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Brasil SEMANA LITERÁRIA

MÚSICA: entrevista exclusiva com um dos maiores fenomenos da produção musical brasileira

Maranhense Henrique Duailibe, um homem de sete instrumentos e de 1 milhão de ideias

14/01/2023 16h21 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: MHARIO LINCOLN/EDUARDO LAGO/HENRIQUE DUJAILIBE
O encontro.
O encontro.

 

POR SER IMORTAL, O TALENTO NÃO EMUDECE, NÃO ESCURECE E NÃO SE PERDE NO TEMPO

*Mhario Lincoln

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Sem dúvida, Eduardo Lago, a convite do Facetubes.com.br traz uma entrevista exclusiva que mostra a trajetória de um dos mais brilhantes músicos do Brasil. Ele é maranhense e se chama Henrique Duailibe. Maestro, arranjador, compositor e músico instrumentista, além de cantor. Duailibe bateu alguns recordes interessantes (individual). Por exemplo, numa só campanha política, conseguiu produzir 580 jingles, para candidatos ligados a 28 prefeituras municipais do Maranhão. Tem sua marca na produção de vinte e dois discos, em Vinil, e em mais de trezentos CDs, incluindo extraordinárias vozes nascidas no Maranhão e cantadas pelo Mundo todo. Mas, em 2015, uma fatalidade tirou a visão de Henrique e aí, ele teve que se reinventar. Essa é a história que é contada hoje aqui, através desse reencontro de Eduardo Lago e Henrique Duailibe, a nosso convite, numa conversa franca. Mesmo que esse áudio tenha sido gravado em celular, a essência dele é a prova máxima de uma revolução pessoal e intransferível de Henrique, que ficará eternamente na nuvem da história. (Mhario Lincoln).

  

A ENTREVISTA EM TEXTO

Eduardo Lago: Estamos aqui com Henrique Duailibe, grande compositor musical do Maranhão, musicista, compositor, cantor e arranjador. Sou Eduardo Lago e estou aqui para entrevistá-lo e conhecer um pouco mais sobre a sua vida.

1 - Henrique, como é que a música começou a fazer parte da sua vida?

R - HENRIQUE DUAILIBE - Oi, Eduardo. É um prazer recebê-lo aqui. Bem, Eduardo, aos três anos de idade comecei a despertar na música. O primeiro elemento musical que fez parte da minha vida foi o ritmo. Eu muito pequeno já fazia ritmo de samba. Onde eu tive muita influência musical na vida dos dois lados estando no tanto no lado clássico como no lado popular, no lado clássico a minha madrinha e prima Zezé Cassas, grande pianista que a gente tinha muito convívio e eu escutava muito. E o meu irmão mais velho Antoninho, que tocava música popular. Então eu sempre gostei do ritmo e eu já o acompanhava pegando o balde de roupa e fazia samba. Por isso, sempre pedia pra papai uma bateria, eu queria ser baterista, não queria ser pianista. Mas aí com a história de vizinho que você sabe que naquela época a gente se preocupava muito em não incomodar vizinho, eu tive de migrar para o piano. Com cinco anos de idade eu já tocava piano. Inclusive, todas as músicas que meu irmão também tocava.

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2 - Com qual idade você começou a tocar profissionalmente?

R - Com quinze anos eu participei de um festival de música chamado “Festival de Verão”, da antiga TV Ribamar, hoje, TV Cidade (Record). E a gente, eu e Marco, meu irmão, com a música Alcântara, ficamos em terceiro lugar e aquilo ali foi uma vitrine pra que eu passasse a ser conhecido pelos artista. A partir dali, tive contato com muitos. Inclusive eu conheci Roberto Ricci nessa ocasião. O Roberto tem a mesma idade minha, nasceu no mesmo mês, em maio, eu sou de quatorze de maio, ele dia vinte. E essa amizade perdura até hoje. Conheci vários outros artistas, dentre esses, Gabriel Melonio. No ano seguinte ao do festival, passei a tocar profissionalmente com ele.

