A TRISTE PRÁTICA DO PLÁGIO
José Neres, professor, escritor, poeta e militante cultural, da Academia Maranhense de Letras
Preguiça? Deficiência intelectual? Busca de facilidades? Certeza de impunidade? Ingenuidade? Falta de orientação? Ou um atávico pendor para a prática de furtos generalizados em todos os graus? Não se sabe ao certo a gênese ou o DNA dos inúmeros plágios que infestam os trabalhos (?) acadêmicos em nossas universidades e faculdades.
É preciso sempre lembrar que plágio escolar/acadêmico não é novidade. Ele vem desde o tempo em que os estudantes copiavam páginas e mais páginas de livros, revistas, enciclopédias e alegavam que o resultado daquela bricolagem era um trabalho digno de nota. Mas pelo menos podia-se dizer que, durante o ato de transcrever o texto, o aluno acabava assimilando parte do conteúdo e, dessa forma, havia algum tipo de aprendizagem.
Hoje, no entanto, com as inúmeras facilidades oferecidas pelo mundo virtual, os atos de localizar, selecionar, copiar e colar tornaram-se tarefas praticamente automáticas, que, em muitos casos, dispensam a leitura integral do texto. Em alguns cliques, uma pesquisa que levaria dias, semanas ou até mesmo meses, se solidifica em forma de texto. Há casos em que o plagiador faz uma montagem tão esmerada que é capaz de enganar até mesmo os mais atentos leitores. A maioria, porém, tudo que consegue fazer é um Frankstein, no qual as partes não se encaixam. De qualquer modo, bem ou mal feito, esse tipo de texto não passa de plágio, de apropriação indébita de ideias, palavras e de trabalhos alheios.
As notícias de que alguns desses infratores foram pegos e, às vezes, desmoralizados acabam por alertar os plagiadores mais atentos, que, temerosos de que seus “trabalhos” sejam rastreados por ferramentas e programas específicos, tentam ludibriar os examinadores com substituição de palavras por sinônimos ou com inversão dos termos de algumas orações. Dessa forma, se o professor não ler com atenção o texto e se confiar tão somente nos recursos eletrônicos para a detecção de plágios, acabará chancelando com notas, às vezes, altíssimas a incompetência e a preguiça do “estudante”.
O professor, quase sempre um semianalfabeto nas lides com os instrumentos tecnológicos, e, às vezes, também um emérito plagiador, é até capaz de ficar feliz com as notas obtidas por determinados alunos. Inocentemente, ele pode até pensar que a educação está melhorando, que aqueles estudantes estão assimilando melhor os conteúdos ensinados. Em outros casos, o mestre até percebe a enganação, mas, ou por não ter provas ou para não se indispor com os plagiadores, acaba compactuando com a situação.
Contraditoriamente, nos casos em que o plágio é detectado e o(s) culpado(s) são chamados para uma conversa (quase sempre reservada), o que se vê não é uma atitude de vergonha por haver cometido um crime, nem o constrangimento de ter(em) sido pego(s) em uma situação delituosa, legal e moralmente condenável. O que se vê quase sempre são atos de revolta contra quem descobriu a fraude. A inversão de valores dos plagiadores chega ao extremo de deixar a impressão de que o crime não é apropriar-se do trabalho alheio, mas sim descobrir que isso foi feito. Diante das provas, o ódio geralmente é mais forte que a vergonha.
Para piorar a situação, ainda há os casos de quem vende trabalhos prontos, quase sempre uma montagem grosseira de diversos textos. Quando na redação são detectadas as fontes, quase sempre o comprador, que se julgava esperto por adquirir um trabalho especialmente feito para aquela situação, descobre foi vítima de outros elementos ainda mais espertos, que jamais perderiam seu tempo fazendo pesquisas sérias para quem não sabe o que significa seriedade.
Realmente não é possível saber de onde vem a motivação para plagiar. Mas não é tão difícil prever seus resultados: profissionais desqualificados que, possivelmente, diante de uma situação desafiadora, não terão capacidade de resolver nem mesmo os problemas mais simples. Trabalhos podem até ser comprados ou copiados, mas a competência é uma exclusividade de quem estuda.
THE SAD PRACTICE OF PLAGIARISM
José Neres, professor, writer, poet and cultural activist, from the Academia Maranhense de Letras.
