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Brasil CONVIDADOS DA APB

José Neres, convidado da APB, escreve: "SOBRE AMOR E ANEXINS"

José Neres é membro da Academia Maranhense de Letras e indicado para a Academia Poética Brasileira.

25/01/2023 18h07 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: José Neres
Artistas em Cena
Artistas em Cena

 

José Neres*

Escrita em 1872, pelo teatrólogo maranhense Artur Azevedo, a peça Amor por Anexins é uma das obras mais conhecidas e representadas nos palcos brasileiros. Então, quando aparece a notícia de que esse texto será novamente levado à cena, surge logo uma dúvida na cabeça de algumas pessoas: “Será que essa comédia de costumes do século XIX ainda pode divertir o público contemporâneo?”

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A resposta tem sido dada nos últimos meses, com a nova montagem dirigida por Elias Andreato, com direção musical de Jonatan Harold e protagonizada por Cláudio Lins (no papel do histriônico Isaías) e Mariana Gallindo (interpretando a bela e jovem Inês). O público maranhense teve a oportunidade de conferir o espetáculo que esteve em cartaz no Teatro Napoleão Ewerton e, em pouco mais de uma hora, pôde presenciar a junção perfeita e bem humorada entre texto teatral, música e dança. 

Com marcações precisas e domínio das técnicas vocais e corporais, os dois atores levaram para o público um repertório musical de primeira linha, com uma mescla de canções antigas e atuais, mas que convergiam para a temática central da peça e para o desenrolar das cenas. No palco, os músicos delineiam uma trilha sonora que acompanha os trejeitos e a personalidade das personagens, com algumas intervenções e interações que tornam o processo ainda mais dinâmico e criativo.

José Neres. Foto: Clayton Monteles

Mariana Gallindo imprime em sua personagem toques interpretativos que levam a plateia a um tipo de riso que não interfere na compreensão da trama. O mesmo ocorre com o ator Cláudio Lins, que também aproveita seus dotes musicais e boa presença de palco para compor um Isaías bastante malicioso e cheio de picardias. O casal de atores demonstra bastante sintonia e fazem com que uma situação que é teatralmente forçada ganhe contornos de naturalidade estética bastante verossímil.

O cenário minimalista remetendo a uma mistura de vintage com clássico e Pop Art ficou perfeitamente adequado à proposta do espetáculo e de alguma forma imprimiu uma dinâmica de alegria e de saudosismo ao mesmo tempo. O moderno e o tradicional se encontrando em um mesmo local, em sintonia com os adágios de Elias e os devaneios de Inês, entre a opulência e a necessidade.

Os dois atores ficam tão à vontade no palco que até mesmo os breves momentos de desconcentração passaram quase despercebidos para a maioria das pessoas da plateia. De modo geral, foi uma apresentação brilhante de um texto brilhante, com atuações espetaculares. A breve interação com o público nos momentos finais deu um toque de humanização a uma peça que, apesar de antiga, nestes tempos ditos modernos, ainda há espaço para arte, teatro, anexins, talento e bons momentos. 

Como quem espera sempre alcança, valeu a pena esperar pelo espetáculo. Todos os aplausos foram merecidos.

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José Neres é professor, escritor e membro da Academia Maranhense de Letras.

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Hilmar HortegalHá 4 anos atrásSão Luís MAMaravilha Prof. J Neres. Bons seus textos. Um privilégio poder lê -los, bem construídos. Conhecer uma obra de Arthur Azevedo é um brinde, caro Prof. Neres. Humildemente agradeço a oportunidade..
Arlete Nogueira TavaresHá 4 anos atrásTeresina Piaui, estudiosa e leitora assídua de anexins.A única impressão que nós temos, antes de assistirmos a encenações dessa peça é conotar um veio satírico. Matutei para saber o que era ANEXIS. Um deus grego? Uma deusa? Então achei no pai dos burros. Anexim é o mesmo que apotegmas, ditados, ditos, máximas, provérbios, rifões. É a isso que o Artur Azevedo quis se referir, professor José Neres. Ainda não assitir a peça. Tire-me esta dúvida. Obrigada.
Luciana Regente, atriz e já integrou elenco da peçaHá 4 anos atrásSão PauloAplausos professor José Neres. Rico em detalhes. Rico em conhecimentos. Rico em história biográfica. Rico em observações que olhos comuns nunca teriam visto. Obrigado.
Escultor José Mendes ( zé sapateiro). Lembra?? Faz tempo.Há 4 anos atrásquinta-feira 15:12, em Orly, FrançaBel après-midi José. Fui a São Luís para o São João de 2021. Procurei por ti e não encontrtei. Faz tanto tempo, cumpadi. Só de Orly, moro a 27 anos. Mas te encontro aqui neste jornal escrevendo tão lindo que me emocionei. Vou falar uma coisa, José? Achei o ó do borogodó aquela decoração de são joão toda de plástico enfeiando o destruído Centro Histórico. De quem foi a infeliz ideia de plastificar tudo, quando o Mundo luta contra. Vála-me Jesus. Te encontrar foi ótimo. Vou voltar a te ler aqui?
Tácito Lima, professor e teatrólogoHá 4 anos atrásMaranhense de recifeNeres, acho que vc representa o melhor de hoje no maranhao. Sem puxamento de saco. Tu e Alex Brasil são o futuro de nossa cultura viva.
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