FESTA DA ARTE E DA LITERATURA EM PEDREIRAS-MA
Samuel Barreto, poeta, cronista, radialista, compositor, produtor musical, historiador, retornou à pátria espiritual no dia 13 de Julho de 2020. Desde então acontece a Semana Cultural Samuel Barreto em Pedreiras, MA, com uma vasta programação cultural, desde oficinas, palestras, concursos de música e Poesia.
A segunda edição da Semana Cultural Samuel Barreto aconteceu de 07 a 09 de outubro, onde pelo segundo ano consecutivo Santa Inês se destaca no "Prêmio Samuel Barreto de Poesia". Em 2021 o poeta Carlos Vinhort, levou o prêmio e o troféu" SAMUCA" para casa. Nesta segunda edição foi a vez da Poeta Luiza Cantanhêde e seu sobrinho Evilásio Júnior repetirem o feito.
Luiza Cantanhêde venceu em primeiro lugar e Evilásio Júnior em terceiro, o segundo lugar ficou para o poeta Pedreirense Wescley Brito, também membro-efetivo da Academia Poética Brasileira.
Abaixo os poemas vencedores de Luiza Cantanhêde e Evilásio Júnior:
1° Lugar
ABAPORU
A fome que come gente
Nos olhos do Abaporu
O sol na epiderme
O suor afogando a pele
Antes das rezas
Outros dias nascerão
Para o cansaço
"O homem plantado na terra":
Unhas encravadas no contorno
Do tempo.
O homem pintando o sertão:
Seca, estrume, gibão.
Mão de pilar, mandacaru
cansanção
Terra batida
Barro vermelho
Água salobra
Tudo é tela
Que nos atropela.
(Luiza Cantanhêde)
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2º Lugar
CARROSSEL
Eu vejo estrelas
Para além dos olhos
Da pessoa amada,
Vejo luz e céu.
O tempo toca,
Sua doce lira,
E a vida gira:
Veloz carrossel.
Volto ao passado:
Minha tenra infância,
Circo, brincadeiras,
Cores no papel.
Meu outro eu,
Escreve e delira,
E a vida gira:
Veloz carrossel.
Eu que bem cedo,
Tive que ser forte,
E que para a morte,
Não tirei o chapéu.
É nossa sina,
Correr de sua mira,
E a vida gira:
Veloz carrossel.
Ainda bem,
Que nunca tive meta,
Eu nasci poeta,
Vate, menestrel.
Quem assim nasce,
Pouco se admira,
Quando a vida gira:
Veloz carrossel.
(Wescley Brito)
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3° Lugar
PÉTALAS DE PEDRA
é necessário renascer nesta coivara de agonias
ser semente selvagem
rasgar a aridez do solo
mesmo com a carne lambida por mil sóis
fazer das unhas garras
arranhar o fundo da terra
é preciso remendar as arranhaduras do tempo
assobiar preces aos pássaros
antes do último voo
semear as asas esvaídas no verão
ver o renascimento das coisas
neste caminho de cinzas
nos lábios ressecados aparecem pétalas defloradas
flor de carne que pulsa a palavra dura feito pedra
linguagem de lâmina amolada na dureza da garganta
dentes afiados retalham o silêncio farpado
olhos recolhem ausências deixadas pela estiagem
mãos acolhem as feridas que germinam nos calos.
(Evilásio Júnior)
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