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Brasil DIA DO POETA

Francisco Tribuzi, Linda Barros, Letícia Mariana e Jorge Cruz, no Dia do Poeta

Agradecimentos pelos envios dos poemas.

20/10/2022 17h27 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Poetas Dia do Poeta
Poetas participantes
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Dia do Poeta. Enviaram suas poesias, Linda Barros, Jorge Cruz, Francisco Tribuzi, Letícia Mariana

(Este texto, a seguir, foi enviado por um membro da Academia Poética Brasileira, recuperado do portal https://appa.art.br/ em cujo local poderá ser lido o texto original).

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O principal propósito da data é promover a poesia e os poetas, incentivando a leitura, a escrita e a publicação de obras poéticas em nosso país 

Como a poesia faz bem para todos nós, não é mesmo? Por isso, em 20 de Outubro, homenageamos os artistas que nos presenteiam cotidianamente com o fruto de suas inspirações e formas de ver o mundo.

O Dia Nacional do Poeta é comemorado de forma extraoficial, ou seja, não há uma lei que oficialize o 20 de outubro.

Já o Dia da Poesia é comemorado no dia 30 de outubro, data de nascimento do Poeta Maior, o mineiro Carlos Drummond de Andrade. O Dia Nacional da Poesia foi oficializado por meio da lei 13.131, de 3 de janeiro de 2015.

O dia 20 de outubro foi escolhido por uma razão muito especial para os poetas brasileiros, pois foi neste mesmo dia, no ano de 1976, em São Paulo, que surge o Movimento Poético Nacional, na casa do poeta e jornalista Menotti Del Picchia. A data homenageia e relembra esse momento ímpar para os poetas do Brasil.

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Antes da criação da lei que oficializa o Dia Nacional da Poesia em 31 de outubro, a data no Brasil era celebrada em 14 de março, em caráter não-oficial. A escolha desta data era uma homenagem ao poeta brasileiro do romantismo Castro Alves, que nasceu em 14 de março de 1847.

Ainda existe o Dia Mundial da Poesia, em 21 de março, que se celebra em nível internacional. Esta data foi instituída durante UMA Conferência Geral da UNESCO, em 16 de novembro de 1999.

No livro A Rosa do Povo, publicado em 1945, Carlos Drummond de Andrade registrou um de seus mais conhecidos poemas, em que ele já diz, no título, o que é a poesia. Assim descreve Drummond em seu “Procura da Poesia”

Não faças versos sobre acontecimentos./ Não há criação nem morte perante a poesia./ Diante dela, a vida é um sol estático,/ não aquece nem ilumina./ As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam./ Não faças poesia com o corpo,/ esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica./ (…) Penetra surdamente no reino das palavras./ Lá estão os poemas que esperam ser escritos./ Estão paralisados, mas não há desespero,/ há calma e frescura na superfície intacta./ Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário./ Convive com teus poemas, antes de escrevê-los./ Tenha paciência, se obscuros. Calma, se te provocam./ Espere que cada um se realize e consume/ com seu poder de palavra e seu poder de silêncio./ Não forces o poema a desprender-se do limbo./ Não colhas no chão o poema que se perdeu./ Não adules o poema. Aceita-o/ como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada no espaço./ Chega mais perto e contempla as palavras./ Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra/ e te pergunta, sem interesse pela resposta,/ pobre ou terrível que lhe deres: Trouxeste a chave?

 

 

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Mulher de Fases

Linda Barros.

 

 

Linda Barros (São Luís-MA)

Mulher de fases

Somos todas nós

que saímos de casa

cedinho, antes do sol

nos dá “bom dia”.

Mulher de fases,

mas que não desce do salto,

que não se intimida

com cara feia no trânsito.

Mulher de fases?

Que nada!

mulher de fases é a vida que nos rodeia,

que levanta nossa saia no vento 

no tempo e no descompasso da

Mulher de fases.

