REVISITANDO MEMÓRIAS, UM PASSEIO PELA HISTÓRIA DE MAURA LUZA E DE SUA TERRA NATAL
Ao narrar histórias de suas memórias, uma boa parte na cidade de Monção Maranhão, Maura faz seus conterrâneos aportarem numa Monção de outrora cheia de tradições e também de costumes corriqueiros cotidianos de uma época específica de sua vida que acaba envolvendo a vida de tantas outras pessoas.
Ela passeia pelo tempo narrando e poetizando partes da sua vida que têm referências numa identidade de raiz, particularidades de seu alicerce pessoal. Traz à tona histórias familiares de momentos íntimos, em que é possível perceber seus aprendizados, seus convívios, a importância de sua mãe como pilar de uma família cuja orientação era dignidade e conquista de seus propósitos. Destaque para o sorriso materno que segundo a autora era fascinante e acabava transmitindo carinho e esperança.
Sendo eu sua conterrânea, Maura me fez relembrar de momentos específicos de minha vivência em Monção, quando ela resgata as histórias dos antigos carnavais de Monção ilustrando sua narrativa com riqueza de detalhes de forma como tudo acontecia, a rivalidade entre os blocos, Estrela do Samba e Bafo da Onça que nutriam uma disputa acirrada, era briga de titãs, e eu descobri que éramos rivais e não sabíamos, pois ela Era do estrela eu do Bafo. Nos perdíamos em meio as fantasias, as sedas, os brilhos, os tules, penas e paetês. Fiquei a pensar, se eu me encontrei nessas memórias quantos outros monçonense haverão de se encontrar? Essa é uma importante passagem histórica da parte cultural da cidade que envolvia a arte de forma expressiva, quer fosse nas fantasias criativamente elaboradas, quer nas letras de samba que ali surgiam. A escritora lamenta a perda das tradições, o que consequentemente reflete na perda de identidade cultural de um povo.
Outra lembrança que com certeza farão muitos conterrâneos da escritora se reencontrarem é a passagem que ela ressalta o Sítio do Pica-Pau Amarelo referenciado por Monteiro Lobato, e ela o faz por meio de versos, o que torna ainda mais leve e lúdico o momento das lembranças da infância, ela ainda traz à tona importante elementos folclóricos contido nas narrativas de lobato. Um clássico que povoou a imaginação e a mente de muitas crianças daquela época. Detalhe, era uma época em que a tecnologia televisiva era restrita e na rua onde Maura morava apenas em sua casa tinha TV, o que acabava juntando a criançada da vizinhança na casa da dona Bibi para ver o sítio todas as tardes.
Continuando no embalo dessa viagem nostálgica, a escritora relembra as festas juninas peculiares de sua época. Versejando ela remonta um cenário de lembranças ornado em sua memória de forma especial, recordando as comidas típicas, as brincadeiras, as barraquinhas na praça da matriz. Evoca ainda de forma poética, a fama do povo monçonense de ser exagerado, e assim, relembra os causos contados e recontados sempre aumentados em algum aspecto, dessa maneira ela resgata parte da memória de sua terra.
Revisitando memórias tem um aspecto misto que envolve prosa e versos, lembranças de outrora uma espécie de autobiografia que envolve aspectos peculiares da vida da escritora e das pessoas que fazem parte dela e de seu lugar de raiz.
Para o povo monçonense com certeza essa obra será um presente porque muitos irão se identificar e rememorar lugares situações e fatos juntamente com as recordações da autora.
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