
Esmeralda Costa, colunista do facetubes.com.br
Viveu-se por muito tempo na história da humanidade o silêncio Feminino. De fato, a mulher sempre foi submissa ao homem, considerada como sexo frágil, incapaz de agir num mundo tão contundente e por esta razão, este ser sublime, esteve escondido no seu lar, sendo marginalizado e considerado inferior, enquanto o homem, sempre ocupou um posto visível na sociedade, destacando-se como ser muito capacitado. Tal fato, gera questionamentos acerca do papel que a mulher assume na família e na sociedade, pois hoje, graças aos esforços de mulheres corajosas, decididas e brilhantes, a mulher garantiu o seu espaço também no meio social. Esta conquista, porém, não aboliu por completo o preconceito contra a mulher e não destruiu por completo a vácua ideia de que a mulher é inferior ao homem e deve viver submissa a ele.
Na Literatura de Cordel também não foi diferente, mesmo existindo mulheres com o belíssimo dom de cordelizar, as mulheres não podiam assinar cordéis.
Num tempo em que o dinheiro estava difícil na casa da paraibana Maria das Neves Batista Pimentel, seu marido, o comerciante alagoano Altino Pimentel, a desafiou: “Você não é tão boa de fazer versos? Faça uns para vender.” Filha do poeta e editor Francisco das Chagas Batista, ela não pensou duas vezes – transformou um romance num folheto de cordel.
Por volta da segunda metade dos anos 1930, as mulheres não podiam assinar cordéis. A saída para Maria das Neves foi adotar o pseudônimo Altino Alagoano, e o próprio marido se encarregou de levar o cordel para ser vendido nas feiras de Rio Largo, em Alagoas. Pesquisadores reconhecem que Maria das Neves, nascida em 1913, foi a primeira mulher a publicar um cordel, ainda que com nome masculino. A mesma publicou pelo menos três cordéis, assinando como homem. Depois da morte do marido, esmagado por um trem em 1945, não voltou a publicar. Continuou versejando só para divertir sua prole, que sustentou sozinha. A autora faleceu em 1994, deixando alguns poemas inacabados que são guardados pela sua filha, Alzinete Pimentel. Somente a partir de 1970 se tem notícias de cordéis assinados por mulheres.
Mulheres Brilhantes, Cordelistas Fascinantes
No cariri existe um grupo de mulheres da Literatura de Cordel que se destacam pela preciosa dedicação para com a nossa Literatura. Este grupo é intitulado: As Cirandeiras do Cordel do Cariri. E agora, vou lhes apresentar algumas dessas mulheres brilhantes de versos fascinantes.
Cirandeira Dalinha Catunda
Maria de Lourdes Aragão Catunda, mais conhecida como Dalinha Catunda, nasceu em Ipueiras CE. Vive no Rio de Janeiro desde o início dos anos 70. Com mais de uma centena de cordéis publicados, tem como tema preferido, o gracejo e a mulher. Realiza e patrocina há oito anos o Encontro Nacional de Poetas Cordelista em Ipueiras, onde tem o seu teatro, Saberes do Sertão, além de uma cordelteca. É também Madrinha da Cordelteca da Sociedade dos Poetas de Barbalha. Como declamadora e cordelista, esteve se apresentando na FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty, na FLIT - Feira Literária Internacional do Tocantins e muitos outros palcos. Criou os blogs: Cantinho da Dalinha, Cordel de Saia, criou o Grupo Cirandeiras do Cordel. Escreve no Gazeta do Cariri e no JBF- Jornal da Besta Fubana. É membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, ocupa a cadeira 25. É benemérita na Academia dos Cordelistas do Crato e na Sociedade dos Poetas de Barbalha.
Cirandeira Lindicássia Nascimento
Maria Lindicássia do Nascimento Mendes, (Lindicássia Nascimento) Poeta/Cordelista, Agricultora, Técnica em Fruticultura, Educadora Popular, Membro Fundadora da Sociedade dos Poetas de Barbalha – SPB, Ocupa a cadeira de numero 06 e tem como Patrona Minerva Diaz de Sá Barreto. Foi a primeira mulher, presidente, eleita nesta agremiação.
Em 30 de Julho de 2018, recebeu o título de Imortal, da Academia de Letras do Brasil, do Ceará- ALB-CE, como Membro Vitalício ocupa a cadeira de numero 59 Patronada por Minerva Diáz de Sá Barreto. É sócia Benemérita da Academia dos Cordelista do Crato- ACC. Recebeu o titulo Gonzagueana em Agosto de 2018. Possui mais de 50 obras publicadas além da participação em vários cordéis coletivos. Idealizadora e promotora do projeto cultural: Mungunzá Com Poesias Versos e Prosas no município de Barbalha, desde 2018. Idealizadora e promotora da Trilha da Poesia, denominada Roteiro Turístico Poético da Sociedade dos Poetas de Barbalha, desde 2017. É sócia benemérita da Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC.
