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Cidades TEXTOS ESCOLHIDOS

Textos de Dino Cavalcante recuperados do Blog Dino de Alcântara, Literatura, crítica e cultura

Convidado da Academia Poética Brasileira.

04/02/2023 17h24 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Dino Cavalcante
Textos escolhidos.
Textos escolhidos.

Nota do editor: é com uma honra imensa reproduzir aqui alguns eventos históricos e alguns 'causos' bem interessantes contados no aplaudido blog do professor Dino Cavalcante, (Dino Alcântara), a quem parabenizo com muita satisfação renovando votos de alta estima. Seja sempre bem-vindo, amigo. 

 

Dino Cavalcante, convidado APB. 

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O Aparte, no parlamento, é a permissão para falar dada por um orador a outro parlamentar pelo tempo máximo determinado pelo regimento das casas legislativas. 

Desde a instalação do parlamento brasileiro, após a Independência do Brasil em 1822, o aparte passou a ser uma constante nos debates dos deputados e senadores. 

No Maranhão, nos idos de 19.., na Assembleia Legislativa, o deputado governista Bernardo Coelho de Almeida  discursava defendendo as ações do chefe do executivo estadual, ao que o oposicionista Erasmo Dias solicitou um aparte ao nobre orador. 

Não original do texto.

– Nobre deputado, Vossa Excelência me permite um aparte? 

E orador continuava discursando sem que, ao menos se dignasse a dizer se permitia ou não. 

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Mais uma vez Erasmo Dias conclamou o aparte. Nada. Então partiu para uma infração ao regimento da casa, quebrando o silêncio necessário ao discurso, com ruídos provocados pelas cordas vocais. 

Incomodado com o barulho do oposicionista, Bernardo Coelho de Almeida, da tribuna, vociferou: 

   – Já começo a ouvir as vozes dos demônios que adentram esta casa do povo em algumas sessões! 

Ao que, sem titubear, Erasmo Dias, valente, corajoso, desferiu: 

– São os ecos de sua própria voz, deputado! 

 

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ALGUNS REGISTROS HISTÓRICOS 

A foto da Oficina dos Novos/1.900. 

Registro dos membros da Oficina dos Novos, instituição fundada a 28 de julho de 1900 

Um registro da Oficina dos Novos, instituição fundada a 28 de julho de 1900. A maioria dos seus membros fundaria, em 10.08.1908, a Academia Maranhense de Letras. (Sentados da esquerda pra direita, na foto: José Luso Torres – Antônio Lobo – Fran Paxeco – Sebastião Sampaio. Em pé da direita para esquerda: Jerônimo José Viveiros – Raul Astolfo Marques – Luís Carvalho – Alfredo de Assis Castro – Edgar Almeida – Raimundo Correia de Araújo – Raul Soares Pereira). 

 

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 GONÇALVES DIAS: CARTA/PEDIDO DE CASAMENTO 

 

Original do Blog.

A Dona Lourença Francisca Leal Vale, Estou por momentos à espera do vapor, em que hei-de partir para o Ceará: por este motivo, e por que a minha demora já tem sido bastante longa, não posso ir à Alcântara pedir-lhe as suas ordens, — nem para falar-lhe de um negócio que me interessa, e sobre o qual me permitirá de a ocupar por alguns momentos. Parecer-lhe-ei importuno e impertinente: por isso também para escrever-lhe esta, preciso de recordar-me da bondade suma com que me tem tratado. Para lhe falar sem rodeios, a que estou pouco acostumado — eis o de que se trata: peço-lhe Dona Ana Amélia [Ferreira do Vale] em casamento. Fazendo-lhe semelhante pedido, quero e é do meu dever ser franco. Não tenho nem a ambição de figurar na política do meu país, nem o amor de fazer fortuna, e quando se desse o contrário faltar-me-ia ainda a habilidade, o jeito para alcançar ambas, ou qualquer destas cousas. Assim parece-me que nem chegarei a ter mais do que hoje tenho, sendo difícil que venha a ter menos, nem valerei mais do que hoje valho, que é bem pouco. Não desconheço que outros, e de certo melhores partidos se oferecerão para sua filha: a única compensação que lhe posso oferecer, mas que não sei se a julgará suficiente é que me parece ter conhecido quanto ela por suas qualidades se recomenda, e querer lisonjear-me de que a trataria quanto melhor pudesse, bem que não quanto ela merece. — Rogo-lhe pois que não veja neste meu pedido atrevimento da minha parte; porém o desejo grande que tenho de me ver ligado com uma família, a quem por tantos motivos respeito e sou obrigado, e a uma pessoa a quem desejaria ter por companheira. Sendo afirmativa a sua resposta, voltarei do Rio, tendo assegurado de alguma forma o meu futuro, e o mais breve que puder para aceitar o seu favor, e beijar-lhe as mãos por ele. No caso contrário posso asseverar- lhe que acostumado de há muito a sofrer reveses na vida, não será este dos menores. Procurarei persuadir-me que algum motivo mais forte que a sua natural bondade terá obstado ao seu consentimento, e consolar-me-ei com a lembrança de que me esforcei por alcançar a mão de sua filha, e não fui digno de a merecer. [B.N. ] [1851] G. Dias. DIAS, Gonçalves. CORRESPONDÊNCIA ATIVA DE ANTÔNIO GONÇALVES DIAS. ANAIS DA BIBLIOTECA NACIONAL. Vol. 84. Rio de Janeiro: BN, 1964. 

