Quarta, 02 de Setembro de 2026 22:25
(xx) xxxxx-xxxx
Brasil EXCLUSIVO

Por que o Maranhão abandona (ou até desconhece) seus grandes valores universais?

Leia abaixo texto exclusivo do pensador, escritor e pesquisador Edmilson Sanches

24/11/2022 09h28 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edmilson sanches/O abandono do Maranhão
Edmilson Sanches
Edmilson Sanches

Nota do Editor:o Padre Francisco João de Azevêdo inventou uma máquina-protótipo de escrever, através de teclas e a mostrou durante a grande Exposição Nacional no Rio de Janeiro, de 1861. Mas um americano o persuadiu a levar a invenção para os Estados Unidos afirmando que lá, poderia industrializá-la. E aí ianque Chritistofer Sholes levou a fama e a patente. Em março de 1973 Sholes apresentou como seu, um protótipo igual ao do padre. Logo depois mostrou aos armeiros Remington e a partir daí, todo mundo conhece. O padre entrou para a galeria brasileira dos inventores injustiçados. Mas, e quando as pessoas são reconhecidas como desbravadores, inovadores, dentro e fora do país, todavia quase desconhecidos em sua terra de origem, onde nasceram? É essa a história que Edmilson Sanches conta, abaixo:

POR QUE O MARANHÃO ABANDONA SEUS MAIORES VALORES?

---- Se o Brasil fosse o mundo, o Maranhão seria a França.

Continua após a publicidade

---- Se o Maranhão saísse do Brasil, a economia do Brasil perderia menos de 1,5% [um e meio por cento]. Mas se o Maranhão saísse do Brasil, o País perderia mais de 30% de sua História e Cultura

*

Recentemente, em longa conversa em um café de grande Livraria no Rio de Janeiro, o poeta Salgado Maranhão, meu conterrâneo caxiense, contou-me que ouviu um palestrante dizer, no curso de sua fala: 

“ --- Se o Maranhão saísse do Brasil, a economia do Brasil perderia menos de 1,5% [um e meio por cento]. Mas se o Maranhão saísse do Brasil, o País perderia mais de 30% de sua História e Cultura”. Tal é a grandeza histórico-cultural de nosso Estado.

Como costumo dizer, em termos histórico-culturais, se o Brasil fosse o mundo, o Maranhão seria a França  --  e, nesta França, Caxias seria Paris... 

Reproduzo de memória a frase e substituí o percentual da Economia, com inclusão de dados oficiais, com base no PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil e do Maranhão em 2019, quando o País totalizou R$ 7 trilhões 389 bilhões e o Maranhão, R$ 97 bilhões.

Continua após a publicidade

Por mais que seja difícil quantificar um percentual de participação histórico-cultural de um estado na formação e existência de um país, ainda assim é válido, ilustrativa e simbolicamente, realçar a grandeza maranhense na formação brasileira.

*

Nosso Estado, o Maranhão, pelo talento e esforço de diversos de seus filhos, deu uma gigantes contribuição ao Brasil e ao mundo. 

Assim, “en passant”, podemos afirmar que eram maranhenses quem criou a Bandeira do Brasil (cujo dia é daqui a pouco, em 19 de novembro) e quem deu ou fortaleceu a ideia de o Hino Nacional ter uma letra, que foi Coelho Netto, à época deputado federal, em 1909 e 1917. 

Ou seja, os dois maiores símbolos do Brasil têm a presença maranhense, incluindo-se também os versos de Gonçalves Dias em estrofe do Hino (“Nossos bosques têm mais vida” / “Nossa vida” no teu seio “mais amores”). 

Por sua vez, a cidade maranhense de Caxias é um raríssimo caso de município que está presente três vezes no Hino e Bandeira brasileiros: o criador da Bandeira do Brasil, Teixeira Mendes, é caxiense, e caxienses são também Coelho Netto e Gonçalves Dias

Continua após a publicidade

Maranhenses também são o criador do Ministério da Agricultura (e presidente de honra da Sociedade Nacional de Agricultura); 

...o primeiro dramaturgo negro do Brasil, criador do Teatro Profissional do Negro, cujo nome foi dado ao ano de 2018 pelo Governo Federal; 

...o primeiro tradutor de Shakespeare para a Língua Portuguesa; 

...o introdutor do cinema seriado no Brasil; 

...o idealizador do Teatro Municipal do Rio de Janeiro; 

...o maior governador do Amazonas; 

...o primeiro poeta brasileiro a ser publicado em página do maior jornal dos Estados Unidos;

...o autor da primeira música sertaneja gravada no Brasil; 

...o criador da primeira companhia imobiliária do País; 

...os idealizadores do primeiro banco brasileiro, muito antes de Dom João 6º chegar ao Brasil; 

...o inventor do “stent” (nanotubo que se introduz em artérias para regular fluxo sanguíneo para o coração); 

...o fundador dos bairros Grajaú no Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).

