QUANDO A PRIMAVERA PASSAR…
Madalena Ferrante Pizzatto
Quando a primavera passar,
os versos inseguros do meu poema
dirão palavras vazias.
Involuntárias, sem pressa,
com desdém, num gesto tímido,
sutilmente deslizarão num papel,
sem se aterem ao que minha alma sente.
Os seus substantivos estrangulados
apenas se fartaram de algumas pobres rimas,
cores … resplendores , flores … amores…
Sem lamúrias, os versos indolores
não dirão absolutamente nada
daquilo que dilacera e queima a minha alma.
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GORJEAR TRISTE DAS LAVANDEIRAS
Madalena Ferrante Pizzatto
Ao gorjear triste das lavandeiras.
Neste sábado de mormaço,
no balanço verde do mar,
o meu sonho faz-me refém,
de um sentimento travesso.
Sem esperança, sem abraço,
cruzo meus braços, sem gritar.
E, absolutamente como convém,
fecho os olhos, e viro-me do avesso.
O futuro flutua no espaço,
deixo meu presente passar.
Sonhando, vou bem mais além.
Sonhando, eu não me entristeço.
Ao gorjear triste das lavandeiras.
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ENCONTRO-ME
Madalena Ferrante Pizzatto
Um véu soturno invade o céu
e mais um dia chega ao fim.
As sombras densas e embriagadas
caminham e invadem a noite.
Sozinha e sem sair do meu quarto,
fito o teto calado e frio.
A agitação noturna emerge,
fazendo-me refém
… inquieta, cruzo fronteiras do irreal,
e voo à deriva no Universo.
O meu sentimento
abriga-se na estrofe de um verso,
sem rimas, sem medos e sem segredos:
Igual a um poeta,
Rasgo minh’alma,
e traço um verso.
Dentro de mim,
sem lucidez,
sem os desvios,
e sem frações,
encontro-me!
Múltipla… inteira...
Penso
às vezes,
que palavras
vêm do abismo.
abrem-se no mar
ou surgem soltas no ar,
camufladas entre as estrelas.
Na vigília da noite sem um luar,
fatais, flertam-me audazes.
Numa cadência triste,
acuada e exausta,
em meu quarto,
numa solitude.
Sou solitária.
E palavras,
à vezes,
falam!
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