A diferença entre o Ego, nosso Círculo de Amigos e a Crítica
De: Mhario Lincoln
À propósito da minha resenha acerca da obra do ilustre escritor e poeta maranhense Salgado Maranhão, algumas pessoas levantaram a tese de que eu deveria "ter me prendido mais" à questões semânticas, acadêmicas e personativas; não só "ao status orgânico do sentimento".
Ora, respeito esse ponto de vista, mas indubitavelmente não concordo, porque tenho uma outra linha de ver, ler e ouvir as coisas, os bens poéticos, os elementos artísticos que, de certa forma, calam de forma profunda a minha alma. Como disse o crítico lusitano que cito nas últimas linhas, António Lobo Antunes, a missão da crítica (e da resenha) seria ajudar a ler. Por isso, o que resenho é algo muito orgânico, sim!
Coincidência ou não, hoje pela manhã, ao entrar no grupo "Crítico Pensar", liderado pelo poeta João Batista do Lago, dei-me com um texto que, resumidamente, nos leva a seguinte conclusão: na crítica, a inteligência está a serviço da imaginação e não da inteligência. Genial! Veio bater exatamente com o que eu havia escrito para essa pessoa que citei no primeiro parágrafo. Eis abaixo, excertos da minha resposta:
"(...) E quando reafirmo a premissa de que na crítica, a inteligência está a serviço da imaginação e não da inteligência é porque em quaisquer que sejam as análises artísticas é mais importante ter imaginação do que simplesmente usar a "inteligência" para analisar e avaliar um objeto ou obra de arte. (...)".
"(...) Em outras palavras, a crítica não deve ser apenas uma questão de aplicar lógica e raciocínio para analisar uma obra, mas deve também envolver uma abordagem criativa e imaginativa. Afinal, a crítica envolve a interpretação de uma obra de arte ou objeto, e a interpretação muitas vezes envolve subjetividade, tornando essa imaginação por demais importante, porque permite que o resenhista veja as coisas de diferentes ângulos, e possa oferecer uma análise mais rica e profunda.
Destarte, concluo que a crítica não deve ser meramente técnica ou acadêmica, mas deve envolver uma abordagem mais criativa, atrelando-se a insights (imaginativos) mais profundos sobre o analisado, ajudando, assim, o leitor ou público a entender melhor os seus significados e mensagens subliminares. (...)".
E finalizo chamando o lusitano António Lobo Antunes:
"Idealmente, a missão da crítica seria ajudar a ler. Em teoria, o crítico será um leitor mais atento do que os outros. Não tem necessariamente que emitir juízos de valor. Temos tendência a gostar só dos que são da nossa família, as ideias confundem-se com as nossas paixões". Publicado no Diário de Notícias (2003).
NE: Para ler a Resenha de MHL na íntegra:
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