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Brasil TEXTOS ESCOLHIDOS

Num texto enigmático, Eloy Melonio se aventura numa viagem pelos vários universos do verso.

"(...) Mas, se você encontrar um verso voando por aí, não deixe de perguntar de que universo ele veio ou para qual universo está indo. Aí está a chave do Multiverso".

09/02/2023 16h02 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Eloy Melonio
arte:MHL
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MULTIVERSO: uma antologia de versos

Eloy Melonio, membro da Academia Poética Brasileira

 

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Pode parecer estranho, mas o verso — assim como a vida — é uma experiência que se nos impõe e se refaz a cada instante. Em outras palavras, o verso se confunde com o multiverso “conjunto hipotético de universos possíveis”. E tudo cabe nesse ambiente de extensão ilimitada. Os versos mais diversos, os menos conexos, e até os mais dispersos. Um pouco perplexo, ouso parodiar o homem de Nazaré: “A cada verso o seu próprio mal”.

 

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É tanto verso que a vida se perde neste fluxo do tempo. O dia é o verso oculto da noite. A noite, fonte cósmica da poesia. Sob o calor do Sol, o verso se protege à sombra do imprevisível. E, à noite, alguém diz baixinho que “todos os versos são cálidos”.

 

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Nesta introspecção, você vai descobrir que o multiverso é muito mais complexo do que se imagina. É como se o hoje não cuidasse do amanhã e se esquecesse do ontem. Como se aqui não fosse o lugar onde estamos, e ali, onde queríamos estar. Essa é a “possibilidade” de cada dia. Porque viver é mergulhar na luz, quando dia, e escapar das trevas, quando noite. Pisar nas pedras frias aqui, desviar da areia quente ali.

 

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Seria o verso uma vicissitude da vida? Ou vice-versa? Não posso dizer, e não sei se isso, de alguma forma, lhe interessa, mas...

 

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Às vezes penso que o verso não existe. Que é pura imaginação de quem se embriaga com o aroma da fantasia palavras de sonhador, versos de fingidor. Alguns podem achar que o verso só existe no universo da escrita e da leitura. Mas o poeta faz de conta que o verso voa solto por aí. E que os dois até se dão as mãos para um passeio: “deixa o verso me levar, verso leva eu”.

 

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E, subitamente, achamo-nos nas entrelinhas deste universo de múltiplos versos versando sobre a vida.

 

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Na enciclopédia do verso, a gente pode experimentar outras sensações ― deixar-se enlevar pelo desconhecido, pelo inimaginável verso-vivenciando espantos, surpresas. Na literatura universal, uma constatação: versículos estão para o Cantares (Cântico dos Cânticos) assim como testículos estão para o Kama Sutra.

 

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Numa perspectiva poética, tirei um tempinho para perscrutar algumas possibilidades do verso neste multiverso:

·     e num dia escuro a poesia se fez luz: o primeiro verso

·     um verso aforístico jamais será um verso afrodisíaco

·     neste estranho universo, um verso voando pode ser um disco voador

·     verso que é verso agarra-se à poesia feito marisco na pedra

·     um verso velho só pensa em se aposentar ou se tornar um alquimista

·     dizem que um fake verso vive infernizando as redes sociais

·     “two beers or not two beers” ― nem todo verso é o que parece ser

·     um verso sozinho não faz verão; dois versos juntos, versos nunca serão

·     um verso no meio do caminho não é merda nenhuma

·     a aranha arranha o verso e o verso arranha a aranha: isso, sim, é uma façanha

·     mais vale um verso voando do que dez dormindo numa página fechada

·     versos reversos são vilões das séries de ficção sobre o multiverso

·     se o verso fala, conversa; se se cala, desconversa

·     de verso para verso: você é o verso que quiser ser

 

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Dito isso, fica o verso pelo não-verso, ou vice-versa. Mas, se você encontrar um verso voando por aí, não deixe de perguntar de que universo ele veio ou para qual universo está indo. Aí está a chave do Multiverso.

 

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Estranho? Sim. Talvez. Não.

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JAIME Há 4 anos atrásBSB/DFUm publicação bastante erudita, onde os comentários abaixo, de alto nível. Onde o presidente FACETUBES/APB, nos brinda com um tema excepcional!!! Aplausos de pé!!!
Estação VampiroHá 4 anos atrásRio Grande do Norte. PX/RNOs cientistas que acreditam que o Universo não tem um princípio e desafiam noção de tempo e espaço. Assim mesmo é o verso. A gente pensa que ele termina quando acaba a composição do poema. Engano total. Ele continua como uma onda solta no ar. Portanto, "se você encontrar um verso voando por aí, não deixe de perguntar de que universo ele veio ou para qual universo está indo". Positivo. Entendido! QAP QRS.
Sergio DiasHá 4 anos atrásMinasCê mexeu num vespeiro meu camarada. Veja aí. MULTIVERSOS Quantos eus há em mim Habitando em outras dimensões Alimentados com minhas emoções Mergulhados em minhas frustrações? São vários, são infinitos São universos distintos Num multiverso irrestrito (Aillon Dias).
Umuarama PRHá 4 anos atrásJoselito FilgueiraTem até Podcast sobre multiverso poético. O Multiverso é um podcast de poesia composto de seis mundos: 1. Pindorama, onde vamos fazer contato com poetas contemporâneos brasileiros; 2. Cosmorama, onde vamos viajar com poetas contemporâneos estrangeiros; 3. Paideuma, onde vamos desafiar o espaço-tempo num encontro com poetas do passado. Vale ouvir, Eloy: https://podcasts.apple.com/ng/podcast/multiverso-os-mundos-da-poesia/id1508143726
Juarez MedeirosHá 4 anos atrásRosário MaTenho aqui comigo (não posso postar foto aqui) "O Multiverso Poetico", do poeta Luiz Henrique. Um livro Tem Primordialmente A Minha História E Os Meus Pensamentos A Respeito Do Mundo. Apenas, Sente, Leia E Se Deleite. que tal pensar também em escrever nesse diapasão?
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