CONFISSÃO
Maria do Rocio Vaz
Olhos que não riem mais
Vagueiam na escuridão.
Amanhecidos, depois do sonho
Que foi esquecido,
Perderam o viço.
Abandonados em si,
Encontram-se no espelho.
(Ai, o espelho...)
Por um instante eterno
Eles se reconhecem,
Sabem o que sentem, o que dói,
O que escondem
Por trás da morenice.
Enxergam-se tão intimamente,
Que deixam escorrer
Água triste, morna e cristalina,
Sem nenhum pudor.
Tímidos e sinceros,
Como que sem querer,
Confessam a alma
Sem dizer nada.
APRESSA-TE
Maria do Rocio Vaz
Vem brincar comigo!
Já é outra estação
Vamos subir a escada amarela
Que leva para o céu
Vamos tocar nas folhas douradas
E ouvi-las dizer que não têm mais tempo
Vamos juntos deitar no chão
E contar aquelas coisas
Que nunca foram ouvidas
Então deixaremos os sapatos para trás
Correremos sem medo e sem parar
Para nunca mais voltar
Apressa-te!
Eu esperei tanto
Para escrever essa história...
Vem brincar comigo!
NASCENTE
Maria do Rocio Vaz
Deste-me a lua
e, por instantes,
fizeste-me tua.
Deste-me a tua poesia
e, por instantes,
fizeste-me tua Maria.
Deste-me o teu olhar
e, por instantes,
deixaste-me nua.
Encheste-me de gozo
e, fizeste-me,
para sempre,
nascente de amor.
MARIA DO ROCIO VAZ
Maria do Rocio Vaz nasceu em Curitiba. É formada em Comunicação pela Universidade Federal do Paraná. Participou de várias coletâneas literárias e é membro do Centro de Letras do Paraná. Em expressões poéticas traduz seus olhares profundos sobre o amor, a dor, a vida e a alma feminina. Uma seiva guardada em suas veias transborda no papel, ora como orvalho fresco, ora como lágrimas contidas. Por meio de sua poesia cede voz à emoção rompendo silêncios e escrevendo histórias. “Escreva, Maria!” é um relato da alma, onde as palavras brincam de fazer sentir.
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