UM ENCONTRO ATERRORIZANTE
@Maura Luza Frazão
O manto escuro da noite já havia descido sobre a cidade há horas e Júlia ainda estava esperando aquela bendita reunião acabar. Ela era a secretária dos seus irmãos e enquanto eles não saiam da empresa, também tinha que ficar. O pior de tudo é que era uma quinta feira, e aquela em especial, era uma noite de eclipse lunar, a fantasiosa lua de sangue. A ECITEL empresa da família, ficava situada na Rua Antônio Rayol, bem próxima àquela rua que estava sempre assombrando seu sono, a famosa "Rua do Passeio".
Os três irmãos eram do interior do estado, da pequena cidade de Monção, às margens do Rio Pindaré. Na capital maranhense moravam em um dos casarões da Rua do Ribeirão e estavam cientes das lendas que rodeavam aquela parte antiga da cidade de São Luís do Maranhão, onde moravam.
Apreensiva se pegou imaginando... que quando a reunião acabasse, graças à Deus iria junto com seus irmãos para casa, isso a deixou mais calma. Quando enfim eles saíram, já passava das 23:00hs, eles se despediram das pessoas que estavam com eles e ficaram só os três irmãos.
A moça aflita consultou o relógio e logo começou a arrumar a bolsa para saírem o quanto antes, contudo, parecia que os dois não tinham a menor pressa. Quase meia noite eles fecharam as portas e entraram no carro para irem para casa, só que um dos irmãos falou que precisava passar primeiro na drogaria de propriedade deles. Acontece que a Farmácia era exatamente no canto da Rua do Passeio subindo para a São Pantaleão, mais precisamente no canto "Socorrão", o hospital municipal da cidade. Sem comentar nada ela seguiu sentada no bando de trás, agarrada à bolsa, como se fosse uma "tábua de salvação".
Ao chegarem na porta da Drogaria Élida, os dois irmãos desceram e disseram para ela ficar no carro, ela ainda tentou descer, mais percebeu que eles não entenderiam o porquê dessa insistência. Prendendo a respiração, acabou ficando dentro do carro quietinha de olhos fechados. Foi quando ela ouviu um ruído de cavalos, ao abrir os olhos, viu a razão dos seus piores medos se tornarem realidade, era a carruagem de "Ana Jansen" vindo da direção do Cemitério Gavião com todo o aparato descrito na lenda: Os cavalos decapitados, cocheiro também sem cabeça e a Senhora toda vestida de preto com uma vela nas mãos. Apavorada Júlia começou a rezar pedindo a Deus que aquilo tudo fosse produto da sua imaginação.
Contudo, ao abrir os olhos se deparou com aquela mulher assustadora diante de si, lhe estendendo aquela vela acesa, chamando-a pelo nome, o que a deixou perplexa. Aterrorizada, Júlia recebeu a vela e a mulher se afastou dando uma gargalhada horripilante. A moça ainda ouviu o rangido da carruagem se afastando antes de mergulhar na inconsciência. Ao abrir os olhos novamente, percebeu que seus irmãos a chamavam aflitos, pois a moça estava desfalecida fora do carro com um grande osso nas mãos.
Maura Luza Frazão
Professora e poeta - São Luís – MA/Brasil.
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