3 - E como foi a sua experiência com o Festivais de Música, como participante e como produtor?

R - Como eu falei, eu comecei nesse “Festival de Verão” acompanhando meu irmão e na mesma época eu já estudava no Colégio Dom Bosco. O pessoal de lá Elizabeth, Ceres e dona Maria Isabel, eram pessoas que faziam muito gosto com a música e incentivavam muito os alunos com os festivais. Então eu participei como cantor naquela época e cheguei a ficar em segundo, depois em primeiro lugar; e assim foi. Aí participei também de “Festival do Meng”, “Festival de Santa Tereza”, do “Marista” e assim foi. Sempre participando como integrante do festival. Na sequência, eu tive o privilégio de produzir o “Canta Nordeste”, da Rede Globo Nordeste, juntamente com Edinho Bastos, um grande parceiro durante a minha vida musical. O conheci em oitenta e três. O “Canta Nordeste” 94/94. Teve uma música que fez muito sucesso e ganhou um desses dois festivais. O radinho, de Cesar Nascimento. Em 2005 eu produzi o festival do “Dom Bosco” e foi um privilégio eu fazer o trabalho que Nonato maestro Nonato fazia e ele foi o grande homenageado desse festival de 2005 e eu fui diretor musical.

Artista Henrique Duailibe.

4 - Quantos CDs você produziu e quais foram os artistas que contribuíram com a sua produção?

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R - Bom, eu comecei a produzir em 1990. Ainda peguei os Vinis, né? Foram 22 vinis e mais de trezentos CD’s, durante a minha carreira. Artistas que eu trabalhei: Gabriel Melonio, Claudio Pinheiro, Papete, Beto Pereira, Alê Muniz, Rosa Reis. Fiz o último CD do Boi de Leonardo. Fiz Claudio Lima, Orquestra de Tambores, fiz os dois CDs do Coral São João, um coral do meu coração, fiz também um CD do Coral de Leonardo que é chamado Leo Botta, numa homenagem ao padre Jocir.

 

5 - Você é formado em publicidade e propaganda, certo? Como é que foi sua experiência durante a sua vida produzindo jingles e trilhas para documentários?

R - Bom, eu comecei antes, eu me formei em 2001, mas eu já vinha fazendo jingles desde a década de 90. Produzi mais de cinco mil jingles durante a minha vida. Trilhas eu não tenho nem ideia de quantas. Só falando de uma campanha pra prefeito, eu atendi 38 prefeituras. Eu acho que eu bati o recorde talvez no Brasil e no Maranhão: gravei quinhentos e oitenta jingles numa única campanha. Então eu tenho uma experiência muito grande com isso, fora as trilhas pra documentários pra Vale, Alumar e também trilhas pra políticos. Trabalhei a campanha de 2010 com Duda Mendonça, fui convidado por Duda Mendonça pra fazer a campanha de Roseana, onde eu tive o privilégio de fazer todas as trilhas e a maioria dos jingles. Fiz muitos documentários com dona Zelinda. Inclusive um documentário sobre a culinária maranhense. Foi muito bacana porque eu usei os ritmos maranhenses pra brindar. Esse folclore tão bonito da nossa terra e da nossa música.

6 - Em 2015, porém, aconteceu uma fatalidade em sua vida, que foi a perda total da sua visão. Como foi a sua adaptação e reinvenção musical Henrique?

