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José Neres estreia no Facetubes como membro da APB/MA com o texto: "Esmeralda Costa e o Cordel"

"Em apenas 8 páginas e 28 estrofes, a cordelista cearense sintetiza a história da criação do mundo e os mais relevantes acontecimentos desse livro da Bíblia Sagrada".

24/03/2023 17h36 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: José Neres/esmeralda Costa
Esmeralda, Linda e José Neres
Esmeralda, Linda e José Neres

 

José Neres

(AML, ALL, SOBRAMES-MA, APB)

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A mulher e sua história

No seio da sociedade 

Ainda é pouco estudada

Em escola e faculdade

São figuras aguerridas

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Valentes e destemidas

Rompem a dificuldades.

(Esmeralda Costa)

 

No início de 2020, o mundo viu-se assolado por uma pandemia que deixou grande parte da população atônica e com a saúde física e mental abalada. De repente, parece que saímos de um mundo conhecido e entramos em um universo distópico que se assemelhava a um filme de ficção científica. Trancadas em casa e recebendo a cada minuto uma enxurrada de informações desencontradas, muitas pessoas procuraram algum tipo de ocupação física e/ou mental para enfrentar o período difícil pelo qual todos passavam.

Foi nesse momento tão complicado de nessa história que a professora Esmeralda Costa, que tem formação superior em Letras pela Universidade Estadual do Piauí e pós-graduação em Literatura Brasileira e Africana pela URCA – Universidade Regional do Cariri, acabou despertando para um talento que andava adormecido por conta das lides cotidianas e pelas tarefas relacionadas com a profissão. Foi em plena pandemia que ela descobriu dentro de si o latente chamado da Poesia, mais precisamente da poesia em forma de soneto e de cordel.

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Seus poemas começaram a circular entre os amantes da literatura e a chamar a atenção para a construção de imagens mentais que se consolidavam em forma de versos e estrofes carregados de ritmo e de imagens. Foi quase no final de 2020 que ela resolveu trazer à luz seu primeiro trabalho independente, o cordel intitulado Gênesis: a criação do mundo (editora Cordel e Arte), no qual, com o título já informa, a escritora estiliza o primeiro dos cinco livros escritos por Moisés e que faz um levantamento de aproximadamente duas dúzias de séculos da história da humanidade.

Em apenas 8 páginas e 28 estrofes, a cordelista cearense sintetiza a história da criação do mundo e os mais relevantes acontecimentos desse livro da Bíblia Sagrada. Utilizando o tom de conversa bastante presente nas obras em Cordel, Esmeralda Costa introduz o poema com os seguintes versos:

 

Eu vou contar pra vocês 

Com tudo começou

Com perfeição nosso Deus

Uma história iniciou

Ele fez o Céu e a Terra 

Isso muito lhe agradou.

 

Bem acolhida pelos leitores, a professora decidiu continuar nos caminhos da Poesia e, seguindo os ensinamentos do escritor russo Liev Tolstoi, que defendeu a ideia de que “se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”, transformou em versos a história de sua terra natal no poema intitulado De Nova Roma a Campos Sales. Nessa obra, em 33 estrofes, a escritora traça um perfil histórico, social, turístico e econômico daquele município cearense situado cerca de 525 de Fortaleza e onde está sepultada a revolucionária Bárbara de Alencar, uma das mulheres mais importantes da história do Brasil.

E é justamente a figura de Bárbara de Alencar – também conhecida por ser avó do escritor José de Alencar – que motivou Esmeralda Costa a escrever os cordéis Bárbara de Alencar: Heroína nacional (Academia Cearense de Literatura de Cordel) e “Dona Bárbara” – de Pernambuco pro Crato e do Crato pro Brasil (projeto Sesc Cordel). Embora tenham como figura central a mesma personagem, os dois poemas mais se completam do que se anulam e possibilitam ao leitor um contato mais aprofundado com essa valorosa mulher que nem sempre é lembrada pelos pesquisadores da história do Brasil.

 

Faleceu nossa heroína

Aos setenta e dois de idade

O Brasil deve lembrar

A sua grandiosidade

Matriarca nordestina

Dona Bárbara fascina

Pela genialidade.

 

Além das obras individuais, Esmeralda Costa também participa de diversas antologias e faz parceria com outros poetas de renome, como é o caso de Pedro Sampaio, com quem escreveu A invenção de Gonzaga é o Ritmo Nordestino, e de Cearensidade Gonzagueana, com o também poeta Pedro Cavalcante. Nesses dois livros ou autores prestam homenagens ao cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga (1912-1989), considerado um dos mais importantes nomes da música brasileira de todos os tempos.

Aos poucos, o nome de Esmeralda Costa vem ganhando projeção nacional e seus trabalhos ganham reconhecimento entre admiradores e pesquisadores da cultura popular. Atualmente, ela faz parte Academia Internacional de Literatura Brasileira, da Academia Cearense de Literatura de Cordel e da Academia Poética Brasileira. 

O que chama a atenção na produção poética dessa escritora, além de seu trabalho com as palavras, é sua capacidade de sintetizar temas e de compor narrativas que mesclam assuntos de interesse de determinadas esferas da sociedade com um ritmo agradável aos olhos e os ouvidos dos leitores. É sempre possível aprender um pouco mais lendo a obra dessa autora.

Mesmo sendo um momento terrível de nossa história, a pandemia serviu para mostrar a todos que há sempre alguma pedra preciosa prestes a brilhar em nossa cultura às vezes tão desprezada.

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Julia CamposHá 3 anos atrásSão Luís do MaranhãoÉ com gradíssima alegria que leio o senhor aqui, professor.
LucasHá 3 anos atrásSão Luís MAOi professor Neres, viu os comentários do sr. Toti? Assino embaixo.
Toti Leite FrazãoHá 3 anos atrásNós moramos em Anadia, região de Aveiro, onde fazemos um trabalho social.Portentoso professor Neres. Não te conheço pessoalmente, apesar de ter nascido em S.Luís e vindo pra cá em 1999, por força de um casamento com uma pessoa que conheci em São Paulo e que mudou minha vida e minhas preferências. Gostaria de ter te conhecido para lhe dizer muito obrigado. Aprendo muito lendo tuas coisas publicadas.
Toti Leite FrazãoHá 3 anos atrásAnadia PTMas sempre que passo por este sitio acabo me deliciando com tuas teses e teus ensaios tão bem elaborados, com este em que tu citas a frase de Liev Tostoi, "se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia", que para se compreender o mundo de uma forma ampla e universal, é preciso começar a partir do local em que se vive, do conhecimento das suas particularidades, das suas histórias, dos seus costumes e das suas pessoas.
Toti Leite FrazãoHá 3 anos atrásAnadia PT. E tu, brilhantemente, escora essa tese diretamente sobre Esmeralda Costa (adorei), aplicando esse mesmo princípio ao Cordel que ela produziu sobre sua terra natal. Eu estudo aqui muito sobre Cordel. Não tenho certeza, mas acredito que a poesia romântica era muito mais abundante em S.Luís na minha época, que a técnica do Cordel. Por essa razão nunca tive contato direto enquanto morava aí.
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