Fonte: Moradas e Memórias: O Valor Patrimonial das Residências de São Luís Antiga através da Literatura. Flaviano Meneses. São Luís: EdUFMA, 2015  

 

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UM CIGARRINHO PARA UM TÍSICO 

Em breve depoimento na Galeria do SESC, em 31 de agosto de 2022, o poeta José Maria Nascimento disse que, quando estava com tuberculose, internado no hospital Getúlio Vargas, no João Paulo, conhecido como Sanatório de São Luís, para onde iam todos os acometidos pelo Bacilo de Koch, costumava receber a visita de uma das figuras mais expressivas da Literatura Maranhense toda semana. Isso em meados dos anos 60. 

 

 Todos, inclusive os leigos, sabiam, ao contrário dos pacientes do século XIX, que o tabaco era um veneno para os doentes do pulmão. Então, quem quisesse se recuperar o mais rápido possível teria que ficar longe dos cigarros, dos charutos, etc. 

 

E toda semana, nas horas apropriadas, lá estava o visitante, que era também compadre, trazendo além de livros, palavras de conforto. Ficavam horas conversando sobre a cidade e os homens, sobre a política sobre os lançamentos de livros, sobre as figuras da boemia maranhense, etc. 

 

Porém, num sábado, 2 de agosto, o escritor chega com um livro, que logo abre e recita dois poemas. Após a leitura, que José Maria Nascimento aprova com a cabeça, o visitante mete a mão no bolso, tira três cigarros e uma caixa de fósforos e os entrega ao paciente. O tísico, olha, examina bem, pega os cigarros e o fósforo com gosto, mas logo fica sisudo, meio encabulado, pedindo ao compadre logo em seguida: 

 

– Olha, compadre, da próxima vez traz só um cigarro. Eu estou tuberculoso! 

 

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JAIME Há 4 anos atrásBSB/DFO presidente da APB e a fonte onde ele foi pautar esse artigo, show.
José Pereira de Matos (Pinduca)Há 4 anos atrásSão Paulo. Fora do MA há 25 anos.Salve mestre Dino de Alcântara. Felizaço te ler aqui. Tem ido a nossa Alcântara? Saudades de lá. Abraços,
Sávio Luiz, poeta e trovadorHá 4 anos atrásSão Luís MAIlustre dino. que bom tê-lo aqui. Uma leitura muito boa e descontraída. ano passado estava eu num lançamento de livro na AMEI e o poeta Nascimento contou essa mesma história confidenciando, inclusive, o nome do poeta que lhe levada cigarros.
Juarez Medeiros de Oliveira, professor e historiadorHá 4 anos atrásCaxias MAProf. Dino. Muito bom esse esclarecimento. Até então essa estória rodava a cidade como se o deputado provocador que não deu o aparte fora Orlando Leite, que havia dito a Erasmo, "... estou a ouvir um rosnar de um cão..." pelo que ouviu como resposta "... deve ser o eco de sua própria voz", fato que levou a uma 'vias de fato' e uma consequente disputa física. Mas agora vejo que essa estória envolvendo Orlando e Erasmo não era a verdadeira história por você contada. Obrigado.
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