*Mhario Lincoln
“Tudo isso, magicamente transmutado numa linha de raciocínio prudente e decisivo, com a segurança de quem escreveu cada parágrafo com um pedacinho de sua alma; e do preto e branco, coloriu sua realidade, ancorando a apoteose do texto nos parágrafos, vírgulas e pontos”. (Mhario Lincoln).
Há muito tenho evitado ler manuais de autoajuda. Contudo, quando abro este exemplar de “Caixa-Preta”, de Joseana Sousa, o impacto é de tal forma surpreendente que a emoção torna-se clara e abundante, a partir de duras e reais experiências da autora, como na página 25, quando discorre sobre o suicídio do pai biológico, acompanhado no alto de seus 2 anos de idade.
Confesso que o contexto deste livro é forte, o que vem mostrar um outro lado da moeda, bem aquiescido numa das frases de Osho: “Se você é positivo, então, nada é negativo, pois você é o criador de seu próprio mundo”.
Está aí toda a beleza desta obra, onde mostra uma Joseana Sousa, bem perto do que se delimita ser uma humana Índigo, de acordo com tese dos norte-americanos Lee Carroll e Jan Tober, isto é, pessoas evoluídas, nascidas com um propósito de impulsionar o desenvolvimento do Planeta, em diversas atividades. Porém, por terem um estágio mais avançado de pensar o mundo, geralmente enfrentam graves conflitos em seus núcleos familiares e fora dele, ratificando o pensamento de Osho, citado acima.
O livro é forte, conta experiências multidoloridas, mostra situações desumanas, inacreditáveis, incansáveis e humilhantes, até. Mas não é um romance shakespeariano narrado em primeira pessoa. É, na verdade, um belo compêndio de superação.
"Caixa-Preta" transmite uma realidade incomum. Leva a participar de cada evento intrínseco, de cada vivência ali descrita, fortalecendo toda a estrutura orgânica, quando “os acidentes”, como fala a autora, são transformados em pedra de torque para tornar fortes os sentimentos de quem o lê.
Assim vejo esta obra. Uma representação hercúlea do que ela mesmo escreve, "... não cabe a nós mudarmos o começo. Mas podemos querer, imaginar e fazer um novo fim."
Vale explicitar outra questão interessante: a inclusão, ao final de cada capítulo, de auto-questionários. Isso não é inédito. Porém, o ineditismo se prende ao fato de ser incentivada uma avaliação comparativa das vivências da autora e do leitor. Exatamente aí, a diferença abissal entre "Caixa-Preta" e alguns outros livros congêneres. Assim, Joseana não impõe o seu modus vivendi, como verdade absoluta. Ela deixa o leitor livre para respirar suas próprias conclusões. Simplesmente genial!
Ademais, há um outro lado bem característico da autora: a extraordinária fluidez da linguagem discorrida nas páginas deste livro. Às vezes, são parágrafos aterrorizantes - morte do irmão Cláudio ou suicídio do pai biológico. Nesses casos, como num passe de mágica, acaba saindo da boca inconsciente de quem lê: “ ela vai superar isso…”. É extraordinário quando o leitor torce pela autora conseguir seu objetivo.
Mas, não termina aí a beleza da linguagem. Em outros capítulos, senti-me como se a escrita fluísse de forma iniludível, como quem conta fábulas de Esopo. Acho, até, que para formatar um tipo de configuração léxica tão interessante, além dos insights vivenciados, Joseana acabou trazendo algumas influências benéficas, referenciadas pela pedagogia de Maria Montessori, experiências de Donald Winnicott, pediatra e psiquiatra inglês e a Antroposofia, cultuada pelo austro-húngaro Rudolf Steiner.
Tudo isso, magicamente transmutado numa linha de raciocínio prudente e decisiva, com a segurança de quem escreveu cada parágrafo com um pedacinho de sua alma; e do preto e branco, coloriu sua realidade, ancorando a apoteose do texto nos parágrafos, vírgulas e pontos.
Desta forma, Joseana Sousa convence, porque escreve com palavras do coração, as quais servem, sim, de base para a solução de vários casos de superação especificados no livro, atingindo o objetivo que lhe era favorável naquele momento da vida, como lá pelas páginas 59, quando narra sua tentativa de fuga da cidade natal com apenas 10 anos, em razão de ter suposto ser reprovada de ano e que, por essa razão, poderia levar uma violenta surra.
Arquitetou tudo, mas foi pega e trazida de volta para casa. Vejam só que beleza de conclusão quando ela escreve, “(…) eu não me lembro da surra, então, acho que não apanhei. Ah! Também não reprovei no final do ano. (…)”. Viu que sutileza?
Dessa forma, o leitor atento, imediatamente tira suas conclusões sobre a antecipação do sofrimento e outras coisas inerentes ao contexto. Esse é o mote para que, ao final do capítulo, o leitor responda a questionários inteligentes sobre ele mesmo e não sobre o que a autora pressupôs. Entendeu como funciona?
A beleza desse livro vai muito além das nuvens de um céu de brigadeiro, navegado por uma piloto da aviação brasileira. Reúne força, dinâmica, autoconfiança, ambição e, em muitas páginas, ensina algumas características indispensáveis para uma grande liderança.
Aliás, “...grandes líderes quase sempre são grandes simplificadores. Conseguem passar por discussões, debates e dúvida para oferecer uma solução que todos possam entender.” – Colin Powell, secretário de estado norte-americano. É assim o livro “Caixa-Preta”. Induz o leitor a um entendimento prático, tendo como base, as discussões, os debates/embates e soluções da autora.
Portanto, quem chegar ao final dessas páginas, se sentirá indubitavelmente envolvido por algo parecido com um gestor de alta performance, liderando o seu time, onde cada integrante conseguirá extrair de si mesmo, o máximo, reavaliando forças e fraquezas, construindo “steps” crescentes, com base firme num elo entre o leitor e a autora. É a força de um energizando o outro, em prol de um objetivo comum.
Estou maravilhado com esta obra e vou seguir ao pé da letra, o que Joseana Sousa (ou Claudiane, como a conheciam em São Domingos, no Maranhão, onde nasceu), disse:
“Aterrissagem autorizada: ouse e vá além. Ou, então, escolha decolar”.
Curitiba, 26.12.2022
Mhario Lincoln
Presidente da Academia Poética Brasileira.
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QUEM É JOSEANA SOUSA
Joseana Sousa é Psicanalista, Master Coach Trainer Sistêmica, certificada por renomadas instituições nacionais e interna- cionais, como European Coaching Association (ECA), Behavioral Coaching Institute (BCI), Metaforum Internacional, Instituto Bra- sileiro de Coaching (IBC).
Bacharel em Ciências Aeronáuticas, Pisicanalista Clínica, Psicoterapeuta, com MBA em Treinamento Desenvolvimento Humano e Coaching, Pós-Graduação em Constelação Sistèmica e Hipnose Ericksoniana, Master Trainer.
Analista Corporal e Comportamental, Piloto de Avião e apaixonada por desenvolvimento pessoal. Empreendedora e Criadora do Método Caixa-Preta.
Já atendeu centenas de mulheres em diversos países, entre eles Austrália, Noruega, Itália, Espanha, Portugal, Moçambique e Brasil.
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