Faz parte do grupo fixo , As Cirandeiras do Cordel do Cariri, onde além de atuar como cirandeira, atua como divulgadora da entidade. Lindicássia é membro da Academia Cearense de Literatura de Cordel, ocupando a cadeira número 49 que tem como patrono João Firmino do Amaral.
Cirandeira Chica Emídio
Francisca Gonçalves Emídio. Nasceu em 22 de novembro de 1948, em Potengi-CE.. Pai: José Emídio de Carvalho Filho, (in memória. Mãe: Esmeralda Gonçalves de Lima. Primogênita de 13 irmãos, 9 mulheres e 4 homens. Aprendeu a ler em Cordel com seu pai e, desde cedo era convidada para ensinar ler e escrever aos filhos dos amigos de seu pai. Foi professora do MOBBAL em Potengi, quando estudava, onde concluiu o ensino fundamental. Foi para o Crato em fevereiro de 1972, com o objetivo de estudar no Colégio Agrícola do Crato, hoje IFCE, onde teve os melhores professores do Crato: Zé do Vale, Eli Menezes, d. As três, Tereza Pinheiro, e tantos outros. Estudou na Faculdade de Filosofia do Crato, hoje URCA, onde fez o curso de Letras. Trabalhou na CEQUIP, Posto Padre Cícero, de Moacir Siqueira, e, finalmente, em setembro de 1981 foi contratada pelo Estado do Ceará, no 18• Crede, em Crato-CE, lotada no Logos II, que viria a ser Centro de Estudos Supletivos, atual CEJA Crato-CE, professora de Língua Portuguesa, Literatura e Educação Artística. Atualmente, além de fazer parte do grupo, As Cirandeiras do Cordel do Cariri, assumiu a cadeira de número 12 que tem como patrona Dandinha Vilar na Academia dos Cordelistas do Crato. Mesmo antes de se assumir como cordelista já utilizava cordéis em sala de aula.
Cirandeira Anilda Figueiredo
Anilda Figueiredo é natural da cidade de Crato, aposentada do Banco do Brasil, advogada, professora de Literatura Brasileira e Literatura Popular, contadora de história, folclorista e amante da cultura nordestina. É autora de vários cordéis lançados pela Academia dos Cordelistas do Crato, e de outros tantos editados coletivamente. Na ACC ocupa a cadeira Nº07, cujo patrono é o Mestre Elói. Ocupa também a cadeira nº 3 que tem como patrono Firmino Teixeira do Amaral na Academia Brasileira de Literatura de Cordel e faz parte do Instituto Cultural do Cariri, na seção de Folclore. Anilda Figueiredo é Membro do grupo, As Cirandeiras do Cordel do Cariri, grupo integrado desde sua criação a Casa da poesia. Atualmente, a poetisa exerce o cargo de presidente da Academia dos Cordelistas do Crato.
Cirandeira Itinerante: Vânia Freitas
Maria Vânia Freitas de Alencar Carvalho Frota, é cordelista, trovadora, atriz, poetisa, artista plástica. É esposa do poeta cordelista Gerardo Carvalho (Pardal). É Licenciada em Letras pela Faculdade D. Aureliano Matos. Em 2005, a cordelista representou o Cecordel em 2005, no I Congresso Internacional de Literatura de Cordel em João Pessoa, Paraíba. Outros momentos importantes ocorreram em 2005 e 2007, quando Vânia Freitas representou a mesma entidade no Congresso Cearense de Folclore em Limoeiro do Norte, Ceará. A cordelista participou de eventos importantes no cenário literário, entre eles: o II Festival de Trovadores e Repentistas em Quixadá, Ceará e as Bienais Internacionais do Livro acontecidas, em 2006 e 2008, em Fortaleza, Ceará. Atualmente, Vânia além de escrever seus cordéis, continua escrevendo livros e é bem atuante nas redes sociais, participando de pelejas virtuais e rodas de glosas. No grupo: ACCC – As Cirandeiras do Cordel do Cariri, Vânia é Cirandeira Itinerante, tendo participado várias vezes das apresentações do grupo, em Ipueiras e Fortaleza. Autores e obras que destacam a mulher na Literatura de Cordel.