Maranhenses são o redator da Lei do Ventre Livre; 

...o autor da Lei que permitiu a liberdade de crença e culto (com a separação da Igreja do Estado); 

...o autor do primeiro livro científico de Odontologia no Brasil e dentista pioneiro no uso de anestesia, considerado “Glória da Odontologia Brasileira”; 

...o patrono da Medicina Legal brasileira (junto com o médico e escritor baiano Afrânio Peixoto); 

...o criador da Antropologia Criminal; 

...o inspirador da criação da FUNAI (Fundação Nacional do Índio); 

...o pioneiro nas lutas pelas leis de proteção à mulher trabalhadora, ao menor trabalhador, ao doente mental e ao índio; 

...o introdutor do Indianismo na Literatura Brasileira; 

...o introdutor do Parnasianismo; 

...o introdutor do Naturalismo; 

um dos criadores do Concretismo e do Neoconcretismo na Literatura Brasileira; 

...o introdutor do Modernismo nas Artes Plásticas brasileiras; 

...o precursor do romance policial no Brasil; 

...o professor e dramaturgo que é considerado “A Pedra Angular do teatro Paranaense” (e que estudou com grandes nomes do Cinema e Teatro mundial, como Federico Fellini, Roberto Rossellini, Michelangelo Antonioni, Laurence Olivier, Luchino Visconti...).

 

São maranhenses o responsável pela elevação da capoeira no Brasil, como esporte, arte, técnica, dança, luta digna; 

...o escritor três vezes indicado ao Prêmio Nobel; 

...o introdutor do cinema seriado no Brasil, precursor das novelas e séries atuais;

...os autores do primeiro livro de autoria coletiva do Brasil;

...o precursor da Tradução Criativa no Brasil; 

...o médico que é considerado o maior matemático da História brasileira e um dos maiores do mundo; 

...o patrono da Cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras; 

...o pioneiro no estudo do Folclore no Brasil; 

...o responsável pela reabilitação do violão como instrumento musical digno no Brasil; 

...a sacerdotisa de culto afro-brasileiro e última princesa da linhagem direta fon (estudada por escritores, sociólogos e antropólogos brasileiros e estrangeiros); 

...o professor considerado “Mestre dos Mestres” em São Paulo.

Também são maranhenses um campeão internacional de hipismo (inclusive recentemente); 

...o pioneiro no estatuísmo (“estátuas vivas”) no Brasil; 

...o pioneiro em organização de Cerimonial & Relações Públicas no País; 

...um dos fundadores da União Nacional dos Estudantes; 

...um aviador herói da 2ª Guerra Mundial; 

...a “mãe dos pobres” de São Paulo (capital); 

...os primeiros músicos brasileiros a subirem ao palco do primeiro “Rock in Rio” (janeiro de 1985); 

...o primeiro ministro da Ciência e Tecnologia do país; 

...o escritor mais lido do Brasil em sua época; 

...o primeiro presidente do Conselho Brasileiro de Fitossanidade; 

...o dramaturgo, poeta, contista e jornalista e compositor, considerado entre os primeiros letristas profissionais da música popular brasileira. 

 

Também são maranhenses o escritor e jornalista que iniciou a “revolução” gráfica na Imprensa brasileira; 

...o antropólogo, veterinário e ictiólogo que foi um dos primeiros pesquisadores mestiços de reconhecimento científico internacional, fundador da Academia Amazonense de Letras, com placa e álea com seu nome no Jardim Botânico do Rio de Janeiro; 

...o prefeito exemplar de capital no Sul-Sudeste, autor literário reconhecido em diversos países; 

...o autor do primeiro livro de gramática da Língua Portuguesa no Brasil; 

...o fundador da primeira tipografia de São Paulo; 

...o jornalista e escritor que, bem antes de Euclides da Cunha, foi o primeiro a chegar a Canudos e a escrever e publicar livro sobre a “Guerra de Canudos”, na Bahia (1896-1897); 

...o responsável pela primeira contagem populacional (recenseamento) do Brasil, em 1872; 

...o primeiro presidente do Banco do Brasil; 

...a cantora, compositora, multiinstrumentista, professora e folclorista, considerada a “Rainha do Acordeom” e a segunda maior compositora brasileira em número de músicas gravadas, que com menos de 15 anos já se apresentava no exterior, teve composições gravadas em outros países e por grandes nomes da música brasileira, como Nara Leão, Fagner, Clara Nunes, Marlene, Dóris Monteiro, Inesita Barroso, Marinês e Sua Gente, Carlos Galhardo e Zé Ramalho; 

...o músico considerado, na sua época, o melhor violinista do Brasil; 

...os poetas considerados, na época de cada um, o maior poeta vivo brasileiro; 

...a banda militar maranhense que é a segunda criada na história do Brasil;

...e outros maranhenses e ocorrências que foram/são destaques nacionais e internacionais na Ciência & Tecnologia, nas Artes e Cultura (Música, Literatura, Pintura etc.), Meio Ambiente, Educação, Medicina & Saúde, Administração Pública e Empresarial etc.

