ENTRE O NÓ E VOOS: A MULHER E SUAS NECESSÁRIAS DECISÕES.
Sharlene Serra é membro da Academia Poética Brasileira.
Uma pausa, apenas uma pausa para analisar assuntos que falam sobre nós. Lembrei de um jingle de uma empresa: "De mulher pra mulher..." a mente logo completa. Mas sugiro listarmos infinitos nomes de mulheres, pois não me refiro a uma, mas sim a várias, posso até dizer que o assunto é de todas!
Falar de nós mesmas é algo desafiador, mas necessário. Sabemos que ainda com todo empoderamento apresentado, existem muitas mulheres que preferem esconder-se diante de seus próprios questionamentos, para alimentar-se de uma utopia, ou acreditarem que um dia terão coragem para fortalecerem suas asas, algo que não foi feito quando estavam no casulo sendo preparadas para o voo. Vou explicar: aquela ajuda do rasgar o casulo, do abrir as asas, é simplesmente uma forma enganosa de não permitir que as asas se fortaleçam, e assim, manipular, envolver com falsas atitudes e assim, se escondem por trás da calmaria, voz suave e controle disfarçado de preocupação, relacionamentos abusivos que silenciosamente podem matar a autoestima de uma mulher desatenta. Que possamos estar alertas e não permitir se enganar com relacionamentos que não apreciam e querem impedir nosso voo.
Lutamos historicamente para voar em poesia existente na alma e no cotidiano. A multiplicidade faz parte do nosso DNA, e mesmo que existam dúvidas, medos, desafios, a resiliência, as conquistas são frutos de nossas escolhas.
VOO DA DECISÃO
Sharlene Serra
Eu, diante o espelho
engulo o nó
olho-me e não me enxergo
A imagem turva reflete medo
angústias
receios
E o amor?
escorre dos olhos decididos.
Culpada? Não!
Meu amor próprio transcende
e quebra o espelho
para voar
nas asas das minhas próprias decisões.
Quem de nós nunca se sentiu inerte diante da sobrecarga e da necessidade de ter que dar conta de tudo, e que se algo não estiver caminhando bem, seja nas questões familiares, casamento, maternidade, somos logo julgadas? Quem nunca se olhou diante de um espelho e dialogou com ele, percebendo a mudanças do corpo e buscando alternativas para alimentar um casamento já falido? Naquele momento, o reflexo de si, precisava não de autocrítica, mas de autoelogio.
Se fossemos fazer uma enquete, muitas mulheres já passaram (e passam!) por este emaranhado de situações e diálogos consigo mesmas; entre a multiplicidade do ser mulher que precisa superar-se a cada dia e uma autopunição camuflada, muitas vezes acionada pelo cônjuge , família ou pela própria sociedade que infelizmente ainda a rotula.
O espelho contido no poema, nos desnuda, revela nossos medos, nos rotula, e nos culpabiliza ( se assim permitirmos) mediante as cobranças sociais, fazendo com que muitas mulheres ainda permaneçam justificando suas próprias atitudes, ou não se sentindo preparadas para novas experiências, não por falta de vontade, mas por se sentirem acuadas, pelos valores patriarcais que ainda (infelizmente) existem. Diante da luta que travamos, esse detalhe é asfixiante e real.
O poema está em primeira pessoa, mas sabemos que ele ecoa em muitas mulheres que tiveram de quebrar os espelhos sociais que as julgavam, para poderem libertar-se e deixarem prevalecer o amor próprio. Este amor não pode, em hipótese nenhuma, ser ausente, isolar-se, ser possessivo, abusivo, negligente, frio. O amor próprio precisa existir para nossa própria sobrevivência e para dar asas as nossas decisões.
VÍDEO BÔNUS
Produção: TV do Facetubes
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