Mhario Lincoln
(Presidente da Academia Poética Brasileira).
Certa vez, um amigo me disse algo mais ou menos assim: "O simples fato de olhar as pilhas de livros em todos os cômodos da minha casa, me traz força, dá-me sensação de inteligência e poder".
O aplaudi, até receber o vídeo do filósofo e confrade Rogério Rocha (mais abaixo). Aplaudi porque desconhecia literalmente a palavra 'bibliomania', doença obsessiva compulsiva incluída na lista de distúrbios mentais.
Mutatis Mutandis, depois do vídeo, pude relacionar o drama vivido por esse amigo, alto funcionário do Banco do Brasil, com uma família incrível e com uma situação financeira invejável que perdeu tudo isso. Pensei à princípio que fosse algo perto de outra doença infernal: o alcoolismo. Mas não, no caso dele, a obsessão não era por bebidas alcoólicas ou drogas. Era por livros.
Bibliomania. Esse era o termo que precisa me familiarizar urgentemente. Assim, tirei parte da tarde para pesquisar sobre o assunto e acabei encontrando gente famosa portadora dessa mesma doença: bibliomaníacos notáveis na história da literatura, como o francês Gustave Flaubert, que acumulou uma grande coleção de livros em sua casa em Croisset, na França, bem como Jorge Luis Borges, um colecionador ávido de livros raros e antigos.
O escritor norte-americano Edgar Allan Poe, igualmente, teria acumulado uma enorme coleção de livros ao longo de sua vida. Os três citados, não obstante de serem escritores fantásticos, lutaram muito com problemas de saúde mental ao longo de suas vidas.
Jorge Luis Borges foi diagnosticado com depressão e transtorno obsessivo compulsivo. Vale acrescentar que o distúrbio da 'bibliomania' pode ter influenciado muito nas obras deles, especialmente na de Edgar Allan Poe, nesta, muitos dos personagens de suas histórias e poemas também eram obcecados por livros e manuscritos antigos. Obvio, que Poe teve outras influências fortes: educação literária, experiências pessoais; lutas com questões de identidade e, principalmente, de pertencimento.
Por outro lado, alguns clássicos autores brasileiros, pelo menos dois, com os quais me deparei em minhas pesquisas, também foram considerados bibliomaníacos. Pasmem! Mário de Andrade, autor de "Macunaíma", um dos grandes colecionadores de livros em sua época, tendo deixado mais de 10 mil volumes em sua biblioteca pessoal. Outro, Monteiro Lobato, autor de "Sítio do Pica-Pau Amarelo", tinha interesse obsessivo por livros infantis e bibliotecas. Tanto que Lobato acabou fundando a primeira livraria infantil do Brasil.
E por falar em 'ratos de biblioteca', como se alcunha os que passam mais de 8 horas seguidas dentro de uma, pelo menos 4 vezes na semana, há igualmente uma outra doença ligada a livros. A 'asma alérgica'. Aliás, é um outro assunto muito bem explicado pelo confrade APB, Rogério Rocha, em vídeo abaixo, que, de tão interessante, foi um fator gerador deste texto complementar.
Por fim, as pesquisas concluem: "nem sempre os bibliomaníacos realmente leem os livros que compram, nem pode se dizer que são altamente capacitados intelectualmente". (RG, às pag.256). Alguns podem simplesmente acumular livros como objetos de colecionador ou como obras de arte, ou ainda " (...) algo que pode levar à condição de estimulantes sexuais feromônicos (...)". (Ibidem, às págs.. 257).
Enfim, para ler mais sobre a bibliomania, doença obsessiva compulsiva, procurei detalhes em "A Biblioteca à Noite", de Alberto Manguel, e "A Sombra do Vento", de Carlos Ruiz Zafón. Também existem relatos históricos e biográficos de bibliomaníacos notáveis, como "O Grande Artefato", de Christopher de Hamel, que conta a história da biblioteca pessoal de Sir Thomas Phillipps, um colecionador de livros do século XIX.
Sem mais delongas, chamo para a conversa, o filósofo, poeta e escritor Rogério Rocha que, em breve, pelo selo da "Acadêmica", da academia Poética Brasileira, estará lançando "ESCOLHIDAS/Versos desclássicos", até o segundo semestre deste 2023.
Abaixo assista o vídeo:
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