EDITORIAL
Em recente palestra aplaudida e refletida por muitos, João Ewerton mostrou teses pessoais que debulham de forma real o que realmente aconteceu durante o chamado Movimento da Semana da Arte Moderna de 22.Teses fortes e muitas das vezes, em caminhos que vão na contramão da história divulgada em livros e na mídia brasileira. E têm credibilidade essas alegações. Ewerton é artista, pensador e ativista cultural, com larga experiência na área de artes.
Aliás, por falar em João Ewerton, (fez muito quando trabalhava com projetos de moda com pessoas carentes), acabo de ler sobre um grande movimento da Casa Valentino, de alta costura. Ela decidiu por fazer um excepcional desfile da mais alta costura, usando modelos de diferentes idades, corpos e etnias, no meio das ruas de Roma, na Itália. Na verdade, o idealizador disso, Pierpaolo Piccioli, foi chamado pela mídia mundial como “vanguardista”, por esse ato. Em tempo: o primeiro insight a realizar tal feito chamou-se “MODAXÉ”, aqui no Brasil. Esse sim, é o único projeto do mundo que tem a moda como ferramenta de transformação social, retirando meninos e meninas da rua, devolvendo para a sociedade sobre uma passarela.
Foi justamente João Ewerton um dos idealizadores e integrantes desse movimento: “(…) nesse projeto fui responsável pela criação de moda, concepção e direção geral dos fashions shows daquela griffe nas edições de 1999 a 2002. Além das atividades diretamente ligadas a criação, como costura, modelagem, estamparia, os meninos e meninas, que na verdade são os modelos, a moda tinha um viés prático e temático. Para dar maior visibilidade ao evento, foram convidadas celebridades para desfilarem junto com os meninos, e por esse motivo, acabei vestindo grandes nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Camila Pitanga, Ivete Sangalo e Paula Motti entre outros. Realizei fashion show com os meninos do axé e os meninos do Harlem nos estúdios do Ballet Alvin Ayley, na Broadway (…)”. Como se vê, nosso bem maranhense e bem brasileiro João Ewerton, sem dúvida foi pioneiro e vanguardista nesse tipo de evento. Desculpas aí, “Maison Velentino”. Vocês não são vanguardistas.
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ESPANCA++ Flor Bela Espanca. Quem não conhece principalmente aqueles que amam a poesia. “Amar, amar e não amar ninguém”. Esses são versos de Florbela Espanca, nascida em Vila Viçosa na região do Alentejo. Flor Bela d'Alma da Conceição Espanca começou a escrever versos na infância. Sua estreia oficial na literatura se deu em 1919, com a publicação do “Livro de mágoas”.
FLORBELA++Todavia, Florbela Espanca teve uma vida tumultuada e trágica: dois divórcios, três casamentos, além do suicídio no dia do aniversário, aos 36 anos de idade./ Vale relembrá-la com o poema AMAR!
"Eu quero amar, amar/ perdidamente!/ Amar só por amar:/ Aqui... Além.../ Mais Este e Aquele,/ o Outro e toda a gente.../ Amar! Amar!/ E não amar ninguém!/ Recordar? Esquecer?/ Indiferente!.../ Prender ou desprender?/ É mal? É bem?/ Quem disser que se pode/ amar alguém/ Durante a vida inteira/ é porque mente!(...)". Trecho de "Charneca em Flor.
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ROMANCE FANTÁSTICO++ Estou deveras impressionado com o que li. Um superromance onde são tratadas evidências entre luzes e sombras, sonhos e pesadelos, "o fausto humano", como me disse Antonio Guimarães de Oliveira, o autor, ao me presentar "O ARQUIVISTA ACIDENTAL". Sem a menor sombra de dúvidas uma obra romanceada que está entre as melhores escritas até hoje e pode ser considerada uma das dez mais importantes obras de autores maranhenses do século XX. Leia comigo: "Nietzsche diz que o corpo é feito de impulsos que lutam entre si, onde um predomina e o outro luta. Sob tal prisma, os personagens são construídos e marcados pelo tom irônico e nuances filosóficas, encaixando-se nos trocadilhos verbais e nominais, imprimindo um relevo às figuras de linguagem". Acabei de ler e saio do livro repensando conceitos e refletindo sobre minhas próprias atitudes diante de algumas situações, as quais encarei ao longo de minha vida. No meu bestunto, livro para mim só tem validade se fizer o que ARQUIVISTA ACIDENTAL fez comigo: me impactou no mais profundo conceito de minh'alma e fê-la repensar a vida. Parabéns, confrade APB, Antonio de Oliveira. Grato por pensar, escrever e compartilhar com quem gosta de boa literatura. Como bem disse o imortal AML, José Neres: "(...) um romance fenomenal e infernal (...)".