Laziness? Intellectual disability? Searching for facilities? Certainty of impunity? Naivety? Lack of guidance? Or an atavistic penchant for generalized theft of all degrees? The genesis or the DNA of the countless plagiarisms that infest the academic works (?) in our universities and colleges is not known for sure.
It is always necessary to remember that school/academic plagiarism is nothing new. It goes back to the time when students copied pages and pages of books, magazines, encyclopedias and claimed that the result of that DIY was a remarkable job. But at least it could be said that, during the act of transcribing the text, the student ended up assimilating part of the content and, in this way, there was some kind of learning.
Today, however, with the countless facilities offered by the virtual world, the acts of locating, selecting, copying and pasting have become practically automatic tasks, which, in many cases, do not require the full reading of the text. In a few clicks, a search that would take days, weeks or even months solidifies into text form. There are cases in which the plagiarist makes such an elaborate montage that he is able to deceive even the most attentive readers. Most, however, all they can do is a Frankenstein, in which the parts don't fit. Anyway, good or bad, this type of text is nothing more than plagiarism, the misappropriation of other people's ideas, words and works.
The news that some of these offenders were caught and, at times, demoralized ends up alerting the most attentive plagiarists, who, fearful that their “works” will be tracked by specific tools and programs, try to deceive the examiners by replacing words with synonyms. or with inversion of the terms of some clauses. Thus, if the teacher does not read the text carefully and relies solely on electronic resources for the detection of plagiarism, he will end up granting, at times, very high grades, the incompetence and laziness of the “student”.
The teacher, almost always semi-illiterate in dealing with technological instruments, and sometimes also an emeritus plagiarist, is even able to be happy with the grades obtained by certain students. Innocently, he may even think that education is improving, that those students are better assimilating the contents taught. In other cases, the master even realizes the deception, but, either because he doesn't have proof or not to get upset with the plagiarists, he ends up agreeing with the situation.
Contradictorily, in cases where plagiarism is detected and the culprit(s) are called for a conversation (almost always reserved), what is seen is not an attitude of shame for having committed a crime, nor the embarrassment of having been caught in a criminal, legally and morally reprehensible situation. What is almost always seen are acts of revolt against those who discovered the fraud. The inversion of values of plagiarists goes to the extreme of leaving the impression that the crime is not to appropriate the work of others, but to discover that this has been done. In the face of evidence, hatred is often stronger than shame.
To make matters worse, there are still cases of those who sell ready-made works, almost always a crude montage of several texts. When sources are detected in the newsroom, almost always the buyer, who thought he was smart for acquiring a job especially made for that situation, discovers he was the victim of other even smarter elements, who would never waste their time doing serious research for those who don't know what to do. which means seriousness.
It's really not possible to know where the motivation to plagiarize comes from. But it is not so difficult to predict its results: unqualified professionals who, possibly, faced with a challenging situation, will not be able to solve even the simplest problems. Works can even be bought or copied, but competence is exclusive to those who study.
(Tradução livre).
MUSICA É VIDA Chiquinho França levou “Fissura” a Brasília, no Clube do Choro, território de encontro da música brasileira
SETEMBRO SETEMBRO AMARELO: “ATENÇÃO! SINAL AMARELO”
MUNDO NOVO “OBRAS LITERÁR(IA)S?”, crônica do professor e membro APB-MA, José Neres.
Mohana e Cassas “PLENITUDE HUMANA”: O LIVRO EM QUE JOÃO MOHANA COLOCOU O HOMEM DIANTE DE SI MESMO
Literatura Gótica Aluísio Azevedo Gótico: Lourival Serejo restitui uma vertente da obra do escritor ao debate literário brasileiro
EXCLUSIVO A CURIOSIDADE “MATA”. MAS, ANTES, DIVERTE — E ENSINA Mín. 10° Máx. 23°
Mín. 14° Máx. 24°
Chuvas esparsasMín. 10° Máx. 14°
Chuva
Esmeralda Costa ACLC celebra cinco anos de existência cultural e escreve página histórica
Marco Neves De Homero ao autoclismo português: 3000 anos de grego
Coronel Carlos Furtado FALMA: unidos, conquistamos espaço para a literatura maranhense
José Neres “OBRAS LITERÁR(IA)S?”, crônica do professor e membro APB-MA, José Neres.