Nauza Luza Martins
Amor é cura, salvamento
Desliza em ondas, sintoniza almas
Amar o amor, gostar de amar
Se envolver, festejar, se entregar
O melhor do amor é amar.
O amor inspira, transcende
Deixa indeléveis marcas
Que perpassam o tempo
Enfeitam as trilhas sinuosas,
Os rumos por onde embarcas.
O amor paira no ar como um cometa
Pássaro em voo rasante e exibido
Traçando linhas em teias coloridas
Enredo intrigante seja sol ou luar
Movendo as veias do coração sofrido.
Amar é verter sentimentos em palavras
Confirmar afeição em ações visíveis
Dedicar atenção nos dias difíceis
Juntos serem felizes na alegria e na tristeza
De todos os jeitos e maneiras possíveis.
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Como um Louva-a-Deus
Nauza Luza Martins – Lua de Vênus
Daqui contemplo as curvas do teu corpo
Retesado diante do espelho
Se deleitando com movimentos ritmados
Te aguardo diante de mim de joelho.
Com tua linda imagem de Deus grego
Se eriçando frenético em minha frente
Como um Louva-a-Deus predador
Diante de mim reverente.
Espécime raro, voraz e cheio de mistérios
Se regalando com meu olhar de espreita
Não sou incauta, conheço seus mimetismos
Sei que me anseia, aos teus desejos, sujeita.
Minhas veias intumescidas se retorcem
Em agonia, aguardando teu voo rasante
Mergulhando em meu corpo impaciente
Com tua voracidade pulsante.
Alheios estamos nós a qualquer simbologia
Que remeta a essa tua enigmática postura
Sou mulher, paixão, tesão, desejos in natura
Tú és um Louva-a Deus preso pela aventura.
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Espelho da Minh’alma
Nauza Luza Martins
Minh’alma é uma janela de espelhos
Vitrais coloridos de formatos diversos
Que expõem meus sentimentos e emoções
Visões de mundo ora com clareza
Ora embaçado diante das vicissitudes
Do arsenal de agruras e tensões
Que movem minhas atitudes.
Minh’alma tem janela para a lua
Conto a ela meus segredos e fantasias
Em cada fase em que trocamos olhares
Alimenta minh’alma sedenta em demasia
Me enche de luz e renovada energia
Cada vez que prateia minhas noites
Evidencia ainda mais nossa sintonia.
Minh’alma tem janela aberta,
Ligação concreta e sem embargos
Com as portas do meu coração
Refaço meus caminhos do dia
Todas as veredas por onde andei
Abro uma janela da minh’alma
Ponho tudo em ordem nada fica à revelia.
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Elementos que me definem
Nauza Luza Martins
Sou um pouco de tudo que herdei
Dos meus ancestrais, mistura de raças
Crenças e saberes, sinas repetidas
De geração a geração mesclada
Por dons, talentos, lutas renhidas.
Um som plangente reverbera em minha mente
Tenho excesso de passado que às vezes me sufoca
Carrego em meu DNA forte influência
Das mulheres guerreiras que me antecederam
São tantas histórias ouvidas, registradas
Ao longo da minha infância e adolescência.
Sou feita de dons, talentos e fórmulas repetidas, Lembranças esquecidas, memórias renegadas
Tento me reinventar, traçar meu destino.
Nos elementos que me movem, me compõem
Em verso e prosa aqui me defino.
Sou Pedra
Lapidada pelas águas vorazes
Que serpenteiam em correntezas
Descendo rio abaixo em graciosa dança.
Sou Terra,
Escondo mistérios, armadilhas, conflitos
Levanto poeira acolho mitos
Areia que se move, abriga e dá paz de espírito.
Sou Ar
Alento ao anseio dos amantes,
Deslumbrados com as belezas da natureza.
Sopro dos ventos que excitam as marés.
Sou Água
Doce e suave que desmancha escuras nuvens
Em chuvas que deslizam pelos rios e riachos
Banham e refrescam em dias de calor.
Também sou Fogo
Ardente que flui dos olhos apaixonados,
Que lateja e chafurda em lampejo sagrado
O sublime êxtase dos amantes dominado.
Poemas de: Nauza Luza Martins – Lua de Vênus
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