MAURA LUZA++ Fiquei feliz em participar da nova obra de Maura Luza Frazão. A mim me coube, nessa obra, falar da autora, por quem tenho imensa consideração. Algumas considerações pertinentes. 1 - A beleza da poesia de Maura Luza Frazão em “Poeticidade Latente” impressiona, porque a construção das peças líricas são quase partituras. 2 - A linha melódica é uníssona, com variáveis harmônicas em muitos pontos. 3 - Uma prova da evolução explícita a contar do primeiro livro publicado, até esse, que será lançado em dezembro.
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CLODOALDO++ Na última visita que fiz a São Luís, encontro em um sebo, um livro raro: "O Bequimão, Esquisso de um Romance", de Clodoaldo Freitas, piauiense, (1825-1924), escritor nascido no Piauí. O livro é resgatado por Teresinha Queiroz, com estudo introdutório de Antônio Fonseca dos Santos Neto. Logo às primeiras páginas, algo que me chamou a atenção:"(...) o Maranhão é um invento social que pertence à história dos séculos XVI e XVII (...)", diz Fonseca Neto. Esse romance de Clodoaldo Freitas, explicita inclinações político-literárias do final do século de João Lisboa, começo do século "recém-anoitecido, cenário marcado por intenso debate em torno do conteúdo e das propensões do regime republicano instaurado em 1889", diz Teresinha Queirós na 4ª capa. Gostaria de ouvir o manifesto de grandes historiadores maranhenses.
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FAPESP++ Ainda é brutal a desigualdade entre homens e mulheres com pertinência a distribuição de bolsas de produtividade em pesquisa pelo CNPq. No item reservado a pesquisadores de excelência na produção científica e formação de recursos humanos, 73,7% são homens e, apenas, 26,3% de mulheres. Os dados são da revista FAPESP.
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MODA++ Constanza Pascolato dispensa apresentações. Simplesmente ela é diretora criativa da "Anima Eyerwer", considerada uma empresa de pensamentos de luxo. Mas, paradoxalmente, é dela a seguinte reflexão: “Não somos nada sozinhos. É mais agradável ter-se a troca com pessoas. A gente aprende sempre”.
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LITERATURA++ Em minha mesa de leitura, um presente de uma amiga, dona de um dos sebos de Curitiba: "Introdução à Literatura Paranaense", de Marilda Blinder Samways. Foi nessa obra que conheci o poema “Entre Essa Irradiação”, de Emiliano Perneta. De Helena Kolody, conheci “Noite Provinciana”. O livro de Marilda é de 1998.
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MARYLIN++ O mundo evoluiu, mas certas coisas são imutáveis. Veja: um retrato de Marilyn Monroe, de Andy Warhol, pode ser considerada a obra mais cara do mundo. A obra foi avaliada em 200 milhões de dólares. Algo perto de 1 bilhão de reais (na cotação de Maio/22). Até então, quando o assunto é leilão, a obra mais cara era de Picasso - As Mulheres de Argel. O recorde: 179,4 milhões de dólares, em 2015.
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ZONA DO BAIXO MERETRÍCIO++ Meu velho amigo José de Ribamar Sousa dos Reis, antes de falecer, num encontro fortuito acontecido dentro do Mercado da Praia Grande, autografou “ZBM: O Reino encantado da Boemia”, livro lançado em 2002 e que é referência quando se trata da memória da São Luís-Boêmia. Ele me falou enquanto assinava:"Querido Mhario, a diferença é que esses são personagens reais...". Eu entendi perfeitamente!
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CULINÁRIA++ Uma curiosidade majestosa: o único CD premiado mundialmente e que revela os segredos da culinária maranhense, aplaudido até hoje é “Sotaque Maranhense na Arte de Cozinhar”, de Wellington Reis e José Ignácio. “Um disco para dar água na boca”, como disse Jeovah França, que apresentou a obra.
