Dia do Poeta. Enviaram suas poesias, Linda Barros, Jorge Cruz, Francisco Tribuzi, Letícia Mariana
(Este texto, a seguir, foi enviado por um membro da Academia Poética Brasileira, recuperado do portal https://appa.art.br/ em cujo local poderá ser lido o texto original).
O principal propósito da data é promover a poesia e os poetas, incentivando a leitura, a escrita e a publicação de obras poéticas em nosso país
Como a poesia faz bem para todos nós, não é mesmo? Por isso, em 20 de Outubro, homenageamos os artistas que nos presenteiam cotidianamente com o fruto de suas inspirações e formas de ver o mundo.
O Dia Nacional do Poeta é comemorado de forma extraoficial, ou seja, não há uma lei que oficialize o 20 de outubro.
Já o Dia da Poesia é comemorado no dia 30 de outubro, data de nascimento do Poeta Maior, o mineiro Carlos Drummond de Andrade. O Dia Nacional da Poesia foi oficializado por meio da lei 13.131, de 3 de janeiro de 2015.
O dia 20 de outubro foi escolhido por uma razão muito especial para os poetas brasileiros, pois foi neste mesmo dia, no ano de 1976, em São Paulo, que surge o Movimento Poético Nacional, na casa do poeta e jornalista Menotti Del Picchia. A data homenageia e relembra esse momento ímpar para os poetas do Brasil.
Antes da criação da lei que oficializa o Dia Nacional da Poesia em 31 de outubro, a data no Brasil era celebrada em 14 de março, em caráter não-oficial. A escolha desta data era uma homenagem ao poeta brasileiro do romantismo Castro Alves, que nasceu em 14 de março de 1847.
Ainda existe o Dia Mundial da Poesia, em 21 de março, que se celebra em nível internacional. Esta data foi instituída durante UMA Conferência Geral da UNESCO, em 16 de novembro de 1999.
No livro A Rosa do Povo, publicado em 1945, Carlos Drummond de Andrade registrou um de seus mais conhecidos poemas, em que ele já diz, no título, o que é a poesia. Assim descreve Drummond em seu “Procura da Poesia”
Não faças versos sobre acontecimentos./ Não há criação nem morte perante a poesia./ Diante dela, a vida é um sol estático,/ não aquece nem ilumina./ As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam./ Não faças poesia com o corpo,/ esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica./ (…) Penetra surdamente no reino das palavras./ Lá estão os poemas que esperam ser escritos./ Estão paralisados, mas não há desespero,/ há calma e frescura na superfície intacta./ Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário./ Convive com teus poemas, antes de escrevê-los./ Tenha paciência, se obscuros. Calma, se te provocam./ Espere que cada um se realize e consume/ com seu poder de palavra e seu poder de silêncio./ Não forces o poema a desprender-se do limbo./ Não colhas no chão o poema que se perdeu./ Não adules o poema. Aceita-o/ como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada no espaço./ Chega mais perto e contempla as palavras./ Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra/ e te pergunta, sem interesse pela resposta,/ pobre ou terrível que lhe deres: Trouxeste a chave?
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Mulher de Fases
Linda Barros (São Luís-MA)
Mulher de fases
Somos todas nós
que saímos de casa
cedinho, antes do sol
nos dá “bom dia”.
Mulher de fases,
mas que não desce do salto,
que não se intimida
com cara feia no trânsito.
Mulher de fases?
Que nada!
mulher de fases é a vida que nos rodeia,
que levanta nossa saia no vento
no tempo e no descompasso da
Mulher de fases.
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Jorge Cruz Junior (Olinda-PE)
Menino da Síria
O olhar perdido, procura uma explicação.
Por que essa guerra?
Por que a dor?
Por que não podemos brincar e estudar em paz?
O olhar sujo de sangue, incomoda ao menino,
Mas me incomodou muito mais.
Queria estar lá para abraça-lo bem forte,
Protegê-lo do mal da guerra e da dor,
O olhar do menino dizia que não estava entendendo nada,
De repente a sala de aula virou uma bagunça,
A dor veio forte, mas não chorou.
Talvez porque não sabia por quê chorar.
O olhar da criança, era o mesmo olhar que temos
Quando estamos diante de uma coisa estúpida,
Quando encaramos uma situação de terror
E não sabemos o que fazer.
Aquele olhar procurou respostas, mas não encontrou.
Apenas viu nos outros os mesmos olhos espantados,
E deve ter se perguntado,
Será esse o meu futuro?
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Francisco Tribuzi (São Luís)
Poema limitado para o poeta infinito
A Nauro Machado
A metamorfose da Praia-Grande
transforma no que já era
dilacera o cego vaga-lume
luzindo a inexistente primavera.
Só ele vaga, soturno
decifrando ruas, azulejos
do delírio noturno.
Esta cidade que ele navegava
porto-verso-embriaguez
malditamente o nega
embora esteja no que se fez.
Parido poeta que rume
auroras nascidas do vão
poeta-profeta-perfume
da flor solidão.
Amamos teu silêncio soluçante,
digno:teu grito mudo
teu verbo raro, brilhante
teu poema é tudo
o que resta de concreto
para a festa do absurdo.
Francisco Tribuzi
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LETÍCIA MARIANA (Rio de Janeiro)
O VERSO NÃO CALA
O meu verso ascendeu,
Apareceu tal luz sábia,
A escrivaninha ensurdeceu,
Mas o verso? – este não cala!
Soube dos jornais e das revistas,
Do on-line e da televisão,
Ouvi dizer que poeta não vende,
Eu discordo, mas o que me importa é o coração.
O verso não cala, não mata de desgosto,
A poesia é menina, mulher, homem desastroso,
Na canção está o poema,
E no livro ele encanta e mostra o rosto!
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