E o que, maximamente, é tema recorrente na Imprensa brasileira sobre o Maranhão? Que somos o pior ou um dos piores em indicadores socioeconômicos. Quando eu era menino, comprava todo ano o “Almanaque Abril”, desde a primeira edição. Sofregamente, ia logo ver o capítulo sobre os Estados brasileiros para ler o texto sobre o Maranhão. Decepção. Geralmente começava assim: “O Maranhão, estado mais pobre / mais atrasado do Brasil [...]”. 

Autoridades maranhenses e mesmo o mundo empresarial, se já não tivessem outros deveres, também têm a obrigação  --  chamam-na de “responsabilidade social” --  de proporcionar aos maranhenses o conhecimento sistêmico e sistemático, orgânico e organizado dessas informações. Informações que tanto poderiam dar conhecimento quanto, também, ser motivo de inspiração e sadio orgulho para os mais jovens e, por que não?, para todos nós.

Com base nessa exaustiva  -- e ainda assim curta --  lista de grandes nomes maranhenses (que compõem o projeto “Enciclopédia Maranhense”, que elaborei), faça uma reflexão sobre o fato de nosso Estado, repito, ser conhecido “lá fora” apenas por indicadores socioeconômicos péssimos (que devem ser combatidos, revertidos), mas esquece, nosso Maranhão, de divulgar para o Brasil e para além o que de bom a História registra que foi feito por nossos Conterrâneos de antanho. 

O Maranhão não se assenhoreia desse verdadeiro tesouro, desse potencial de Economia Criativa / Economia da Cultura. Relega, bane, expatria ou despreza o pioneirismo, os esforços, o resultado do talento e lutas de seus próprios filhos, que, no passado e até presentemente, contribuíram verdadeiramente para formar, fixar e ampliar a Identidade Brasileira e ajudar a tornar melhor nosso País nas diversas áreas.

Quer saber mais outras dezenas senão centenas de “coisas” em que o Maranhão e maranhenses são bons ou pioneiros etc.? Quer conhecer, apoiar ou associar-se ao projeto “Enciclopédia Maranhense”? Quer uma oportunidade de ser terno com sua terra e eterno com seu nome? Entre em contato: (99) 9.8405-4248 / [email protected] / www.edmilson-sanches.webnode.page . 

---------------------

EDMILSON SANCHES 

Administração - Comunicação - Desenvolvimento - História – Literatura

PALESTRAS – CURSOS - CONSULTORIA

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Prof. Sansão Aluízio NetoHá 4 anos atrásSão Luís MASanches, parabéns pela cronica. Não conhecia tanta importancia do Maranhão, enquanto Brasil e Exterior.
Aristídes Bacarat Há 4 anos atrásLisboa (Évora) PTCaro senhor Sanches, vejo uma falha lamentável nesse belo artigo. O senhor esqueceu de nomear essas figuras todas. Como maranhense de há muito morando aqui nestas bandas de Lisboa, solicito o favor de republicação deste texto com a nomeação dessas pessoas. Pode ser? Ele é muito importante. É um documento valioso.
Marlene TravassosHá 4 anos atrásViana MAEssa é uma verdadeira bofetada em quem não valoriza sua prata de casa. A frase "Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia", de Leon Tolstói está mais atual do que nunca por aquí, caro professor, educador, palestrante e tanta coisa mais, dr. Sanches.
Lucas PQPHá 4 anos atrásImperatriz. MAUé, KD essa “Enciclopédia Maranhense”? Tem que ser mostrada urgentemente. É com trabalho assim que a gente passa a vergonha de ser maranhense.... Eu sou, mas tem horas que me dá uma vergonha danada em ver essa corja política mandando até hoje. Conheço o senhor de longas datas, viu? Brilhante e corajoso.
Germano ReisHá 4 anos atrásMúsico de Aracajusenhor Edmilson, vejo que nada mudou nesse quartel de abranches, mesmo tendo saído daí desde 1972. Uma pena.
Mostrar mais comentários
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
Atualizado às 19h01
15°
Tempo limpo

Mín. 12° Máx. 19°

15° Sensação
2.06 km/h Vento
90% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (03/09)

Mín. 10° Máx. 22°

Tempo limpo
Sexta (04/09)

Mín. 13° Máx. 25°

Chuva
Ele1 - Criar site de notícias