PÉROLAS DO INSTAGRAM LITERÁRIO
NE: se perquisar vai encontrar muitas coisas interessantes no gênero "literatura e arte", no Instagram. São publicações como essa que me fazem perder uma boa parte da madrugada garimpando novidades pela internet. Na página da biblioteca.peck.pinheiro, livros raros e muito interessantes, como a "Revista Noigandres" n°1, com participações de nomes como o de Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos. A data é 1952. A capa de Décio Pignatari. Neste texto quase exótico, geralmente assinado por Patricia Peck Pinheiro e Romulo Pinheiro, bibliófilos, detalhes interessantes. Vale muito ler (Mhario Lincoln). Abaixo:
"(...)
"Noigandres, eh, noigandres."
Aqui nascia o Grupo Noigandres, marco da vanguarda poética, debaixo da "palavra mágica" criada no século XII pelo hermético Arnaut Daniel: noigandres, "o que protege do tédio".
Segundo Augusto de Campos: "Usamos a misteriosa palavra 'Noigandres' no primeiro número do nosso livro conjunto de poemas e pusemos como epígrafe a expressão de Pound, 'Noigandres now what the DEFFIL can that mean!'. Isso porque parecia um símbolo de alguma coisa que estávamos procurando, uma coisa nova que a gente não sabia o que era."
E não sabiam mesmo, pois o significado da palavra veio apenas em 1971, após uma trabalhosa tradução de Émil Lévi, que chegou ao "que protege do tédio". Ao saber, Augusto disse "ainda bem".
A palavra mágica os levou a criar o maior grupo de vanguarda da poesia brasileira, com repercussão além de nossas fronteiras. Aqui neste primeiro número os três ainda não haviam entrado no campo da experimentação visual das palavras e formas, mas o rumo estava traçado: enfrentar e derrotar o tedioso rumo que a poesia estava tomando.
E qual o maior poema do livro? Sempre entendemos a foto de abertura como um poema visual. Os três poetas juntos, unidos na busca pelo novo, mas cada um olhando para sua própria direção, seu próprio caminho.
(...)".
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