Original: Uimar Gama Junior Rocha
Neste começo do mês de novembro de 2022, o Maranhão perdeu uma suas grandes artistas: Dila, nascida Dileuza Diniz Rodrigues. sem dúvida, um grande nome das artes plásticas do Brasil, talvez a única maranhense a ser uma expoente da arte Naif no país. Seus trabalhos estão expostos em diversas partes do mundo, (diz-se Museu de Arte Naif de Max Fourny, em Paris e no Museu de Arte de Bariloche, na Argentina), inclusive na residência oficial/administração e demais salões do Palácio dos Leões, em São Luís, além de painéis glorificantes no aeroporto "Cunha Machado", com enorme sucesso. Foi também escultora, gravadora e ilustradora.
No ano passado, por intervenção do Ministério Público, a artista foi resgatada, junto com seu filho, de situação de vulnerabilidade, sendo acolhidos no Solar do Outono. Isso, apesar, não foi empecilho para sua última exposição: “Mostra Homenagem/Dila”, com trabalhos assinados pela artista. Aconteceu no Espaço de Artes Márcia Sandes, na sede da Procuradoria Geral de Justiça.
O que é ARTE NAIF??
Arte Naïf (do francês, arte ingênua) é o estilo a que pertence à pintura de artistas sem formação acadêmica sistemática. Trata-se de um tipo de expressão que não se enquadra nos moldes acadêmicos, nem nas tendências modernistas, nem tampouco no conceito de arte popular.
As obras no estilo naïf são criativas e formadas por um caráter narrativo e figurativo, com a presença de detalhamento de figuras diversas e de cenários, além da presença de bidimensionalidade e composição plana junto a inexistência de perspectiva geométrica linear.
É considerada uma arte com elementos sem conteúdo. O termo inglês Naif pode ser traduzido como ingênuo e inocente, por isso a compreensão simplista. A falta de técnica não retraiu o desenvolvimento desta arte, que recebeu grande destaque, ao ser valorizada por apreciadores da estética e pessoas comuns.
Apesar de sempre ter havido artistas amadores, o princípio do estilo naïf da forma como foi conceituado está relacionado ao artista francês Henri Rousseau (1844-1910).
Esse pintor exibiu algumas telas no Salão dos Independentes em 1886, na França, e obteve o reconhecimento de alguns dos mais renomados artistas, como Paul Gauguin (1848-1903), Pablo Picasso (1881-1973), Léger (1881-1955) e Joan Miró (1893-1983).
Os modernistas ficaram impressionados com a maneira que Rousseau solucionava questões estéticas sem educação formal. Suas telas tinham um vigor simples e poético, com autenticidade "infantil", exibindo temas do contexto popular.
As pessoas que exerciam sua arte como hobby costumavam ser denominadas como "pintores de domingo", e, assim como Rousseau, não tinham um compromisso com as tradições, realizando pinturas mais livres e de acordo com a realidade do "homem comum".
Por conta disso, essa forma de pintar acaba influenciando outros artistas, que renunciam de certa forma a preceitos técnicos e teóricos, buscando a compreensão de todos os públicos, sobretudo das pessoas simples.
Um nome importante para o reconhecimento da arte naïf foi Wilhelm Uhde (1874 - 1947), crítico de arte alemão que, em 1928, promove a primeira exposição do estilo em Paris.
Integraram a mostra: Rousseau, Luis Vivin (1861-1936), Séraphine de Senlis (1864-1942), André Bauchant (1837-1938) e Camille Bombois (1883-1910).
No Brasil, artistas como Maria Auxiliadora (1935 – 1974), Heitor dos Prazeres (1898 – 1966), Djanira (1974 – 1990), José Antonio da Silva (1909 – 1996), Maria do Santíssimo (1890 – 1974), entre outros, foram grandes nomes da Arte Naif brasileira como a maranhense Dila com sua arte reconhecida no mundo todo.
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