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Brasil MATÉRIAS ESPECIAIS

Rogério Rocha (x) Osmarosman Aedo: poesias além da simples compreensão

Poetas-acadêmicos da Academia Poética Brasileira.

06/03/2023 17h33 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Osmarosman Aedo/Rogério Rocha
capa
capa

Arte: Mhario Lincoln

O DIA DA GRANDE CHUVA 

@Rogério Rocha (ABP)

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Rogério Rocha.

 

No dia da grande chuva a cidade parou.

Veio do céu a água de décadas,

a lavagem de milênios, de eras,

que ninguém esperava .

Eis que naquele dia tudo foi chuva,

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tudo foi escuridão, naquele quase dia,

naquelas quase horas de nossa quase vida.

 

Naquela quase noite, rápido escureceu.

Pensei que fosse hora de pedir arrego.

Pedir a conta e dar o fora.

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O grande dilúvio varreu a cidade.

Esvaiu-se em veios e vãos 

e tomou quase tudo o que havia

para se tomar ainda.

 

Nada mais funcionou...

Palavras nas bocas cerradas.

Olhos apáticos sem força ou brilho.

Artérias pulsantes entupidas

luminárias, vídeos e fachadas.

Traidores furtando-se às risadas.

Tesouros vis soterrados nas minas.

Peitos abertos sem receberem estaca...

 

O céu era cinza, o mar era cinza, o verde era cinza.

A chuva, grande chuva, ninguém pensava,

fosse descer naquela tarde, como rio

de ordem celeste, caindo sobre as cabeças.

 

O ar mais denso foi sisudo querubim.

Pensei mesmo que fosse o fim.

 

Desceu de tudo na enxurrada,

Eu vi! Eu via tudo pela vidraça.

 

Passou muita coisa levada pela água.

Muito lixo, muita terra, pedaços de nada,

Pedaços de cada pedaço das farsas montadas.

Rolaram ódios, vidros de verdes garrafas,

Sem cartas, sem farpas, latas de óleo,

barquinhos de papel (eu não vi)...

mas, por certo, em algum lugar, passaram.

Dejetos de gente, projetos de gente (sementes que não vingaram),

gente que vale pouco, gente que vale nada...

Tudo passou, tudo passava, todos passaram.

Desceram pelos regos na grande enxurrada.

 

As mulheres que não me amaram,

as vi passarem nos meios fios,

caindo nas valas...

Como iam rápidas!

Que bela imagem, num dia de chuva!

 

A cidade nunca viu tanta chuva,

como no dia que esteve perto do fim.

A cidade não sabe o que a aguarda

quando o dilúvio sair de dentro de mim.

 

#poesiacontemporânea #versosurbanos #cidade #chuvas #sentimentos

ART NOUVEAU DO RESTRITO

@Osmarosman Aedo, Acadêmico da APB

Osmarosman Aedo.

 

Não nego!

 

Eu quis ser asa sim

Ainda que pertencesse a uma mosca;

Eu quis contar histórias sim

Mesmo com os eventos 

Contorcendo-se devido minhas versões estranhas;

Eu quis ter garras sim

Ainda que o protesto da águia

Fosse sobre não ter força na língua;

Eu quis me comportar sim

Mas o ego desgovernado que me compõe o ímpeto

Só permitiu que chegasse até o uso de suspensórios...

 

Não nego!

 

Eu tentei evitar tentativas,

Mas o que me propôs a fama

Estava aquém de minha sabedoria;

Eu tentei sustentar sonhos,

Mas o que vi nos pesadelos

Me fez crer que nem toda noite são nupciais;

Eu tentei redirecionar as intenções

Mas quando dei por mim

O enfrentamento era com sabres, não com palavras...

 

Não nego!

 

Fiz o que pude 

Para não transgredir nenhuma mariposa,

Mas a luz do lampião (lambrequim de postes)

Simplesmente não se permitiu alumiar

Nem as portas nem o que delas 

Poder-se-ia repaginar destinos...

 

Nego não ter sugerido antes de o dia ter terminado.

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Rogerio Rocha Há 3 anos atrásSão LuísSó mesmo o Mhario Lincoln para proporcionar esses encontros de letras, mentes, corações e almas. Uma conexão norte-sul do país, com poemas que, em suas singularidades, põem ao centro as angústias e os sentimentos de seus respectivos eus líricos. Ao lado de Osmarosman, melhor ainda.
JAIME Há 3 anos atrásBSB/DFOs dois poetas com seus poemas sensacionais que toca profundamente quem os lê. Parabenizo o presidente/APB, por nós trazer publicação magnífica. Aplausos de Pé!!!
JAIMEHá 3 anos atrásBSB/DFQue preciosidade publicada presidente. Show!!!
Osmarosman AedoHá 3 anos atrásCuritibaDividir o espaço com Rogério Rocha, já me causa uma honra enorme e lendo essa obra prima: O DIA DA GRANDE CHUVA aí é que redobra essa honra. Um texto de uma visão realista magnífica e que tem a magia de nos colocar na cena. Parabéns meu amigo Rogério por nos presentear com suas obras.
Sou um poeta também, teu amigo da Feira do Poeta. Sou de Recife.Há 3 anos atrásCuritiba-PROi Aedo. Como te conheço, senti algo muito teu dentro de ti. Teu poema é uma reflexão sobre a frustração amorosa, apesar de teus esforços. Mas tu precisas alcançar a tua iluminação e a compreensão plena do mundo que o rodeia. Saia da escuridão da saudade e da paixão. Acabou! Mas tenho esperança. O verso "Fiz o que pude" sugere que tu estás fazendo um esforço consciente para transcender essa escuridão.
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