Uma notícia me deixou chocado, mesmo sabendo que meu amigo Wladimir Moreira lutava contra um câncer há alguns anos. Mas perder alguém que se gosta e admira é algo que exacerba meu mais íntimo sentimento de compreensão e razão. Em fevereiro, quando estive em São Luís do Maranhão, não consegui falar com ele. E na última semana, ele não mais respondeu as minhas mensagens. Ontem, recebi a notícia de seu falecimento, em um hospital paulista.
Mas, no dia 28 de abril deste 2022, escrevi uma carta ao amigo. Transformei parte dela neste texto, que, agora, compartilho com vocês. Muitas saudades e muita gratidão a Wladimir Moreira, sem dúvida, um dos responsáveis pelo divisor de águas ocorrido em minhas ações e em minha vida. (Mhario Lincoln).
Quando os anjos dizem Amém!
Mhario Lincoln
Nunca havia me preocupado com minha vida. Achava-a farta demais e ampla demais. Tudo parecia incrivelmente tranquilo com prazo de validade interminável. Todavia, algo me fez ver uma outra realidade.
Antes disso, minha vaidade, meus "eus - eu sou isso, eu fiz isso, eu sou o melhor nisso, naquilo" - a cada dia colaborava para a derrocada total. Principalmente porque tal autoincentivo exacerbado e comparativo, bem lá no fundo, demonstrava minha verdadeira fragilidade. Até então, imperceptível para mim; não para os outros.
Muitas vezes numa mesa, numa reunião familiar ou não, bastava alguém tocar ou elogiar um outro alguém para que meu balão egoico se oxigenasse: "eu também fiz. E fiz até melhor...". Claro que a partir daí, as pessoas arrumavam rapidamente uma desculpa para me deixar falando sozinho sobre meus feitos extraordinários.
E foi exatamente aí, nessa "vaibe" imperceptível de ignorância moral que meu Mundo foi ruindo, até chegar a uma situação bem difícil em minha vida profissional, mental, espiritual e familiar. Mas, como há Deus e Deus procura suas ovelhas desgarradas, aparece uma figura ímpar para me trazer de volta a realidade: Wladimir de todos os Moreiras, Santos, Antonios, Franciscos, Josés...
Através de seus conselhos, dos puxões de orelha e da hombridade desse amigo, houve uma reviravolta incrível em minha vida e eu passei a vivê-la de forma real, sem os sistêmicos autoelogios, responsáveis por uma degradação moral quase sem volta.
Aprendi muito. Especialmente respeitar o outro: o interlocutor.
Disse-me Wladimir, certa vez: "Mhario querido, se coloque na situação de um interlocutor que só ouve elogios de você mesmo. E mais elogios, elogios... como ele deve ficar? Você acaba sendo desrespeitoso com ele. Isso é discriminatório, frágil e desonesto (...)". Como se vê, nosso amigo Wlad estava coberto de razão.
A partir daí, Wladimir passou a ser o meu guru. Meu orientador. Tirávamos duas horas por dia para conversarmos, trocar ideias e fazer avaliações, sempre no começo da noite, para contar as experiências do dia. Foi difícil compreender que a beleza da pessoa está muito mais na simplicidade, que na sabedoria. Porque não existe sabedoria sem simplicidade. Wlad sempre repetia uma frase de Khalil Gibran: “A simplicidade é o último degrau da sabedoria". E isso é uma grande realidade.
Bem, no decorrer desses 28 anos de mudança (árdua), minha vida melhorou. E muito. Hoje, eu e Wladimir, nos falamos quase que diariamente pelo "zap". E eu sempre renovo meu voto de gratidão. Aliás, ser grato é o ponto de partida de quaisquer que sejam as mudanças. E devem sempre ser tríplices: mental, espiritual e consuetudinário.
Desta forma, Wladimir é uma pessoa a quem sou grato e continuarei sendo, porque são esses anjos que aparecem - pela mão de um Poder Superior - para minimizar os sofrimentos da alma, causados por nós mesmos, por ignorância, soberba e inapetência de olhar além do nariz.
Que assim seja, sempre!
Que Deus conforte sua família e nós, seus amigos.
Mohana e Cassas “PLENITUDE HUMANA”: O LIVRO EM QUE JOÃO MOHANA COLOCOU O HOMEM DIANTE DE SI MESMO
POESIA MARANHENSE DANIEL BLUME: O JARDIM COMO LUGAR DE ENCONTRO ENTRE O AMOR E A LIBERDADE DE SER
A PINTURA DE QUIXOTE Quando traços de óleo em cerdas sensíveis conseguem mostrar Quixote sobre as águas do impossível
JOÃO EWERTON João Ewerton celebra 50 anos de pintura e revela, em sete fases, as raízes culturais do Maranhão
Dia do Poeta Ser poeta é não pedir licença à Vida. É Viver intensamente!
NERES PINTO ESPECIAL CONSAGRAÇÃO - Carlos Alberto Lima Coelho, da premiação internacional ao Apocalipse dos Anônimos Mín. 10° Máx. 17°
Mín. 11° Máx. 23°
Parcialmente nubladoMín. 13° Máx. 17°
Chuvas esparsas
Colunista Socorro Guterres COMO UM CÃO: O ABSURDO JURÍDICO EM O PROCESSO
Coluna de RUY PALHANO Dr. RUY PALHANO em texto que fala profundamente sobre a “perda do sentido e o vazio exsistencial”
Academias Brasil/Exterior Coirmãs João Ewerton celebra 50 anos de pintura e revela, em sete fases, as raízes culturais do Maranhão
Coronel Carlos Furtado De Carlos Furtado:“A DIFÍCIL ARTE DE SER POETA”