(Continua...)
Katia Vargas (Atriz, diretora e professora de teatro na Oficina de Teatro Vitória, ASAB e Casa de Convivência Clara Nunes): “O teatro contemporâneo é considerado teatro do
absurdo, teatro da crueldade, uma forma de atuação teatral não convencional, podendo ser representada em qualquer espaço. O teatro contemporâneo é muito utilizado como a forma mais direta de representar um assunto mais delicado ou polêmico como preconceito, tabus, conflitos humanos...São temas que geralmente levam o publico a uma reflexão sobre aquela situação, às vezes mostrando outros pontos de vista, outras formas, visões de lados opostos, enfim, assuntos que podem fazer a plateia analisar melhor e em algumas peças levam a interação entre ator e público (quebra da quarta parede).O teatro fornece cultura, entretenimento, colabora bastante para o desenvolvimento e crescimento de todo ser humano. O teatro é vida. E a vida é arte!!!!”
Lauro Senna (ator e diretor): “Apesar de ter sofrido triste paralisação pelo COVID 19, o teatro procurou se fazer e se renovar nesse período tão difícil; trazendo em seu retorno, importantes reflexões sobre o dia a dia da existência humana, função precípua dessa atividade”. Leo Carnevale (ator, diretor, palhaço): “O teatro é arte que está em nosso cotidiano. Parece que não, mas sim. Todo nosso desenvolvimento como pessoa está ligado de alguma forma a dramaticidade das experiências da vida. Desta maneira, por mais que se grite a sua crise, o teatro está sempre jovem e nascedouro. Em nossa contemporaneidade, o teatro tem diversas formas de manifestações que se desdobram do entretenimento a vanguarda. E em todas essas linguagens observamos esta ligação com os aspectos da vida humana. São conexões que agem na construção dessas experiências e nos processos de desenvolvimento pessoais. Teatro ensina. Sua utilização pedagógica nem sempre esta aparente mas sua função social é vivenciada de forma aberta ou entre linhas de comunicação. O teatro contribui em nosso crescimento pessoal permitindo vivenciar experiências e situações que podemos vir a passar em nossa vida. Sua função social está longe do conhecimento do senso comum. Mas está totalmente imerso na vida de todos”.
Linda Barros (atriz, escritora, poeta e professora e integrante do Grupo de Teatro Improviso) A companhia existe já há 17 anos. Segundo o diretor Marcos Dominici, “o grupo começou o trabalho com jovens estudantes que gostavam de teatro e não tinham oportunidade de praticar as artes cênicas”. Ainda segundo o Dominici, “ganhou respeito e reconhecimento por parte do grande público e hoje tem uma trajetória consolidada no teatro profissional, levando entretenimento a público de todas as idades”. O Grupo Improviso é eclético, sendo também responsável pela produção cenográfica, de figurinos, caracterização, direção teatral, assim como produção executiva de vários espetáculos de outras companhias.
Nísia Rocha (atriz): “O teatro tem uma importância muito grande na vida das pessoas que assistem e dos que atuam. Essa contemporaneidade faz parte do grande cenário e sua ousadia. Hoje o teatro contemporâneo se identifica com apresentações que eliminam a distância entre o artista e o público, tornando-se um caminho de abertura para grandes apresentações e encenações que mostram e colaboram para disseminarmos o amor e o respeito pelos outros sem nenhum julgamento”.
Maria Itskovich (atriz, cantora, compositora e prof. de música em SL): “Teatro é uma linguagem artística que sempre traz as outras linguagens para próximo. A diversidade e varietividade é enorme. Diferente mente do cinema o teatro busca trazer elementos plásticos para dimensionar uma realidade mas com lente de aumento, enquanto no cinema brasileiro predomina desejo de aproximação exata ao mundo real. Acredito que como todo fazer artístico o teatro hoje em grande maioria vive para atender uma demanda, onde necessário levar em consideração não só o mundo e poética a ser construída mas transportabilidade do cenário e dos artistas, as pautas atuais da sociedade, direitos autorais da dramaturgia. Embora existem ainda produções gigantescas como os da grande indústria das músicas cada vez as produções se tornam mais minimalistas para poderem ser sustentáveis.
Com a pandemia de COVID-19 ainda veio novo formato de teatro online, um teatro filmado e sem plateia que ainda que não seja cinema, é exibido em um tela e filmado por uma câmera. Mas essa já é uma realidade teatral mesmo sem pandemia pois grande impacto midiático é produzido pelas fotos e mídias digitais. Qual será o futuro do teatro neste mundo contemporâneo?