Tião Simpatia
Sebastião Félix de Oliveira Jucá, é poeta popular, músico e arte educador, foi alfabetizado aos 15 anos de idade por meio da Literatura de Cordel na zona rural de GranjaCE. Autor de grandes preciosidades na Literatura de Cordel, Tião apresenta-nos relevantes obras sobre a figura feminina. Tião é membro da Academia Cearense de Literatura de Cordel, ocupando a cadeira número 50 que tem como patrono Horácio Custódio. Alguns dos seus trabalhos sobre a mulher, podem ser conferidos nos seguintes links:
Lei Maria da Penha:
https://www.recantodasletras.com.br/cordel/2024312
Cordel da TPM:
https://www.recantodasletras.com.br/cordel/6050106
Bolsa de Mulher:
Poeta Cordelista Graziele Castro
Graciele Castro, Ribeirinha Pernambucana, Sócia fundadora da Editora Cordelaria Castro, Designer Gráfico, Poeta Cordelista, Arte-educadora, Declamadora, empreendedora e expositora, feminista, atriz em construção, coordena a Casa do Cordel Mulheres Cordelistas, Natural e residente em Petrolina-PE, casada com a Xilogravadora Kelmara Castro. Cursou o Curso Técnico em Teatro - PROSUB em Juazeiro-BA(2022), membra do Núcleo Cia Biruta Petrolina-PE. Integrante do Movimento nacional mulheres cordelistas unidas em combate ao machismo no cordel. Confira uma de suas obras no link:
https://www.recantodasletras.com.br/cordel/7586151
Ivonete Morais
Maria Ivonete Bezerra de Morais, nasceu em Fortaleza, dia 5 de janeiro de 1953. Além de cordelista, é socióloga, funcionária pública da STDS, graduada em Sociologia pela UNIFOR, pós-graduada no curso de especialização "Família uma Abordagem Sistêmica", pela UFC. Concluiu o curso de iniciação e aperfeiçoamento em Literatura de Cordel na Casa do Cantador. Ivonete tem vários cordéis publicados, dentre eles destacamos: Mulheres Empoderadas e A Mulher Constrói Sua História no Lugar em Que Ela Quiser. Este último, em parceria com a minha pessoa. Ivonete Morais é membro da Academia Cearense de Literatura de Cordel, ocupando a cadeira número 34 que tem como patrono Geraldo Moreira de Lacerda. Acompanhe os cordéis através dos links: https://youtu.be/oECDiL_nRDQ
https://cantinhopo.blogspot.com/2023/03/mulher-controi-sua-historia-no-lugar-em.html
Auri Lopes
Raimunda Aurinelia Lopes Moura, é poetisa, cordelista e professora. Filha de Raimunda Lopes de Moura e José Saraiva de Moura. Durante a árdua tarefa de criar seus cinco filhos(Artur, Alan, Rebeca, Sofia e Luiz Mário) juntamente com seu esposo Antonio Lopes, a poetisa encontrou na Literatura de cordel a principal válvula de escape em seu cotidiano. Inspirada em seu avô materno (José Lopes Guerreiro), cantador, repentista que rodava os torrões do Brasil com sua viola debaixo do braço, em busca de um alpendre para viver sua arte. A poetisa ocupa a cadeira número 10 na Academia Cearense de Literatura de Cordel que tem como patrono o poeta Rogaciano Leite. Dentre as várias obras da autora, vamos destacar a seguinte:
https://cantinhopo.blogspot.com/2023/03/os-guias-da-liberdade.html
Confira também outros destaques da Literatura de Cordel que enaltecem a figura feminina:
Amanda Preá
https://www.sesc-ce.com.br/noticias/sesc-lanca-cordel-em-homenagem-as-mulheres/
Juarez do Cordel
https://juaresdocordel.blogspot.com/2014/03/dia-internacional-da-mulher_8.html
Paulo Filho
https://youtu.be/O1HmqudUxv0desse
Mulheres Cordelistas da Academia Poética Brasileira
Raimunda Frazão
Raimunda Pinheiro de Souza Frazão nasceu em Campo de Pombinhas - Cantanhede MA. No dia da Poesia, 14 de março de 1951. Filha de Crispim Souza e Idalina Pinheiro Souza. Conheça melhor a autora e suas obras através do link:
Goreth Pereira
Maria Goreth Cantanhede Pereira adotou seu nome literário. Goreth Pereira poetisa desde os dez anos de idade, vindo de uma família Humilde sendo filha de um pedreiro e de uma empregada doméstica. Sempre dedicada aos estudos e teve sua primeira obra literária publicado ainda numa varrição de rua trabalhando como Gari. Mostrando em alto e bom tom que pobreza não é burrice.
https://youtu.be/3_oQHWO20QM
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Esmeralda Costa
Esmeralda Costa é poetisa, cordelista e professora. Nasceu em Campos Sales, é a sexta de dez filhos do casal de agricultores Antônio e Felicidade. Graduou-se em Letras Português pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e Pós-gradou-se em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e Africana pela Universidade Regional do Cariri (URCA). Amante da Poesia, Esmeralda descobriu-se poetisa no ano 2020, através do amigo poeta Pedro Sampaio que a incentivou a inscrever-se no Concurso Sentimentos na Pandemia da Amalb Bezerros- PE. Concurso no qual a mesma foi campeã, com o poema intitulado "Quarentena". Descobriu-se poetisa e cordelista no mesmo ano e desde então, segue produzindo, valorizando e divulgando a Literatura de Cordel com publicações solo e em parceria com outros cordelistas.
https://regiaotocantina.com.br/2023/03/23/esmeralda-costa-e-o-cordel/
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