Por Sharlene Serra
Buscando resposta para a reflexão de Mhário Lincoln "se as flechas do cupido deixam marcas profundas", fui ao encontro do arqueiro do amor, o Cupido, que se envolveu e se apaixonou perdidamente por Psiquê.
O cupido estava sempre alerta com seu arco para acertar corações solitários. E assim faz.
Na verdade ele direciona ao alvo e a flecha pensativa sobrevoa pela lacuna existente e passeia nos labirintos contidos do próprio foco; ela, em trânsito, reflete sobre suas intenções para o amor, sobre os desejos, ignorando muitas vezes as nossas regras, e segue para atingir o alvo: “flechaute”! Flechaute! Ou na atualidade, o tão sonhado match. Ali naquele momento, o cupido permite o encontro com o outro e a possibilidade de troca de experiências, descobertas e aprendizagens. Somos envolvidos pela atração inicial e desejamos sim, um amor em reciprocidade...
Amar e ser amado
(Castro Alves)
Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desvelo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
Em teus olhos mirar meu pensamento,
Sentir em mim tu’alma, ter só vida
P’ra tão puro e celeste sentimento:
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano,
Beijar teus dedos em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundido também, amante — amado —
Como um anjo feliz… que pensamento!
Mas o amor, tem seus desafios, possue infinitas faces e caso não aconteça o desfecho descrito pelo poeta, haverá a aprendizagem do amor, pelo simples ato de amar. O Cupido, assiste a contemporaneidade percebe a efemeridade das relações mas não perde o amor de vista, percebe que tudo mudou, que os relacionamentos precisam da palavra degustada dia a dia e o encontro é o fortalecimento para validarem o que sentem, mas muitos já entram incrédulos e buscam culpados para as suas próprias dificuldades no amor.
Não podemos dizer que tais atitudes são falhas do cupido, não coloquemos a culpa ao encontro, mas que saibamos que o amor após o momento inicial também pode ser uma escolha, uma decisão conjunta.
Tríade do encontro
Freud explica?
ou complica?
o desejo de forma analítica.
sensações Nerudianas
sinergia, astros,
estrela cadente
contraria Bauman
amor sólido
transcende
Ah! Cadê as
almas correlatas
alimentadas
na imaginação?
hipnose vital alivia
no encontro consigo
nue virá explosão
Na psiquê
envolvente
tríade presente
de ser tocada
antes do corpo,
na alma
coração e
mente.
Sharlene Serra
E quando a flecha atinge, pronto! Não existem culpados, para o amor, o tempo de permanência é o que se vive. As emoções irão precisar daquele momento, tudo se constrói e reconstrói. Paremos de jogar pedra ao cupido, pois ele gentilmente nos oferece a oportunidade do amor, dos momentos felizes, dos instantes prazerosos, dos encontros, namoros e casamentos de 10, 20, 50 anos; histórias vividas e compartilhadas, e o fim, não significa nada perante o vivido . Onde o erro do Cupido, precisa ser visto como acerto, como um indicativo para nos percebermos antes do "flechaute amoroso", para descobrirmos o que de fato queremos do outro, e ao fazê-lo errar o alvo e as flechas de amor serem direcionadas para nós mesmo, nos redescobrimos amando nossa própria companhia, nossos silêncios, tempos, nossas qualidades e defeitos, assim saberemos compreender o amor no sentido amplo, sem o desespero da paixão momentânea, da atração, e quando o amor chegar, perceberemos.
A verdade é que tudo tem seu tempo e, para o amor, o tempo varia : podemos viver uma linda história de amor em poucos meses ou passar uma vida com alguém e não ter uma história para contar, podemos em pouco tempo ouvir estrelas ao lado de alguém ou por anos, viver terremotos, furacões e tempestades em um relacónamento tóxico.
Que possamos ainda dar as mãos ao Cupido (não atrapalhando a flechada) , que possamos não viver buscando culpados para os relacionamentos que não deram certos, que possamos eliminar o sentimento doentio da pose para que possamos entender que o amor mesmo no fim, deu certo no tempo que ele tinha que dar. As lembranças boas, o aprendizado ficam para sempre.
E sobre a pergunta lançada feito flecha, por Mhario Lincoln: Por que razão as flechas dos Cupidos deixam cicatrizes profundas ?
Precisamos entender sobre a grandiosidade do amor, para que essa pergunta não seja respondida através da dor das cicatrizes que sangram por um amor não correspondido, mas sim, pelas cicatrizes vistas como tatuagem de aprendizado que diante o vivido no amor, nos fortalece, nos evolui e nos torna alguém melhor. A escolha é individual.
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