A verdade que no entre os vídeos da internet grande popularidade hoje está entre os shows de stand-up, um formato onde existe um comediante (ator) que performa uma peça de as vezes uma hora ou mais e consegue prender a atenção do publico talvez mais do que certo filme de vingadores com toda sua tecnologia envolvida. Eu acredito que este seja o grande poder do teatro, enquanto existir mesmo que seja apenas um ator que ira contar a sua verdade mediante uma plateia a essência do teatro vai continuar viva”.
Romulo Reis (ator, declamador, escritor e poeta- SL): “Atualmente, em nosso estado destacam-se três instituições na formação de profissionais na área teatral, são elas: UFMA-(Universidade Federal do Maranhão )que disponibiliza o curso de licenciatura em Teatro; C.A.C.E.M. - Centro de Artes Cênicas do Estado do Maranhão que disponibiliza o Curso Técnico em Arte Dramática, órgão anteriormente ligado a Secretaria de Cultura, mas recentemente sofreu um processo de transferência para a Secretaria Estadual de Educação, o curso que durava aproximadamente dois anos e meio, atualmente tem a duração estarrecedora de apenas um ano. A terceira instituição de maior destaque no cenário estadual é o Grupo GRITA da Comunidade do Anjo da Guarda que há mais de quarenta anos realiza A Via Sacra, o maior espetáculo teatral do estado, além de inúmeras atividades como as oficinas e os cursos ofertados ao público local. Apesar da distância dos grandes centros culturais do país, a nossa capital São Luís possui belíssimos espaços destinados aos amantes da arte dramatúrgica, O Teatro Arthur Azevedo é o mais imponente e suntuoso, porém existem outros: O Teatro da Cidade (recém reformado); O Teatro João do Vale e O Teatro Alcione Nazaré no coração do Centro Histórico configuram-se entre os principais”.
Sergio Fonta (dramaturgo, ator e diretor): "O teatro na contemporaneidade, por mais contemporâneo que seja, terá sempre sua raiz nos primórdios do comportamento do homem e da mulher. Mesmo antes da pandemia e agora, pós-pandemia, precisaremos sempre do humano para ser um teatro dos tempos de hoje, com todas as suas contradições, suas virtualidades, suas paixões, sua necessidade de ser e de estar. E de mover. A si próprio e aos outros. Aí entram função social, capacidade de arregimentar, de experimentar, de agregar, de conscientizar. O teatro é dono dos verbos. E do infinito".
Tácito Borralho (dramaturgo, ator, diretor de teatro, carnavalesco, arte-educador, tutor em artes em teatro de animação): “O teatro continua sendo o mesmo. Porém, a forma de representar, de fazê-lo acontecer tem adequado algumas situações. Por exemplo: a maioria de atores e atrizes que não conseguem manter o tipo de interpretação de forma tradicional, caem no campo da performance. Essa forma de representar e de atuar é muito menos exigente, por exemplo em: expressão corporal e técnicas vocais. As pessoas trabalham a corporalidade sem técnica muito tradicionais. O teatro contemporâneo teve avanço e recuo. Ao entrar na investigação da área cênica, muitas pessoas deixando de lado os princípios básicos e formais da teatralidade. Porém, há um grande avanço nas tecnologias que servem ao teatro como forma de enriquecimento das visualidades, da sonoridade – uso em massa de microfone auriculares. O teatro contemporâneo continua sendo teatro. Depende da companhia e do diretor... Por mais que tende fazer experimental, não deixa de fazer teatro. A chamada performance não tem eliminado a forma tradicional de espetáculo. Só que esta forma tradicional é atualizada”.
A questão da performance mencionada por Borralho, faz-me lembrar de dois grandes artistas de São Luís: Ulmar Jr. e Josimael Caldas. Este fez uma apresentação brilhante de um fragmento da Harpa 32, de Sousândrade, na Casa Cultural Josué Montello, em homenagem aos 5 anos do Sarau Poético Ludovicense (https://www.youtube.com/live/0_DIyPdNmDE?feature=share).
Para ilustrar tudo aqui exposto, uma peça contemporânea: o monólogo, "Como sobrevivi a mim mesma nesta quarentena", de Rita Fischer proporciona momentos de muito riso, descontração. Roteiro, atuação, repertório musical de Edith Piaf (dentre elas: C’ est l’amour, La foule, La valse de l’amour) constituem um triângulo perfeito.
Jogo cênico da atriz faz com que o palco ganhe vida, explora bem o espaço composto apenas de uma cadeira e um borrifador. A cada esquete um penteado para o cabelo. O que conferia ainda mais realismo aos temas tratados: do pato à sexualidade. Além de todo riso, a peça é reflexiva. Há uma mensagem a ser transmitida: apesar de todos os dissabores, tudo há de dar certo. É preciso haver esperança, controle emocional para poder lidar com as adversidades da vida: “Não importa o que esteja passando, vai passar!”.
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