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SHAKSPEARE++ Eu já passei por algumas. Leia essa: certa vez escrevi sobre Shakespeare e o tentei enquadrar em uma categoria onde haviam autores que exacerbavam erudições e pompas. Quis compará-lo a eles e me orgulheci disso. Ledo engano! Algum tempo depois, tive que correr para deletar minhas observações, onde as tinha publicado. Isso se deu porque comprei o livro “Sheakspeare-O que as Peças Contam”, que mostra a evolução desse escritor. E logo às primeiras páginas, um tapa violento em meu rosto (já vermelho de vergonha): “As vezes, a fama atrapalha. O simples fato de tentar entender a obra de Shakespeare, a partir de um ponto de vista de muita erudição e pompa, de enquadrá-lo no rol de homenageados e ilustres, impede o reconhecimento de um aspecto importantíssimo (...). William Shakespeare foi essencialmente um autor popular (...)", diz, ex-cathedra, a autora do livro e estudiosa de Shakespeare há 60 anos. A professora Barbara Heliodora.
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BIENAL++ Um pouco mais acima, mostrei a disparidade entre homens e mulheres quando o assunto é bolsa de produtividade em pesquisa pelo CNPq. Pois bem! Agora, o outro lado: artistas femininas dominaram a Bienal de Veneza (em abril) pela primeira vez na história. Ou seja, finalmente os holofotes se posicionam em artistas que durante muito tempo foram negligenciadas nesses 127 anos dessa bienal. Aliás, sugiro conhecer a obra de Simone Leigh. Só ela, paga o ingresso.
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LANÇAMENTO++ Dia 02.08.22, no Teatro João do Vale, em evento privado do grupo ARGUMENTO, houve o lançamento de DVD digital, com acesso por QR Code. O trabalho se chama "SAMBA NA TERRA DO TAMBOR", um trabalho de fôlego que homenageia o samba maranhense e seus principais protagonistas. Parabéns, Victor Hugo e toda a família ARGUMENTO! A matéria foi enviada pelo confrade APB, Eloy Melonio, poeta, contista e escritor, presente nesse reunião festiva. (Foto acima: Facebook)
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Uma frase #domeulivroMHL
“Se suportas tua solidão, essa é a maior prova que estás bem contigo; e as companhias, são apenas complementos...”.
Essa frase (de 1994) fiz com base no que lia nos muros de São Luis: verdadeiros poemas curtos de autoria de um grande poeta que precisa ter a memória mais cultuada e mais cuidada: EMÍLIO AYOUB. (Foto:Honório Moreira/2017).
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PONTO FINAL++Vale observar o seguinte: doar não e igual à filantropia ou caridade. “Doar significa que um pedaço de você foi junto”. Palavras de Sergio Rial, chairman do movimento Bem Maior, fundado por Elie Horn, um empresário e filantropo sírio, radicado no Brasil.
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AFRO-BRASILEIRA++ Uma das primeiras entrevistas que fiz, antes do Mestre Bita do Barão, foi com Jorge Babalaô ou Jorge da Fé em Deus, Pai de Santo de um dos mais famosos terreiros de Iemanjá, no Maranhão.
++Conversei com ele durante mais de duas horas e aprendi muitas coisas interessantes sobre religiões afro-brasileiras.
++ Anos depois recebo um valoroso presente. Um DVD com o documentário intitulado “Jorge Babalaô-Tambor de Mina do Maranhão”, uma obra-prima produzida com o apoio da então EMAP, quando dirigida por Bento Moreira Lima.
++Aliás, Bento Moreira Lima, um dos especialistas em áreas portuárias no Brasil e fora dele, foi o primeiro a ler e opinar positivamente sobre o meu livro “Ina-A Violação do Sagrado”, obra essa espalhada por vários portos internacionais, totalizando quase 20 mil exemplares. A distribuição foi ideia do empresário e meu padrinho literário, Mario Flexa Ribeiro. Inesquecível, sem dúvida!
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DOAÇÕES++ O gramático Evanildo Bechara, de 94 anos, acaba de doar ao Real Gabinete Português de Leitura sua biblioteca de mais 20 mil volumes. O imortal tem um acervo de obras de filologia, linguística e temas afins, do qual fazem parte livros publicados na Suécia, na Dinamarca, na Finlândia e na Noruega.
Segundo a Folha, a escolha, segundo Bechara, não foi difícil: a instituição, a quem o mestre é profundamente grato, é parte de uma história intelectual que começou no início da década de 1940, quando ele, ainda adolescente, já recebia a ajuda dos bibliotecários em suas pesquisas. (Original texto e foto: instagram.com/notaterapia).
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