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Brasil SÁBADO POÉTICO

Especial Madalena Ferrante Pizzatto, poeta paranaense, do Centro de Letras do Paraná

Autorizada a publicação pela autora.

26/11/2022 11h57 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Especial Madalena Ferrante Pizzatto
Madalena Ferrante Pizzatto
Madalena Ferrante Pizzatto

QUANDO A PRIMAVERA PASSAR…

Madalena Ferrante Pizzatto 

 

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Quando a primavera passar,

os versos inseguros do meu poema 

dirão palavras vazias.

Involuntárias, sem pressa,

com desdém, num gesto tímido,

sutilmente deslizarão num papel,

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sem se aterem ao que minha alma sente.

 

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Os seus substantivos estrangulados 

apenas se fartaram de algumas pobres rimas,

cores … resplendores , flores … amores…

Sem lamúrias, os versos indolores 

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não dirão absolutamente nada 

daquilo que dilacera e queima a minha alma.

 

****************

GORJEAR TRISTE DAS LAVANDEIRAS 

Madalena Ferrante Pizzatto 

Ao gorjear triste das lavandeiras.

Neste sábado de mormaço,

no balanço verde do mar,

o meu sonho faz-me refém,

de um sentimento travesso.

 

Sem esperança, sem abraço,

cruzo meus braços, sem gritar.

E, absolutamente como convém,

fecho os olhos, e viro-me do avesso.

 

O futuro flutua no espaço,

deixo meu presente passar.

Sonhando, vou bem mais além.

Sonhando, eu não me entristeço.

Ao gorjear triste das lavandeiras.

 

***************

 

ENCONTRO-ME 

Madalena Ferrante Pizzatto

Um véu soturno invade o céu      

e mais um dia chega ao fim.

As sombras densas e embriagadas 

caminham e invadem a noite.  

Sozinha e sem sair do meu quarto, 

fito o teto calado e frio.

 

A agitação noturna emerge,

fazendo-me refém

… inquieta, cruzo fronteiras do irreal,

e voo à deriva no Universo. 

O meu sentimento 

abriga-se na estrofe de um verso,  

sem rimas, sem medos e sem segredos: 

 

Igual a um poeta, 

Rasgo minh’alma, 

e traço um verso. 

Dentro de mim,

sem lucidez, 

sem os desvios,

e sem frações,

encontro-me!

Múltipla… inteira...

 

Penso

às vezes,

que palavras 

vêm do abismo.

abrem-se no mar 

ou surgem soltas no ar,

camufladas entre as estrelas.

 

Na vigília da noite sem um luar,

fatais, flertam-me audazes.

Numa cadência triste,

acuada e exausta,

em meu quarto,

numa solitude.

Sou solitária.

E palavras,

à vezes,

falam! 

 

 

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Maria Inês BotelhoHá 4 anos atrásMandaguariParabéns, Madalena!!!
Lais PedreiraHá 4 anos atrásIMPERATRIZ MaParabéns grande poeta. Tu fostes fundo.
Sandra RiosHá 4 anos atrásRio de JaneiroMadalena, que lindo mesmo.
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