Original de: bbcbrasil
Em uma época em que mulheres cristãs podiam escolher apenas entre casar-se com Deus e viver como freiras enclausuradas com votos de obediência, castidade e pobreza, ou casar-se com um homem e viver semiconfinadas nos seus lares, com votos de obediência e fidelidade, surgiu o movimento das beguinas.
Em pleno século 12, o estilo de vida semirreligioso das beguinas na região de Flandres (hoje ocupada por parte da França, Bélgica e Holanda), serviu como alternativa para mulheres de todas as classes e condições financeiras.
Elas não pertenciam a nenhuma ordem religiosa, o que as permitia criar suas próprias regras. Dependendo dessas normas, elas podiam viver como itinerantes solitárias ou até em comunidades de clausura, com grande variedade entre esses dois extremos.
Com a diversidade e a falta de uma administração centralizada, é difícil determinar o número de beguinas, mas estima-se que, no auge da sua expansão, o movimento contava com um milhão de beguinas em toda a Europa.
Quando o papa Clemente 5º acusou o movimento de heresia e o proibiu, a perseguição obrigou muitas beguinas a ingressar em ordens mendicantes e monásticas reconhecidas. Algumas resistiram, mas, quando a ordem de dissolução foi finalmente extinta, o movimento beguinário já havia sido drasticamente reduzido.
Apesar da redução e das outras restrições impostas, algumas comunidades de beguinas sobreviveram até o século 20. Mas, no século 21, seu número pode ser contado nos dedos das mãos.
A última beguina, Marcella Pattijn, morreu em um domingo de abril, 10 anos atrás, em Cortrique, na Bélgica.
Clique no link da nossa bio para conhecer a história dramática da beguina Marguerite Porete, executada por escrever um livro em 1300.
A popularidade do livro foi interpretada como uma ameaça ao poder não só do clero, mas também do rei Felipe 4° da França, que tentava estabelecer-se como defensor da fé católica.
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