Fotos originais do texto.
Linda Barros, escritora e atriz. Membro da APB e ACILBRAS
Escrever é sempre um desafio, pois vivemos momentos de muito alvoroço com tantas mudanças, tantas angústias e muitas dúvidas. A primeira delas é “para que escrevo?” “O quê e quem quero alcançar com minhas publicações?” Qual a maior motivação para levar nossos textos às prateleiras das livrarias? Sejam esses textos nos mais diferentes gêneros textuais (poesia, conto, crônicas ou artigos científicos). Vivemos em constantes transformações, isso é fato.
Normalmente quando iniciamos o processo da escrita, a primeira incógnita que aparece é: “vou escrever sobre o quê?” A jovem poeta e cronista Joiza Costa chegou a mais um degrau de suas reminiscências na escrita, derrubando todas as barreiras, embora existisse:
A DÚVIDA
E se fosse apenas um talvez?
Certamente frustraria meus planos.
E se fosse uma certeza?
Reativaria o gozo de minha’alma.
Mas ficaria sem saber,
Fiquei entre o sim, o não, ou o talvez.
A ausência das palavras deixou dúvidas
Dúvidas, porque é o que sempre temos, talvez em quase tudo na nossa vida. Parece frase de livro de autoajuda, não é verdade? No entanto, é a lei da vida, angústias que aparecem quando queremos algo muito importante. Por isso, com muita coragem e sem medo de errar, que Joizacawpy Muniz Costa presenteou a cidade de São Luís, que esta semana completa seus 410 anos, com mais uma obra, onde mescla poesia e crônica.
A autora traz a seus textos muita leveza e, de maneira natural, narra como é seu processo da escrita: “Não quero a obrigação de escrever,/Prefiro a leveza das palavras sem rigores/A leveza nascida na fonte da simplicidade/Gerada nas entranhas dos sentimentos./Leveza que salta da alma/ Feito sopro de felicidade”. Porque escrever é isso, é tirar de dentro do seu ser palavras que têm vida própria e com muita sutileza dizer ao que veio.
“MARCA DAS PALAVRAS” tem diferentes olhares de diferentes percepções, de diferentes pessoas a cerca do livro. A obra tem apresentação aguçada nas palavras do presidente da Academia Poética Brasileira, o jornalista e poeta Mhario Lincoln. Nela, o autor mostra ao leitor a característica mais peculiar de Joiza: a maturidade, pois, segundo ele, “a linguagem poética não pode ser apenas uma vertigem plasmática. O verso precisa da linguagem da ação, pois tem força de comando”.
A obra também conta com o prefácio do escritor, professor/doutor José Neres, membro da Academia Maranhense de Letras, que em suas palavras, também demonstra a leveza da autora para com seus textos. Para Neres, Joiza tem em “sua construção poética, um apego à leveza e à suavidade e a suavidade da linguagem, do raciocínio e das imagens poéticas”. Para a composição de Marcas das Palavras, Joiza Costa contou com a contribuição da escritora e poeta Maura Luza, que ficou responsável pela contracapa do livro e que expõe sua opinião acerca da obra, onde diz que “é uma obra que traz em seu bojo latentes sentires explicitados em suas linhas e entrelinhas a partir de interações com as palavras”.
Joiza Costa dividiu sua obra em duas partes. A primeira traz dezenas de poemas, em que a autora expõe todo seu ser interior e sua delicadeza. Em forma de versos, a autora brinca diversas vezes com as palavras para demonstrar todo seu poder sobre elas, embora uma seja o complemento da outra (a mulher e a palavra). Ainda sobre essa primeira parte, em alguns poemas a autora conversa com o leitor através das notas de rodapé, para assim explicar as circunstâncias com que eles foram criados ou inspirados. Na segunda parte, a poeta traz várias crônicas, fazendo RECORTES DE PENSAMENTO, onde diz ela “os textos que agora se iniciam são frutos de um mergulho nas visões do mundo, do olhar, do diálogo em busca de encontrar senão respostas, mas oportunidade para pensar” deixando assim, o leitor ainda mais recompensado.
Por fim, “a compensação que podemos dar ao descortinar de nossa alma enlaçada com as primazias da vida nos possibilita viver não em outro mundo, mas em outra atmosfera capaz de reavivar o que há de melhor em nós” (Joiza Costa). Então, é o que temos PARA HOJE.
Para hoje...
A lembrança de um dia bom
O gosto doce da infância
O cheiro de terá molhada
A melodia preferida
O abraço que acolhe
O calor saído da faísca
De um olhar ama profundamente
A paz das mentes inocentes.
A energia das almas solares
E o florescer de uma vida
Sempre renovada
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