Quinta, 03 de Setembro de 2026 02:06
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Brasil Convidado APB

Convidado: Rogério Rocha da Academia Poética Brasileira

Publicação autorizada pelo sutor.

14/09/2022 09h41 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Rogério Rocha
Rogério Rocha
Rogério Rocha

Pandemia, Rogério e Derrida

* Mhario Lincoln

A singularidade deste poema do imortal APB Rogério Rocha, filósofo dos bons desta nova geração do século XXI, atrai análises enormes, em função da narrativa poética na plenitude entre o transcendental e a poesia, fazendo com que o leitor siga uma linha tênue entre a visão tempestuosa da cena e a realidade do momento pós-embrionário de " ...um quase Apocalipse".

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Aliás, um poema à base do pensamento de Jacques Derrida? Juro que pensei nisso por causa desse tom apocalíptico. 

Rocha inclui, também, elementos não-filosóficos e transcendentais, bem intrínseco ao discurso filosófico. 

Desta forma, a plástica do poema rogeriano nos faz repensar Derrida, na imersão  entre a razão-mito-poesia. Sendo o incerto, naquela ocasião  pandêmica, como usurpação das potências racionais e libertárias do ser humano. 

O POEMA:

ROGÉRIO ROCHA é membro-efetivo da Academia Poética Brasileira

UM QUASE APOCALIPSE

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Ando pelas ruas vazias;

as pessoas estão em suas casas.

 

Consegui desatar as minhas

amarras.

E persigo alguma face

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como que perdido

em meio a todo esse

desastre.

Os sinais de trânsito piscam

intermitentes.

Nas rotatórias da vida não há mais carros.

 

Bares e casas noturnas já não nos perturbam

(é morta a algazarra).

Nas praças e bairros não vejo gente

mas sei que lá dentro dos muitos lares

há um mundo que pende em suspenso,

com medo, indeciso, ansioso.

 

Na jornada que faço

nos rumos de uma

noite morta

sinto o vento morno

em meu rosto nervoso

e recebo seu abraço

amoroso

enquanto

respiro

mais fundo do que em verdade é preciso.

Nas tv’s cobram-nos juízo,

mais isto e aquilo e aquilo.

 

Os noticiários anunciam

um quase apocalipse.

Mas não reclamo nem sofro:

sobrevivo.

 

E antes que penses em clamar por meu nome

ou investigar minhas entranhas

atrás de algum sentido não demovível

apresso o passo e corro mais rápido

que qualquer sentimento ruim.

 

Antes que as bombas explodam

no instante invisível

de um mundo incompreensível

que parece chegar ao fim.

 

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Rogerio Rocha Há 4 anos atrásSão LuísGrato a todos pelo comentário em torno do poema. Um fraternal abraço.
Kalil Guimarães Há 4 anos atrásBrasília DF“Um Quase Apocalipse” é filosófico. Um estilo do filósofo Jacques Derrida, tão bem lembrado por Mhario Lincoln.
Carlos SpindolaHá 4 anos atrásRioÔ Mario? Donde tu desenterrou Derrida???
Lilica FreitasHá 4 anos atrásBrasília DF, professora e orientadoraComo diz a poesia. Quem não desatar as amarras do preciosismo interior e do classismo fedorento das escolas literárias, não vai entender, caro Rogério. Mergulhei em seu instinto e respirei lirismo num relato chocante desse.
Lindalva RamosHá 4 anos atrásSão LuísPra mim, esses versos pagaram o ingresso Na jornada que faço nos rumos de uma noite morta sinto o vento morno em meu rosto nervoso e recebo seu abraço amoroso enquanto respiro mais fundo do que em verdade é preciso.
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