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Brasil Crônicas de MHL

O lado 'Banal' da Mediocridade

Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira

20/02/2023 10h47
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
O Mal e o Corvo. (Arte: MHL).
O Mal e o Corvo. (Arte: MHL).

*Mhario Lincoln

 

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Ontem conversei demoradamente com um amigo que tem um trabalho incrível na área de Literatura Nacional. Dono de uma livraria comunitária. Ele compra livros e os disponibiliza em forma de empréstimo, além de ter na própria livraria um espaço para editoração e correção gramatical de textos, romances, ensaios ou livros poéticos elaborados pela comunidade em que está inserido.

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Durante a pandemia, conseguiu publicar dois livros de frequentadores dessa sua biblioteca. Pagou do próprio bolso, com muito sacrifício.

 

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Aí foi o problema” – disse-me esse amigo – “pois os autores receberam os exemplares e nunca mais voltaram, nem para deixar um pra mim, autografado”. 

 

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Com base nessa historinha, fiquei pensando na seguinte premissa: quando Hannah Arendt cunhou a expressão “… a banalidade do mal…”, numa clara acepção à mediocridade do não pensar, foi muito mais além, pois tal conceito, nada tem com o desejo ou a premeditação do mal, alinhado ao sujeito demente ou demoníaco.

 

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Há algum tempo havia concluído que essa banalidade do mal, então, dizia mais respeito aos seres mesquinhos, medíocres, de pouca reflexão, extremamente egóicos, desprovidos de quaisquer resquícios de coletividade.

 

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A triste conclusão é que mais pessoas banais se lhe apresentam nos variados círculos da vida humana, como no caso da livraria do meu amigo. Lembrei-me também de uma das minhas frases bem simples, mas que representa alguma coisa perto do que Hannah quis dizer: “Briga com alguém, corre para mim. Arruma outro alguém, foge de mim”.

 

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É dessa banalidade que as pessoas que sempre ajudam o outro, se referem. Tanto que o livreiro encerrou a conversa com a seguinte frase:” (...) em minhas atividades diárias, a única intenção (ainda) é vislumbrar algo grande para meus parceiros de literatura. Contudo, vez por outra, grandes decepções. Talvez nem pela personalidade banal, e sim, muito mais, pela ignorância da não-evolução, insistindo em não tirar os guarda-olhos, empecilhos de olhar para os lados ou para trás”, finalizou.

 

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Destarte, a mim me parece estarmos num triste momento em que se vê muitos grupos interessados, apenas, em conseguir seus 15 minutos de fama; e não, em fazer a diferença dentro da coletividade.

 

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Mais uma vez me leva a repensar o conteúdo do livro “Assim Caminha a Humanidade”, (tradução nacional e cinematográfica), drama baseado no romance de Edna Faber, brilhante escritora norte-americana.

 

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Cá com minhas teclas, há de se pensar, depois de exemplos doídos desses, se as pessoas que se doam a outras, devem ou não afunilarem suas ações a pro, porque, nem sempre há feedbacks favoráveis, mas nunca necessários.

 

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Tanto esforço por um coletivo melhor, porém, sem o reconhecimento, puro e simplesmente de um trabalho vigoroso, consistente e com amplos resultados coletivos. Isso mereceria um aceno, sim!

 

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Todavia, nem sempre é a realidade. Em alguns momentos há desfaçatez, e pior: uma imensa ingratidão; o mais pobre, dos grandes defeitos do espírito.

 

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O autor MHL.

Sendo assim, há de se questionar – como o faz neste momento – esse meu amigo livreiro: “vale a pena tanta dedicação diante de exemplos tão pobres de espírito, sabendo-se que essa é a verdadeira essência de cada um deles?”

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*Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira

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Joizacawpy Há 4 anos atrásSão Luís Infelizmente o ser egoico perde o lugar para o ser sábio, sendo assim caminha de uma forma a olhar só para si e esquece de olhar para os lados e envolta, dessa maneira o egoísmo impera e a ideia de coletividade se perde.
Carmen Regina DiasHá 4 anos atrásCascavelFinalizando, fica a pergunta, Se posso ser ótimum, por que ser medíocre? Olha a dimensão do Universo visível! Bilhões de estrelas, bilhões de galáxias... olha os nasceres e pores do sol... é pra aplaudir, pois está ensinando algo grandioso aos olhos admirados. Amei ler o Banal da Mediocridade. É um alerta.
Carmen Regina DiasHá 4 anos atrásCascavel E assim caminha a humanidade... com passos de formiga e sem vontade. Gratidão, então, nem pensar! Os egos não permitem sua aproximação, pois que é uma virtude da alma. Sair da letargia, cair fora da onda tenebrosa da mediocridade, que a tudo absorve, dissolve e nivela... A mesma via que traz uma alegria de realização há de levar a alegria da gratidão Só lembrando o livreiro: "em minhas atividades diárias, a única intenção (ainda) é vislumbrar algo grande para meus parceiros de literatura."
ELOY MELONIO Há 4 anos atrásSão Luís-MA Reflexão profunda sobre um dos nossos piores defeitos. Depois de Jesus curar dez leprosos, só um voltou para agradecer. Lembrei-me de dois exemplos sobre esse desvio de objetivo. Viola Davis, atriz americana que lançou, em 2022, o livro "Em Busca de Mim", diz: "A maioria dos atores não quer ser artista, que ser famosa". O cineasta Tim Burton explica por que, depois de vários "nãos", persistiu na busca de seu sonho: "Eu não estava em busca de sucesso. Minha motivação era fazer o que eu amava".
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