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Brasil RESENHAS DE MHL

Euclides Moreira Neto atravessou a pandemia escrevendo histórias e desabafos

Resenha de Mhario Lincoln do livro "A Travessia da Pandemia", de Euclides Moreira Neto.

08/02/2023 18h07 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
arte: MHL
arte: MHL

A TRAVESSIA DE EUCLIDES

 

*Mhario Lincoln

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Logo que abro aleatoriamente o livro "Travessia na Pandemia", desse incrível Euclides Moreira Neto, e me deparo, às pgs 29, com crônica sobre os 40 anos da greve da meia passagem, em São Luís, me vem à cabeça, em primeiro lugar, lê-lo por inteiro. Em seguida, me aparecem recordações sobre "O Sétimo Selo", cuja direção e roteiro é de Ingmar Bergman. A passagem original do filme é a seguinte:

 

Após dez anos, um cavaleiro retorna das Cruzadas e encontra o país devastado pela peste negra. Sua fé em Deus é sensivelmente abalada e enquanto reflete sobre o significado da vida, a Morte surge à sua frente querendo levá-lo, pois chegou sua hora. Objetivando ganhar tempo, o cavaleiro convida-a para um jogo de xadrez que decidirá se ele parte com a Morte ou não. Tudo depende da sua vitória no jogo e a Morte concorda com o desafio, já que não perde nunca.

 

Travessia na Pandemia”, enquanto durou sua composição, era um tabuleiro de xadrez, onde seu autor, o professor e cineasta (coincidência?) Euclides Moreira Neto, desafiava a Morte, também! Aliás, todos os humanos deste Planeta, nessa ocasião, foram desafiados pela Morte.

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Uns perderam, outros ganharam. Moreira Neto ganhou esse jogo, transformando seus dramas e medos existenciais neste belo apanhado de sensações líricas, numa prosa cromática de alto valor prático e persuasivo, dada as condições em que o Planeta se encontrava naqueles meses de muita angústia.

 

A importância deste trabalho extrapola o igualitário, o mesmismo, o antipático, o acadêmico chato e ilegível, porque com inteligência e experiência de há anos, Euclides vacina seu enredo incluindo altas doses de fenômenos sociais e culturais.

 

Às vezes vociferando contra o explícito abandono das 'forças' político-sociais vigentes às coisas da terra, outras vezes rememorando fatos e histórias que povoam o coletivo imaginariamente real dos dias de antanho.

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Não é uma obra de vaticínio médico. Porém, é uma forma inconteste de Euclides 'vacinar' sua própria cabeça pensante e dividir com os leitores, suas preocupações, anseios e algumas intimidades, até então, espalhadas por outros livros dele. É fácil enxergar esses excertos rememorativos e inteligentes neste “A Travessia da Pandemia”.

 

Euclides Moreira Neto, destarte, não esquece igualmente, a sua essência: cinema e suas variações envolvendo a cultura regional. É um grito sociocultural de amplo espectro, sob o manto pandêmico, em um momento de reflexão interior, de um diálogo com sua própria obra, em seu próprio contexto, expondo a si mesmo na tela projetada, no stadium da vida, sem quaisquer medos.

 

 

Os fazedores de cultura, os grupos e a grande maioria de nossa gente, que são responsáveis pela fantástica diversidade de nossas manifestações populares, têm se virado sozinhos, como se estivessem órfãos da interlocução oficial (...)” (EMN).

 

 

E essas avaliações, crônicas, opiniões, ideias e reclamos são fruto da direta interferência e das implicações sociais, as quais não se restringem à contaminação pela doença, mas à contaminação pelo desprezo da coisa pública, das tradições, dos enredos de uma 'Athenas Brasileira', das revitalizações de pontos históricos, do clamor da cultura popular, dos alertas contra ideologias insanas o que, assim como a doença, na época, não possuíam soluções práticas.

 

 

Enfim, ler "Travessia na Pandemia", é um bálsamo para todos aqueles que amam Cultura. Que amam Cinema. Que amam São Luís. Que amam manifestações regionais e lutam por tudo isso. Um grito! Antes de um apelo. Uma verdade! Antes de soslaios apaixonados. Uma razão! Antes de amancebados uivos ideológicos.

 

Como se vê, no jogo de xadrez com a Morte, Euclides Moreira Neto ganhou.

Xeque-Mate!

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Mhario Lincoln

Presidente da Academia Poética Brasileira.

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Antonio Guimarães de Oliveira Há 4 anos atrásSão Luís Maranhão Professor Euclides Moreira Neto, muito talentoso, criativo e dinâmico, desde festival Guarnicê, e outras produções literárias. Referente ao livro, tive o prazer de fazer o Prefácio do referido livro. Fraternais abraços. ????????????
Juan Marquito, productor literarioHá 4 anos atrásCórdoba Mi esposo y yo estuvimos en São Luís durante el Carnaval. Mucha desorganización y la ciudad carece de todo. Traduje este texto a mi idioma y entendí la situación. Parece que es el mismo de siempre.
Dr. Carlos LeiteHá 4 anos atrásBrasília DFUm livro que deve entrar para a história. Li a resenha desse brilhante intelectual maranhense e concordo. Um livro que representa muito de todos nós que queremos ver a cultura do Maranhão diferente dessa humilhação existente.
JAIME Há 4 anos atrásBSB/DFUm excepcional artigo presidente!!!
joão alfredo martins maranhense de bacabal ma ex-ufmaHá 4 anos atrásbuenos aires argentinaProf. euclides. quanto tempo. vejo-o aqui nesta belo espaço. tenho procurado ler. mas os jornais daí são pagos. mas aqui neste incrível site eu te vejo. e te li. magnífico livro. parabéns.
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