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Brasil Poemas escolhidos

"O Banquete", do poeta maranhense Luis Augusto Cassas

Publicação virtual no dia 26 de julho de 2022, no Facebook do autor.

31/12/2022 18h03 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Luis Augusto Cassas
Livro.
Livro.

 

(*) Uma pequena homenagem a meu amigo, irmão querido, poeta Luis Augusto Cassas, neste raiar de um novo ano.

IN AGNUS AUGUSTUS

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*Mhario Lincoln

 

Ah, Luis. Luis de todos os Santos, de todas as Ceias, de todos os Becos.

Luis de todos os jeitos, de todos os amores, de todas as dores.

Luis de todas as reminiscências, de todas as liturgias, de todas as paixões.

Luis de todos os evangelhos, de todos os vampiros, de todas as Alcântaras.

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Luis de todos os peixes, de todos os filhos, de todos os deuses.

Luis de todas as britas, de todas as mortes, de todas as auras.

Luis de todas as óperas, de todos os shoppings, de todas as canções.

..................

Ah, Luis. Imola-nos com chuva de versos, como a faca que corta o flagelo insano dos desaedos, dos insensíveis, dos que sofrem da síndrome de Alice, para desmortificar a carne, para derrotar o jejum da clausura hipotética do pensamento. 

Livra-nos do ascetismo litúrgico da ignorância. Prepara-nos para um novo ciclo. Espanta o Concílio de Latrão, desfolheia-nos da bula Vineam domini Sabaoth. Banha-nos com a canção de Ana e Antonio, sob as bençãos de São José de Ribamar, in Agnus Dei.

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Porque você é a Poesia. Evoé, poeta!

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NE: Não é julho, mas é hora de banquete. Sejam banquetes da alma, de saudade. Não importa. O que vale é reproduzir essa obra-prima do poeta Luis Augusto Cassas, um dos nomes mais importantes da poesia brasileira contemporânea. A editoria do facetubes.com.br escolheu esse poema por inúmeras razões.  Especialmente, por  ser "(...) a mãe sempre um tema inspiratório por trazer a claridade do feminino mais profundo e por nos educar no caminho do belo e da vida. (Além do estômago, claro)", escreveu Cassas sobre esses versos. Brindemos, pois a grande ceia do espírito renovado.

 

O BANQUETE

Luis Augusto Cassas

(A minha querida Mãe Míriam, neste 27 de julho, na passagem de seu 9º ano na vida espiritual).

(*) Publicação no dia 26 de julho de 2022, no Facebook do autor.

 

A cozinha ocupava

o maior espaço

na morada íntima

Ao redor da mesa

pregava o espírito

suas lições extraordinárias

de enlouquecer top models

e dar água na boca

As bocas do fogão

acesas no coração

Mamãe era bom-bocado

na mesa de linho branco

distribuindo a sua arte

fogo alto e fogo brando

Panelas talheres e pratos

os utensílios domésticos

e o tempero do sentimento:

caminho da devoção

através do alimento

Por nossas mãos olhos gargantas

passavam frutos da terra água ar

provisões ultramarinas

secos e molhados

incluindo o delicioso sol

e uma insinuante lua

coreografados de desejo

objeto de delícias

Entre o cru e o cozido

o doce e o salgado

desenhava-se o excessivo

devorado e consumido

como caju no tacho

apurando o seu sentido

Quando papai era vivo

competia a biblioteca

com os sabores da cozinha

mas ávido o elenco cult

corrompeu-se com as sardinhas

Nosso trabalho com o fogo

era acender a ternura

pra não apagá-la a gula

Certo dia Freud

apareceu lá em casa

pra analisar a família

e quase perde a asa

(galinhas de parida

voavam sobre a sala)

Confundiu sopa c/ cuxá

e nunca mais Sigmundo

foi convidado a jantar

Lavoiseriamante

a vida se transformava

de libidinosa feijoada

em risoto de carne seca

enqto. os cordões umbilicais

enrolavam-se sob a mesa

sucumbindo à bacalhoada

pra retemperar a fraqueza

ou a um frango envergonhado

rebatizado à francesa

Lavava-se mágoa

c/ peixe-pedra e caldeirada

Fortalecia-se o caráter

quibe de forno e lentilhas

Criar raízes/ramificar

em algum lugar

principalmente o mar

— infestado de camarões

onde desabrochavam ostras

sururus e caranguejos

numa sinfonia marítima —

era a tara gastronômica

a farra pantagruélica

dos membros da família

“— Que é a vida senão morder

os lábios o amor as frutas

conjugar ser e haver

até verter a cicuta?”

cantavam em coro as louças

Éramos o sol da terra

querendo ser luz no mundo

sacrificando as centelhas

à liturgia do estômago

Luz! Luz! Luz! Mais luz!

Qto. mais invocávamos

os manjares dos deuses

no rodízio das estrelas

infiltravam-se à sobremesa

a sombra e os seus espinhéus

como setas na garganta

Vieram o diabetes e a dieta

a carestia e a moda do menos

mas resistia a matriarca

com seus poderes mágicos

grelhando carneiros na casaca

lançando a tristeza às favas

Seríamos nós mesmos o banquete

buscando dar expressão

à fome das palavras

na língua do coração?

Solo extraordinário

o dom do manjericão

e o cheiro da alfavaca

capturava o imaginário

da filha de Leão

perfumando o ar da casa

O sabor do saber

e o saber do sabor

vindos da infância da alma

florescido com ardor

transferiu-o mamãe aos netos

com expressa recomendação

de manter a tradição

unidos ao redor da mesa

repartindo afeto e pão

Assim preparou-nos c/ afinco

a todas as coisas que virão

tudo tem sabor e sentido

quando tempera-o a boa ação

seja do cotidiano amigo

partilhe o sonho e o feijão

pois o paraíso perdido

esconde-o o sol no coração. 

Poeta Luis Augusto Cassas e sua mãe, D. Miriam.

 

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Wellington Reis Há 4 anos atrássão Luís - MaMeu presidente, pensando neste momento em minha mãe, aos 96 anos, sob cuidados médicos, essa Oferenda Lírica, do nosso Cassas, vem atiçar a minha memória afetiva,embaçando meus olhos de pura saudade.
Judith Bogéa Bittencourt Há 4 anos atrásSão Luís-MA Poeta Cassas que floresceu na Rua das Hortas e em sua Ludoviceia desvairada a cita em cores e odores. Ah! Poesias e poetas que nos encantam.
JAIMEHá 4 anos atrásBSB/DFPreclaro nobre Dr escritor jornalista presidente da APB/Facetubes, parabenizo pela magnífica publicação. Show!!! O SENHOR é dez presidente!!! Esperando que em 2023 o senhor possa continuar nos brindando, com essas maravilhosas publicações. Feliz ano novo a todos APB/FACETUBES. Um grande abraço ao senhor e ao nosso vice presidente.
ROGER DA GAMA ROCHAHá 4 anos atrásSão José de RibamarLuís de todos os Santos e de todas as canções. Luís Augusto Cassas, nos ensinou a buscar no coração inspiração para compor prosa e verso. Aplausos!
Raimunda Pinheiro de Souza FrazãoHá 4 anos atrásSão José de Ribamar ???????? ???? ???????? ???? ???????? ???? ????????
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