 

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Jorge Cruz Junior.

Jorge Cruz Junior (Olinda-PE)

Menino da Síria

 

O olhar perdido, procura uma explicação.

Por que essa guerra?

Por que a dor?

Por que não podemos brincar e estudar em paz?

 

O olhar sujo de sangue, incomoda ao menino,

Mas me incomodou muito mais.

Queria estar lá para abraça-lo bem forte,

Protegê-lo do mal da guerra e da dor,

 

O olhar do menino dizia que não estava entendendo nada,

De repente a sala de aula virou uma bagunça,

A dor veio forte, mas não chorou.

Talvez porque não sabia por quê chorar.

 

O olhar da criança, era o mesmo olhar que temos

Quando estamos diante de uma coisa estúpida,

Quando encaramos uma situação de terror

E não sabemos o que fazer.

 

Aquele olhar procurou respostas, mas não encontrou.

Apenas viu nos outros os mesmos olhos espantados,

E deve ter se perguntado,

 

Será esse o meu futuro?

 

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Francisco Tribuzi (São Luís)

Francisco Tribuzi.

 

Poema limitado para o poeta infinito

A Nauro Machado

 

A metamorfose da Praia-Grande

transforma no que já era

dilacera o cego vaga-lume

luzindo a inexistente primavera.

Só ele vaga, soturno

decifrando ruas, azulejos

do delírio noturno.

Esta cidade que ele navegava

porto-verso-embriaguez

malditamente o nega

embora esteja no que se fez.

Parido poeta que rume

auroras nascidas do vão

poeta-profeta-perfume

da flor solidão.

Amamos teu silêncio soluçante,

digno:teu grito mudo

teu verbo raro, brilhante

teu poema é tudo

                      o que resta de concreto

                      para a festa do absurdo.

Francisco Tribuzi

 

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Letícia Mariana.

LETÍCIA MARIANA (Rio de Janeiro)

O VERSO NÃO CALA

O meu verso ascendeu,

Apareceu tal luz sábia,

A escrivaninha ensurdeceu,

Mas o verso? – este não cala!

Soube dos jornais e das revistas,

Do on-line e da televisão,

Ouvi dizer que poeta não vende,

Eu discordo, mas o que me importa é o coração.

O verso não cala, não mata de desgosto,

A poesia é menina, mulher, homem desastroso,

Na canção está o poema,

E no livro ele encanta e mostra o rosto!

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Naná VioletaHá 4 anos atrásRio de JaneiroLetícia Mariana. Emocionada aqui com seus lindos versos menina linda.
LianaHá 4 anos atrásSão Luís-Beco Escuro-CentroChico Tribuzzi, isso é celular. Vem no sangue. passa de célula para célula. Não tem jeito de negar. Viva os Tribuzzi: " A metamorfose da Praia-Grande transforma no que já era dilacera o cego vaga-lume luzindo a inexistente primavera.".
Gilson Soares, bancário aposentadoHá 4 anos atrásCaldas NovasFrancisco, eu estava lá em maio de 1977, quando teu pai fez 50 anos e foi homenageado pela intelectualidade brasileira, em São Luís. Vi por lá Ferreira Gullar, Odylo Costa, filho, Jorge Amado, Josué Montello e José Sarney. Uma grande festa. Trabalhava no Banco do Brasil e também fui convidado. Tenho 80 anos. Mas ainda me lembro.
Priscila MamedeHá 4 anos atrásRio de JaneiroÔ Mário, faz isso não. Como Drummond pode ter dito isso: "Não há criação nem morte perante a poesia./ Diante dela, a vida é um sol estático,/ não aquece nem ilumina." Só pode ser mesmo em 1945, porque os poetas aqui presentes me fizeram ver e sentir exatamente o inverso. Vamos com calma, Dudu'mond
Toti AlbuquerqueHá 4 anos atrásRecifeGrande Jorge Cruz Filho.
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