R - Bom Eduardo foi terrível porque além da depressão que eu tive muito grande que eu quase morri. Desaprendi a tocar, não conseguia mais tocar meu teclado, porque eu não tinha campo visual, então eu tive de desenvolver uma maneira de tocar. Voltei a tocar rapidamente o violão, porque o violão não necessita de visão, então foi um instrumento que me ajudou muito, pois foi com o violão que compus meu primeiro CD Gospel. Depois dessa experiência de perca de visão eu fiz o trabalho “Divina luz” que está no meu canal no YouTube. Só pra você ter uma ideia, eu levava uma semana pra produzir um CD. Esse CD “Divina Luz” eu demorei um ano e quatro meses pra fazer ele, porque eu tive de reaprender tudo de novo, inclusive produzir. Eu fazia um contrabaixo no teclado com muita facilidade. Na hora de produzir porque eu não conseguia fazer o básico diante da facilidade que eu tinha antes. Então eu tive de reinventar uma maneira, me guiando pelas teclas pretas do piano. Hoje é muito interessante. Se as pessoas observarem o tempo todo eu fico deslizando pelas teclas pretas pra poder tocar. Mas foi uma experiência que só vem me engrandecer como ser humano. Em saber que eu continuo sendo útil mesmo cego. Isso tira esse paradigma de que o cego é pedinte. Cego é competente como qualquer outra pessoa. Capaz de fazer qualquer coisa e integrar uma sociedade.

Eduardo Lago (Coral São João).

7 - Atualmente quais os projetos musicais que você tem feito e publicado no seu canal do YouTube já que você começou a falar do YouTube?

R - Eu tenho um canal no YouTube chamado “Henrique Duailibe Canções”. Depois que eu fiquei cego as pessoas não quiseram mais tocar comigo, eu não tive mais convites. Infelizmente isso é triste falar, mas foi por causa da discriminação que a gente sofre eu me voltei a produzir as minhas coisas. Tenho em torno de uns dez trabalhos no YouTube com participações. Aliás, eu participei de um show muito bacana financiado pela Vale com a minha prima Sandra Duailibe foi um CD que ela homenageia os artistas maranhenses. Chama-se “Morada do Sol”. Depois eu fiz um CD no estúdio de Renato Serra com ela. Numa tarde só a gente gravou. Pra você ver. Eu consegui recuperar toda a minha musicalidade. Entendeu? A parte de produção eu comecei a produzir no celular. Hoje eu produzo num iPhone com Garage Band.

 

8 – Poxa, que bom! E pra finalizar, qual é a mensagem que você deixa para as pessoas que estão começando na música e também pra o poder público?

R – Bom, Eduardo.  Antes de mais nada quero agradecer você ter feito essa entrevista, que vai para o nosso amigo lá em Curitiba Mário Lincoln, editor-chefe da plataforma do Facetubes.com.br. Foi ele quem me fez esse convite e você está sendo assim um intermediário lhe agradeço muito. O que eu posso dizer para as pessoas que estão começando na música é que elas sempre trilhem o caminho da humildade. Por mais que elas sejam boas, por mais que elas tenham conhecimento, sejam bons músicos, bons cantores, nunca, nunca sejam soberbos. Sempre olhem as pessoas que estão ao redor e valorizem os profissionais também. Sempre enxerguem o valor que os profissionais têm, procurando trilhar o caminho, sem pisar nos outros. E quanto ao poder público eu digo que precisa enxergar mais as pessoas com deficiência que fazem parte da nossa cultura. Eu acidentalmente perdi a visão com quarenta e nove anos e não tive mais oportunidade de trabalhar. Quando eu perdi a visão eu estava na Assembleia Legislativa, sendo editor de áudio. Era um emprego que eu gostava muito e de repente perdi a visão e não pude mais trabalhar porque não tinha mais acessibilidade lá. E eu gostava muito. Tive de me aposentar infelizmente. Hoje eu me encontro nessa situação. Não tenho oportunidade de trabalho. E eu digo isso ao Poder Público. Enxergue mais essas pessoas. Preparem mais as suas repartições e o mercado, o turismo, estúdios de música, a fim de receber pessoas que, mesmo com alguma deficiência, são capazes de se integrar na sociedade. E aqui eu deixo o meu agradecimento e um abraço a todos.

 

A ENTREVISTA EM ÁUDIO

 

Direção de entrevista: Eduardo Lago

Entrevistado: Henrique Duailibe

Produção: TV do Facetubes/10.01.2023/S.Luís-MA.

 

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