Abaixo, um conto especial:
Ao Toque de Hermes nas entrelinhas de minha vida...
CARLA RAMOS, poeta, escritora.
Era dia de festa: a primeira da sua turma de especialização. Ela estava muito orgulhosa de si mesma, afinal, apesar dos pesares de estar em pleno retorno de Saturno, com coragem, ela havia se mudado sozinha para a Ilha da Magia, visando, com a ajuda dos Astros, iniciar uma nova vida, agora já separada, estava na cidade e no curso de seus sonhos! Estava radiante de alegria e era dona de si mesma, agora! E é nessas horas, a da plena felicidade, que a Vida faz os sonhos se realizarem... O que mais eu posso querer?, questionava ela à vida, sorrindo.
Começou a se arrumar, foi tomar o seu merecido banho: a água já na temperatura ideal, quente, era feito uma cachoeira de luz dourada que caía pelas curvas de seu corpo, a acolhendo num gostoso e refrescante abraço fluídico. Só tenho mesmo que agradecer!, ela pensava e sorria muito. Estava tão focada, no aqui e no agora, que nem pensou nos próximos capítulos de sua vida, de como seria a tão esperada festa...
No dia anterior, ela teve um sonho com Hermes, que já habitava seus sonhos desde os 18 anos, mas dessa vez ela fez diferente, teve a coragem própria, da fase saturnina, quando o sonho lúcido estava quase acabando, ao invés de ficar em silêncio como sempre questionou, dessa vez, com curiosidade:
— Você existe aqui?
— Sim, por quê? Respondeu com aquele sorriso encantador.
— Será que posso te encontrar aqui na realidade? Perguntou ela, ainda com certo receio.
— Sim, mas terá que ter paciência comigo: estou ferido e me curando.
Finalizou ele a onírica conversa.
Mas hoje era o grande dia, o daquela festa, lembra?
Ela saiu do banho refrescante e segurou o vestido que a esperava estendido em sua cama, o vestiu, chacoalhou em seu corpo para amoldar às suas curvas, colocou um salto alto, e com o maior cuidado, pegou com as duas mãos a echarpe de seda vermelha de tecido igual ao vestido e delicadamente cruzou as duas pontas no seu pescoço, se olhou no espelho, admirou sua imagem para o momento de conquista de seus sonhos em vida.
Primeiro, maquiou a sua pele com base clara, depois colocou uma sombra clara também, para depois ousar o desejoso batom vermelho para combinar com a produção, “versão festa”.
Quando ela desce do carro e entra na festa: Quem e ncontra? Ele, o homem dos seus sonhos, literalmente! Cambaleia no seu salto sete, preto e leva as mãos ao pescoço para afrouxar... É que pensou, bem naquela hora, que talvez fosse ela a echarpe de seda vermelha que estivesse a fazendo perder o fôlego, mas não, era ele mesmo! Como se encontraram num corredor estreito frente a frente, sem conseguir disfarçar. Olhos nos olhos, interesse mútuo. Ele dá o primeiro passo e vai ao seu encontro para iniciar a conversa, agora não mais onírica, mas em vigília, c om ambos já despertos de seus respectivos sonhos.
Qual foi a surpresa dela ao ver, suas almas se espelharem, fatos conjuntos aconteceram: tinham filhos da mesma idade, estavam separados e ambos, se curando!
Quando ele a cumprimentou, com aquele sorriso encantador, ela percebeu que era exatamente igual ao seu sonho, ao ouvir a voz dele, subiu um arrepio em sua coluna, vibrando seus chackras em uníssono, no mesmo momento, reverberou em sua alma lunar feminina, como se já o conhecesse há muito tempo.
Com todas essas sincronicidades, as coincidências significativas para nós, abriu-se um portal de memórias, num continuum espaço-tempo, como num flash, ela revisitoum diante de si - o seu sonho de 18 anos -o primeiro no qual ele se apresentou a ela: por sua semelhança física com o Deus mensageiro da mitologia, o nomeou, carinhosamente, de Hermes.
Estando numa clareira, veio ao seu encontro um homem alto, magro, olhos verdes e sorriso encantador que trazia algo para ela. Ao abrir em conchas as suas mãos, ela viu uma pedra rosa com o desenho de uma Lua Crescente:
— É para mim? Perguntou curiosa.
— Sim, vim te devolver o que sempre te pertenceu
Respondeu ele.
—O que significa essa pedra rosa de lua crescente?
Questionou ela.
—Espere-me, querida, para então descobrirmos a tua Lua, juntos.
Esclareceu ele no sonho, e ela, agora com 30 anos, no aqui e no agora, entendeu o propósito desse encontro que vivenciava em sua vida. Era para descobrir a minha Lua, pensou!
Lembrou também que aos 18 anos, recebeu de presente no seu aniversário um jogo de quartzo rosa que eram as Runas. Foi afoita em descobrir o significado da lua, qual foi a frustração que não havia essa Runa. Depois, mais tarde, aprendeu que na astrologia a Lua era a descoberta da sua Alma Feminina.
A Vida ali proporcionou um mágico encontro que transcendia o mundo dos sonhos e vinha até a realidade, com o seu Hermes, que ali estava à sua frente, sorrindo, ele se aproximou, aos poucos, pousou a mão levemente no rosto dela, e os olhos se fecharam para se encontrarem depois, num desejoso beijo à luz do luar, ao barulho do mar.
Mas como eu sou ela, aqui é um conto da realidade e não de fadas para minha felicidade.
Na vida nos desencontramos para então nos reencontrarmos em essências individuais... Mas ele, realmente, me deu o presente ao abrir meu coração, na magia da vida à poesia do amor.
Acredito que a força do amor une tudo! Aprendi que se a gêmea chama do amor estiver acesa em nossos corações, essa força fará com que as almas, onde estiverem em sol itude, se reconheçam como enamoradas, e as coincidências da vida, sincronicidades, surgem, então para atrair os corpos, tais como ímãs ao encontro do corpo físico, no mundo real e não mais nos sonhos. Eu, agora, aos 46 anos, inspirada nesse amor que flui em mim, escrevo um livro de poesias, em grande gratidão, aos ensinamentos dos Sussurros da Alma ao Toque de Hermes que apreendi ao ler seus sinais, nas entrelinhas de minha vida. Que assim seja! Que assim se faça! Que assim já é! Gratidão!
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